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Futebol Copa do Mundo

Copa do Mundo de 2026: cinco histórias que marcaram o torneio

A Copa do Mundo de 2026 chegou ao fim deixando uma coleção de momentos difíceis de esquecer. Em uma edição marcada pela presença de 48 seleções, grandes estrelas confirmaram o protagonismo, enquanto equipes de menor tradição conseguiram desafiar algumas das principais forças do futebol mundial.

Escolher apenas um acontecimento como o mais marcante seria reduzir demais tudo o que aconteceu ao longo do torneio. Dessa forma, cinco histórias ajudam a representar uma Copa do Mundo que teve recuperação improvável, eliminação histórica do Brasil, recordes individuais e até uma seleção estreante impedindo a vitória da futura campeã. 

Messi, Haaland e Bellingham assumiram o protagonismo na Copa do Mundo

Um dos momentos mais marcantes da Copa, aconteceu já nos jogos finais. A semifinal entre Argentina e Inglaterra parecia encaminhada para terminar com a classificação inglesa. Depois de abrir o placar, a equipe conseguiu preservar a vantagem durante quase toda a segunda etapa e ficou a poucos minutos de voltar à decisão da Copa do Mundo após 60 anos. Porém, Lionel Messi mudou completamente o rumo da partida.

Primeiro, o argentino criou a jogada que terminou no gol de empate de Enzo Fernández. Depois, já nos acréscimos, encontrou Lautaro Martínez na segunda trave para o atacante marcar o gol que colocou a Argentina na final contra a Espanha. Neste cenário, mesmo sem balançar as redes, Messi foi responsável por desmontar o cenário construído pela Inglaterra ao longo do confronto. Aos 39 anos, o camisa 10 apareceu novamente no momento mais importante, quando a eliminação argentina parecia próxima e o adversário tentava apenas administrar os últimos minutos.

A participação também reforçou uma característica que acompanhou o jogador durante toda a carreira. Quando a Argentina mais precisou, Messi conseguiu encontrar espaços que não estavam aparecendo anteriormente, acelerando duas jogadas decisivas e transformando uma derrota em classificação.

Enquanto isso, se o argentino foi responsável por manter seu país na luta pelo título, Erling Haaland protagonizou um dos momentos mais dolorosos da Copa para o Brasil. Nas oitavas de final, o atacante marcou duas vezes e comandou a vitória da Noruega.

A Seleção Brasileira criou as melhores oportunidades em boa parte do confronto, mas não aproveitou o período de superioridade. Haaland, por outro lado, precisou de pouco para decidir. O primeiro gol saiu em uma cabeçada, enquanto o segundo veio em uma finalização forte de esquerda, de fora da área. Dois gols em poucos minutos foram suficientes para mudar a história das duas seleções no torneio.

A Noruega disputava sua primeira Copa do Mundo em 28 anos e jamais havia alcançado as quartas de final. Já o Brasil havia contratado Carlo Ancelotti com a missão de recuperar a força da equipe em grandes competições, mas acabou sofrendo sua eliminação mais precoce desde 1990. 

Neste cenário, além do peso coletivo, a atuação deixou Haaland com sete gols na competição. O atacante chegou ao Mundial como o principal nome norueguês e confirmou essa condição justamente diante da seleção mais vitoriosa da história do torneio. Além disso, a eliminação da Seleção Brasileira também representou uma das grandes surpresas da Copa. Mesmo contando com um país de pouco mais de cinco milhões de habitantes, a Noruega encontrou em seu centroavante uma diferença que o Brasil não conseguiu apresentar nos momentos decisivos.

Ao mesmo tempo, outro nome que conseguiu deixar uma marca individual importante na Copa do Mundo foi Jude Bellingham. O meio-campista começou a competição cercado por críticas, principalmente dentro da imprensa inglesa, mas terminou como um dos jogadores mais importantes da campanha dos Three Lions.

Apesar da derrota para a Argentina na semifinal, a Inglaterra encerrou a Copa na terceira colocação. Foi a melhor campanha da seleção desde o título de 1966 e também sua maior posição em um Mundial realizado fora do país.

