A Copa do Mundo ainda nem terminou, mas a próxima temporada da Premier League já começa a ser afetada pelo torneio. Enquanto os clubes ingleses iniciaram os trabalhos de pré-temporada, muitos jogadores importantes continuam em atividade nos Estados Unidos, acumulando minutos em jogos decisivos e convivendo com uma exigência física cada vez maior.
O problema se torna ainda mais evidente devido ao curto intervalo entre as duas competições. A final do Mundial será disputada no domingo, restando apenas 33 dias até o início do Campeonato Inglês. Neste cenário, Manchester City e Arsenal aparecem como os clubes mais prejudicados pela Copa do Mundo, enquanto lesões e desgaste físico aumentam as dúvidas sobre como os grandes times chegarão às primeiras rodadas da nova temporada.
Manchester City e Arsenal carregam o maior peso da Copa do Mundo
O Manchester City é o clube da Premier League que mais acumulou minutos na Copa do Mundo. Somados, os jogadores do elenco chegaram a 5.027 minutos no torneio, um número que ajuda a explicar o tamanho da preocupação de Enzo Maresca antes mesmo do início oficial de seu trabalho na nova temporada.
Rodri, sozinho, atuou durante 537 minutos. O meio-campista voltou a enfrentar uma carga muito alta em mais uma competição de seleções, algo que ganha ainda mais importância devido ao seu histórico recente e às próprias declarações feitas pelo espanhol sobre o excesso de jogos no futebol. Em 2024, Rodri afirmou que os jogadores estavam próximos de uma greve por causa da quantidade de partidas. Desde então, o calendário não ficou mais leve. Pelo contrário, o atleta participou da Eurocopa, da Copa do Mundo de Clubes e agora da Copa do Mundo em três verões consecutivos.
Outros jogadores do City também aparecem entre os atletas com mais tempo em campo. Marc Guehi disputou 483 minutos, enquanto Nico O’Reilly chegou a 454. Elliot Anderson, que está trocando o Nottingham Forest pelo clube de Manchester, soma mais 533 minutos pela seleção inglesa.
Desta forma, o City não terá apenas jogadores cansados, mas também encontrará dificuldades para organizar a preparação completa do elenco. Alguns nomes voltarão ao clube em momentos diferentes, dependendo de quando suas seleções encerrarem suas participações.
O Arsenal vive uma situação parecida. Os jogadores dos Gunners acumularam 4.285 minutos, deixando o clube com a segunda maior carga entre os times da Premier League. William Saliba disputou 450 minutos pela França, enquanto Declan Rice chegou a 386 com a Inglaterra. Enquanto isso, Noni Madueke, Bukayo Saka, Mikel Merino e Eberechi Eze também tiveram participação importante no torneio. Somando os compromissos por clubes e seleções, sete jogadores do Arsenal podem alcançar até 65 partidas na temporada, considerando a disponibilidade de cada atleta.
O número é preocupante porque não se trata apenas de cansaço provocado pela Copa do Mundo. Muitos desses jogadores já chegaram ao torneio após uma temporada longa, com 57 partidas possíveis pelo clube, antes de disputarem até oito jogos pelo Mundial.
Declan Rice, por exemplo, enfrentou problemas físicos e uma doença durante a competição. Mesmo assim, continuou atuando pela Inglaterra e foi substituído no intervalo da vitória contra a Noruega.
Ao mesmo tempo, Saliba também convive com dores nas costas e admitiu antes do jogo contra o Iraque que vinha lidando com pequenos incômodos. O francês decidiu seguir em campo devido à importância da Copa do Mundo, disputada apenas uma vez a cada quatro anos. A escolha é compreensível, porém aumenta a preocupação do Arsenal para a sequência. Um jogador pode suportar dores durante um torneio curto, mas o impacto costuma aparecer depois, principalmente quando não há tempo suficiente para descanso e recuperação.
Liverpool, Aston Villa e Manchester United também ultrapassaram 2.500 minutos disputados por seus jogadores na Copa do Mundo. Enquanto isso, clubes como o Brentford aparecem entre os menos afetados, com pouco mais de 600 minutos.
