A fase de 16 avos de final da Copa do Mundo foi marcada por atuações individuais de alto impacto em jogos eliminatórios tensos e decididos nos detalhes. O Paraguai eliminou a Alemanha nos pênaltis com atuação histórica de Orlando Gill, enquanto Espanha, Brasil, Argentina, França e Estados Unidos avançaram sustentados por nomes que brilharam em momentos decisivos.
O grande símbolo dessa rodada foi justamente o caráter dramático das classificações. Em jogos equilibrados e de alto volume ofensivo, como o da Alemanha contra o Paraguai e o da Argentina diante de Cabo Verde, o fator individual pesou tanto quanto o coletivo. Goleiros decisivos, defesas sólidas e meias em grande fase definiram o destino de seleções tradicionais e emergentes, consolidando uma etapa do torneio em que o nível de competitividade aumentou significativamente em relação à fase de grupos.
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Confira a seleção dos 16 avos de final da Copa do Mundo:
Goleiro – Orlando Gill (Paraguai)
Orlando Gill foi um dos grandes protagonistas da surpreendente classificação do Paraguai sobre a Alemanha, em uma atuação que combinou segurança durante os 120 minutos e protagonismo absoluto na disputa por pênaltis. O goleiro terminou a partida com seis defesas, sendo quatro em finalizações, e, na decisão por pênaltis, defendeu as cobranças de Kai Havertz e Nick Woltemade, sendo eleito o melhor jogador da partida.
Ao longo do confronto, Gill foi constantemente exigido por uma Alemanha que terminou com cerca de 76% de posse de bola, 21 finalizações e 16 escanteios. Mesmo sob enorme pressão territorial, o goleiro demonstrou excelente posicionamento, controle da área e frieza para lidar com cruzamentos e bolas paradas. Também esteve no centro do lance mais polêmico da partida: o gol de Jonathan Tah, na prorrogação, foi anulado após revisão do VAR por uma falta sobre o próprio Gill na pequena área, decisão que gerou fortes reclamações dos alemães.
A atuação coroou um momento especial na carreira do goleiro de 26 anos, que disputa sua primeira Copa do Mundo como titular do Paraguai. Após a classificação, Gill definiu o triunfo sobre os tetracampeões mundiais como “o momento mais importante” de sua trajetória profissional.
Lateral direito – Pedro Porro (Espanha)
Pedro Porro foi um dos grandes destaques da vitória da Espanha por 3 a 0 sobre a Áustria. Escalado como titular por Luis de la Fuente, o lateral-direito combinou segurança defensiva com participação constante no ataque, coroando sua atuação com o segundo gol da equipe espanhola. O lance aconteceu aos 66 minutos, quando apareceu como elemento surpresa na área para completar de cabeça um cruzamento de Álex Baena, marcando seu primeiro gol pela seleção principal. A atuação reforçou a confiança do treinador em Porro após a mudança promovida na escalação para o mata-mata.
Além do gol, Porro foi uma das principais válvulas ofensivas da Espanha pelo lado direito. Suas constantes ultrapassagens deram profundidade ao setor e criaram uma parceria eficiente com Lamine Yamal, abrindo espaços para a circulação de bola e dificultando a marcação austríaca. O desempenho coletivo refletiu diretamente a influência do lateral, que soube equilibrar suas responsabilidades defensivas e ofensivas durante os 90 minutos.
Sua exibição também consolidou a disputa pela lateral direita da Espanha, fortalecendo sua posição como titular justamente na fase decisiva do Mundial. Com a classificação garantida e a primeira vitória espanhola em mata-matas de Copa desde 2010, Porro chega às quartas de final em alta, consolidando-se como uma das armas mais importantes da equipe de Luis de la Fuente.
Zagueiro – Gabriel Magalhães (Brasil)
Gabriel Magalhães foi um dos principais nomes da vitória brasileira por 2 a 1 sobre o Japão, mas sua atuação foi muito além da assistência para o gol de Casemiro. Diante de um adversário que recuou as linhas e fechou os espaços por dentro, o zagueiro assumiu papel de organizador da saída de bola, sendo constantemente acionado para iniciar as jogadas. O camisa 3 terminou a partida com 130 passes certos em 135 tentativas, estabelecendo o recorde da Seleção Brasileira em uma única partida de Copa do Mundo e igualando a marca histórica de Dunga na final de 1994, com a diferença de que Gabriel atingiu esse número em apenas 90 minutos, enquanto o ex-volante precisou da prorrogação.
Além do volume impressionante de passes, Gabriel foi decisivo no momento em que o Brasil mais precisava. Aos 56 minutos, levantou a cabeça e encontrou um cruzamento preciso para Casemiro aparecer nas costas da defesa japonesa e empatar o confronto. A assistência coroou uma atuação marcada pela qualidade na distribuição de jogo e pela tranquilidade para acelerar a circulação da bola contra uma defesa extremamente compacta. O defensor deixou de atuar apenas como zagueiro para funcionar também como armador em diversos momentos da partida, característica que já vinha demonstrando no Arsenal e que se repetiu na Seleção.