Bellingham ainda se tornou o meio-campista com mais gols em uma única edição da Copa do Mundo, além de estabelecer a maior marca de um jogador da seleção masculina inglesa em um mesmo torneio. Entre os atletas da posição, apenas o peruano Teófilo Cubillas possui mais gols na história da competição.

Reforçando o peso do desempenho de Bellingham, os números foram acompanhados por grandes atuações. Contra a França, o inglês marcou um gol em jogada individual, protagonizando um dos lances mais bonitos de sua seleção no torneio.

Dessa forma, Bellingham terminou a Copa em uma situação completamente diferente daquela que enfrentava antes da estreia. Desta forma, de alvo de questionamentos, o meio-campista do Real Madrid passou a ser uma das principais explicações para a Inglaterra ter novamente alcançado as fases decisivas.

Cabo Verde encontrou espaço entre as grandes histórias na Copa do Mundo

Nem todos os momentos marcantes da Copa do Mundo de 2026 estiveram ligados a títulos, classificações ou recordes de grandes jogadores. Cabo Verde, por exemplo, conseguiu ocupar um lugar importante no torneio ao segurar um empate sem gols contra a Espanha. O resultado foi construído principalmente pela atuação de Vozinha. Aos 40 anos, o goleiro realizou defesas importantes e impediu que a seleção espanhola confirmasse o favoritismo.

Com cerca de 500 mil habitantes e pouca tradição no futebol mundial, Cabo Verde chegou à competição distante da realidade das principais seleções. Porém, conseguiu entregar uma das atuações defensivas mais marcantes do torneio diante de uma equipe que ergueria o troféu.

O empate ganhou ainda mais valor com o passar das partidas. Afinal, a Espanha venceu sete dos oito jogos que disputou na Copa do Mundo e saiu com o título. Antes disso, também havia conquistado sete vitórias em sete partidas na Eurocopa de 2024. Dessa forma, entre os dois torneios, a única seleção que evitou uma vitória espanhola foi justamente Cabo Verde.

Neste cenário, em uma Copa do Mundo que ampliou o número de participantes para 48, Cabo Verde acabou se tornando um dos exemplos mais interessantes a favor do novo formato. Mesmo sem tradição ou grandes estrelas internacionais, a seleção conseguiu competir diante de uma das equipes mais fortes do mundo.

Já os Estados Unidos deixaram uma marca diferente. Jogando em casa, a seleção não alcançou o resultado esperado, mas viveu uma relação positiva com a torcida durante a caminhada até as oitavas de final.

É verdade que havia a expectativa de que os norte-americanos avançassem pelo menos até as quartas. No entanto, a equipe acabou eliminada pela Bélgica em uma atuação abaixo do nível apresentado anteriormente e teve dificuldades para superar mentalmente uma polêmica envolvendo um cartão vermelho. Apesar disso, a sensação ao redor do grupo foi de leveza durante boa parte do torneio.

Nos treinamentos, os jogadores demonstravam estar aproveitando a experiência, algo que também apareceu nos quatro jogos disputados. Até mesmo Christian Pulisic, normalmente mais reservado em suas reações, parecia mais solto e sorridente durante a campanha. A torcida também participou de forma importante. Os estádios em Los Angeles, Seattle e Santa Clara receberam ambientes intensos, com os norte-americanos abraçando a seleção enquanto ela permaneceu viva na competição.

Os Estados Unidos saíram antes do que desejavam, enquanto Cabo Verde não chegou perto de disputar o título da Copa do Mundo. Mesmo assim, ambos encontraram maneiras próprias de participar das lembranças deixadas pelo torneio.

O fato é que a Copa do Mundo de 2026 teve estrelas decidindo, favoritos caindo e seleções pequenas conquistando resultados improváveis. Atletas como Messi, Haaland e Bellingham ocuparam o centro do palco, mas histórias como a de Vozinha e o ambiente criado pelos norte-americanos também ajudaram a construir uma edição com diferentes formas de protagonismo.

Créditos da foto de capa: Getty Images.