Porém, mesmo equipes com menor participação não escaparam dos problemas. Jordan Henderson, do Brentford, quebrou o braço durante a comemoração da vitória da Inglaterra contra o México. Apesar da lesão, o meio-campista permaneceu com o elenco comandado por Thomas Tuchel.
Entre todos os jogadores da Premier League, Emiliano Martínez e Jordan Pickford lideram em minutos, com 600 e 570, respectivamente. É verdade que goleiros enfrentam uma exigência física diferente dos jogadores de linha, mas o tempo de concentração, viagens, treinamentos e recuperação também faz parte da carga acumulada durante a competição.
Lesões aumentam preocupação para o início da Premier League
Se o desgaste já seria suficiente para preocupar os clubes ingleses, a Copa do Mundo também deixou uma lista crescente de jogadores lesionados. O caso mais grave foi o de Amadou Onana, que rompeu o ligamento cruzado anterior durante a vitória da Bélgica por 4 a 1 sobre os Estados Unidos.
A lesão representa um grande problema para o Aston Villa. Além de perder um jogador importante durante o torneio, o clube terá que lidar com uma ausência longa justamente quando inicia a preparação para mais uma temporada exigente.
Manuel Ugarte também teve sua participação encerrada mais cedo. O meio-campista do Manchester United sofreu um problema no joelho durante a fase de grupos com o Uruguai, deixando o torneio antes do momento decisivo.
Já Andy Robertson precisou ser substituído no confronto contra o Brasil com suspeita de uma lesão no tornozelo direito. O jogador foi visto com gelo na região, e a eliminação da Escócia evitou que ele perdesse outros jogos pela seleção. No entanto, a situação ainda precisa ser avaliada. Neste cenário, é importante lembrar que Robertson deixou o Liverpool e se transferiu para o Tottenham, o que significa que seu novo clube pode receber o lateral ainda sem saber exatamente quanto tempo será necessário para a recuperação.
Reece James também atravessou a competição administrando um problema muscular. O lateral atuou pela Inglaterra contra a Noruega, mas teve sua utilização controlada durante a Copa do Mundo para evitar um agravamento da lesão na coxa.
Esses casos reforçam um problema que já havia sido apontado por Mikel Arteta e Enzo Maresca. Os dois treinadores alertaram anteriormente que o calendário atual não parece sustentável. Quando ainda comandava o Chelsea, Maresca afirmou que a indústria do futebol não protegia os jogadores.
Arteta adotou um discurso parecido após Kai Havertz se lesionar, em fevereiro de 2025. Na ocasião, o treinador destacou que alguns atletas machucados haviam disputado 130 partidas nas duas temporadas anteriores, apontando que o acúmulo constante aumentava o risco de novos problemas físicos.
Agora, o Arsenal enfrenta novamente essa realidade. O clube terá jogadores retornando da Copa do Mundo após uma temporada longa, alguns deles convivendo com dores e praticamente sem tempo para realizar uma pré-temporada completa.
De acordo com as regras da FIFA, os atletas que participaram da Copa do Mundo têm direito a pelo menos três semanas de descanso. Desta forma, quem disputar a final no próximo domingo só poderá voltar ao clube a partir de 10 de agosto. O intervalo deixará menos de duas semanas até o início da Premier League. Na prática, alguns jogadores retornarão sem passar por todas as etapas de preparação realizadas pelo restante do elenco, enquanto os treinadores terão que escolher entre acelerar a adaptação ou controlar os minutos nas primeiras partidas.
Manchester City e Arsenal aparecem como os clubes mais expostos, mas o impacto pode atingir toda a Premier League. O campeonato terá cinco rodadas antes de uma pausa internacional prolongada, marcada para 21 de setembro.
Sendo assim, o começo da temporada terá pouco espaço para recuperação. Os clubes precisarão somar pontos desde as primeiras semanas, porém muitos dos principais jogadores ainda estarão retomando ritmo, recuperando a condição física ou administrando problemas sofridos durante a Copa do Mundo.
A verdade é que a disputa pelo título da Premier League pode ser afetada desde as primeiras rodadas. E neste cenário, mais uma vez, os clubes com os elencos mais fortes serão aqueles que precisarão administrar o maior desgaste.
Créditos da foto de capa: Getty Images.



