A Copa do Mundo já garantiu aos Estados Unidos aquilo que o torcedor mais desejava no início da competição: a classificação para o mata-mata. Mas se alguém pensa que a equipe de Mauricio Pochettino pretende diminuir o ritmo diante da Turquia nesta quinta-feira (25), a resposta parece ser bastante clara: não mesmo.
Com duas vitórias em dois jogos, os norte-americanos já asseguraram a liderança do Grupo D e sabem que estarão nos 16 avos de final da Copa do Mundo. Ainda assim, o clima dentro da seleção é de total seriedade. Afinal, além de manter o bom momento, os EUA querem continuar alimentando a empolgação de uma torcida que não via a seleção masculina gerar tanta expectativa há décadas.
O duelo será disputado no SoFi Stadium, em Los Angeles, palco de uma das atuações mais convincentes dos americanos nesta Copa do Mundo, quando atropelaram o Paraguai por 4 a 1 na estreia. Depois, veio uma vitória segura por 2 a 0 sobre a Austrália, resultado que consolidou a equipe como uma das sensações deste início de torneio.
Agora, o desafio é evitar justamente aquilo que costuma derrubar equipes embaladas: o excesso de confiança.
Classificados, mas longe de relaxar
Quando uma seleção já entra em campo com a vaga garantida, a tendência natural é pensar no próximo compromisso. Porém, esse não parece ser o discurso adotado pelos Estados Unidos.
O atacante Christian Pulisic, principal estrela da equipe, deixou claro que o grupo quer chegar à fase eliminatória carregando a sensação de vitória.
Segundo ele, o hábito de vencer acaba se tornando um combustível importante para a confiança de qualquer elenco.
A lógica é simples: ninguém quer interromper uma sequência positiva justamente quando a Copa do Mundo começa a entrar em sua fase mais decisiva.
Além disso, uma vitória diante da Turquia ajudaria a manter o entusiasmo de uma torcida que abraçou a equipe de forma impressionante ao longo das últimas semanas.
Pochettino tenta evitar uma armadilha
Apesar de a Turquia já estar eliminada, Mauricio Pochettino não quer ver seus jogadores tratando a partida como um simples amistoso de luxo.
O treinador argentino passou boa parte da semana reforçando um alerta importante: equipes eliminadas também têm orgulho para defender. E a situação turca é curiosa.
Embora tenha perdido seus dois jogos na Copa do Mundo, a seleção realizou atuações competitivas e, em vários momentos, mostrou futebol suficiente para conquistar resultados melhores.
Por isso, Pochettino acredita que os europeus entrarão em campo motivados a encerrar a participação de forma digna.
É o típico jogo que costuma ser chamado de “armadilha”. O favorito entra sem pressão, enquanto o adversário joga apenas pela honra. Em muitos casos, esse cenário acaba produzindo surpresas.
Nos treinamentos da semana, o técnico aumentou a intensidade das atividades justamente para evitar qualquer acomodação.
Bastidores mostram uma semana de cobrança
O zagueiro Mark McKenzie revelou que o ambiente segue leve, mas longe de ser relaxado.
Segundo o defensor, Pochettino e sua comissão técnica deixaram claro que os treinos precisavam continuar intensos, mantendo o nível de concentração visto nas primeiras rodadas.
A mensagem foi recebida pelo elenco.
Os jogadores sabem que o verdadeiro objetivo não é apenas avançar de fase. A ambição americana é muito maior.
McKenzie resumiu o sentimento do grupo ao afirmar que os Estados Unidos chegaram à Copa do Mundo acreditando que poderiam conquistar o título, e não apenas participar do mata-mata.
Pode parecer ousado, mas é justamente essa confiança que vem chamando a atenção dos torcedores.
Pulisic pode voltar aos gramados
Uma das principais novidades para o confronto é a possível volta de Christian Pulisic.
O camisa 10 sofreu uma pancada na panturrilha antes da estreia contra o Paraguai e atuou apenas durante o primeiro tempo daquela partida. Posteriormente, acabou ficando fora do duelo contra a Austrália.
Segundo o próprio jogador, a adrenalina mascarou a dor inicialmente, mas o problema apareceu durante o intervalo do primeiro jogo.
Como os Estados Unidos já venciam com tranquilidade naquele momento, a comissão técnica optou por preservá-lo.
Nos últimos dias, Pulisic evoluiu fisicamente e voltou a treinar normalmente. Mauricio Pochettino confirmou que o jogador está apto para atuar, embora ainda exista uma dúvida sobre sua utilização.
A tendência é que a comissão técnica avalie se vale a pena colocá-lo como titular ou utilizá-lo apenas durante parte da partida.
Mudanças para evitar suspensões
Se por um lado Pulisic pode retornar, por outro os Estados Unidos devem preservar algumas peças importantes.
Chris Richards, Tyler Adams, Folarin Balogun e Antonee Robinson já receberam cartão amarelo durante a Copa do Mundo. Caso sejam advertidos novamente, ficarão suspensos para a partida dos 16 avos de final, marcada para o próximo dia 1º de julho.
Pensando nisso, Pochettino deixou claro que não pretende correr riscos desnecessários.
Afinal, perder jogadores importantes por suspensão em uma partida que não altera a classificação seria um prejuízo considerável.
Dessa forma, a escalação americana deve apresentar algumas mudanças em relação aos dois primeiros compromissos.
Torcida vive momento raro de empolgação
Talvez o aspecto mais interessante desta campanha dos Estados Unidos na Copa do Mundo seja a conexão criada entre seleção e torcida.
Historicamente, a equipe masculina sempre enfrentou questionamentos sobre seu potencial competitivo no futebol internacional. Desta vez, porém, o cenário parece diferente.
As boas atuações, o fato de jogar em casa e o novo formato da Copa do Mundo criaram uma atmosfera de entusiasmo pouco vista anteriormente.
Pochettino admitiu que a diferença no apoio popular antes e depois do início do torneio é enorme.
Os estádios têm recebido grandes públicos e a identificação entre jogadores e torcedores cresce a cada partida.
Naturalmente, isso também aumenta as expectativas.
Com o chaveamento começando a ganhar forma e a possibilidade de enfrentar a Bósnia e Herzegovina nos 16 avos de final aparecendo no horizonte, muitos torcedores já começaram a sonhar com uma campanha histórica.
Sonho americano continua crescendo
Os Estados Unidos venceram apenas um jogo de mata-mata em toda a história da Copa do Mundo. O feito aconteceu há 24 anos, o que mostra o tamanho do desafio que ainda está pela frente. Mas, neste momento, ninguém parece interessado em olhar para estatísticas antigas.
O discurso dentro do elenco é focado em continuar vencendo, independentemente do adversário.
Por isso, mesmo já classificados, os americanos entram em campo contra a Turquia com a mesma mentalidade apresentada desde a estreia.
Porque, em uma Copa do Mundo, confiança é algo difícil de construir. E quando ela finalmente aparece, ninguém quer ser responsável por estourar o balão.
Foto: Patrick T. Fallon/AFP/Getty Images