Gabriel participou diretamente da construção ofensiva durante praticamente todo o jogo e foi peça fundamental para que o Brasil mantivesse pressão constante até a virada nos acréscimos.
Zagueiro – Lisandro Martínez (Argentina)
Lisandro Martínez foi um dos principais destaques da Argentina na dramática vitória por 3 a 2 sobre Cabo Verde. Além de marcar o gol que recolocou a equipe em vantagem logo no primeiro minuto da prorrogação, o zagueiro participou diretamente da construção ofensiva ao dar a assistência para o primeiro gol de Lionel Messi com um lançamento preciso em profundidade. A atuação ofensiva coroou uma partida de enorme influência com bola, em que o defensor do Manchester United foi um dos principais responsáveis por acelerar a saída argentina desde a defesa.
Os números ajudam a explicar o tamanho de sua atuação. Lisandro terminou o confronto com 98% de aproveitamento nos passes, 21 passes no terço final, 74 conduções de bola, seis cortes defensivos e quatro recuperações de posse, demonstrando segurança tanto na construção quanto na proteção da área. Sua capacidade de romper linhas com passes e conduções foi determinante para que a Argentina mantivesse o controle territorial durante boa parte da partida, mesmo diante da forte resistência de Cabo Verde.
Em uma noite marcada pelo brilho do goleiro Vozinha e pela surpreendente competitividade de Cabo Verde, o zagueiro acabou sendo um dos jogadores mais influentes em campo, reunindo liderança defensiva, qualidade na saída de bola e participação direta em dois dos três gols argentinos na classificação para as oitavas de final.
Lateral esquerdo – Sidny Lopes Cabral (Cabo Verde)
Sidny Lopes Cabral foi um dos grandes personagens dessa fase da Copa do Mundo, protagonizando uma atuação que consolidou seu nome entre as revelações do torneio. Atuando pelo lado esquerdo de Cabo Verde, o jogador mostrou personalidade diante da atual campeã mundial, participando ativamente das ações ofensivas e demonstrando coragem para enfrentar a defesa argentina. O ponto alto veio aos 103 minutos, quando marcou um golaço de fora da área para empatar a partida em 2 a 2 durante a prorrogação, em um lance que rapidamente passou a ser apontado por torcedores e veículos internacionais como um dos mais bonitos desta edição da Copa do Mundo.
Além do gol, Cabral teve uma atuação extremamente completa. Ele voltou a mostrar a versatilidade que marcou sua trajetória recente, aparecendo constantemente como opção ofensiva e oferecendo profundidade pelo corredor esquerdo. Sua capacidade de atacar os espaços e participar da construção das jogadas foi fundamental para que Cabo Verde conseguisse levar a Argentina ao limite durante 120 minutos. O camisa 5 terminou a partida como um dos destaques técnicos da equipe africana, coroando uma campanha histórica que levou a seleção estreante ao mata-mata e fez frente aos atuais campeões do mundo.
Aos 23 anos, o lateral saiu da partida não apenas como autor de um dos gols mais marcantes da competição, mas também como um dos atletas que mais valorizou seu mercado durante a Copa, confirmando o enorme potencial que já vinha demonstrando em sua ascensão no futebol europeu.
Volante – Bruno Guimarães (Brasil)
Bruno Guimarães foi novamente um dos principais nomes da Seleção Brasileira, desta vez assumindo o papel de organizador da equipe em um jogo de enorme exigência tática. O camisa 8 foi responsável pela assistência para o gol decisivo de Gabriel Martinelli nos acréscimos e terminou a partida como líder de assistências da Copa do Mundo, com quatro passes para gol. Além do lance decisivo, criou quatro oportunidades de finalização, a maior marca entre todos os jogadores em campo, e foi o principal articulador das ações ofensivas brasileiras diante da linha defensiva montada pelos japoneses.
A atuação de Bruno, porém, foi muito além da construção ofensiva. O meio-campista percorreu 12,1 quilômetros, sendo o jogador que mais correu na partida, além de registrar 99 movimentações para oferecer linha de passe aos companheiros. Também contribuiu defensivamente com dois desarmes, uma interceptação, um bloqueio e um duelo aéreo vencido, dividindo com Casemiro o posto de líder em desarmes da Seleção. Sua capacidade de atuar nas duas fases do jogo permitiu ao Brasil manter pressão constante durante o segundo tempo e aumentar o volume ofensivo até encontrar a virada nos minutos finais.
Os bons noúmeros não param por aí. Além da assistência, ele acertou 45 dos 49 passes tentados (92% de aproveitamento), distribuiu quatro cruzamentos e finalizou quatro vezes. Em um Brasil que precisou encontrar soluções diante da sólida defesa japonesa, Bruno voltou a demonstrar que se tornou o principal organizador da equipe de Carlo Ancelotti e um dos meio-campistas mais influentes de toda a competição.
Meia – Malik TIllman (Estados Unidos)
Malik Tillman foi o grande nome da classificação dos Estados Unidos para as oitavas de final da Copa do Mundo ao comandar a vitória por 2 a 0 sobre a Bósnia e Herzegovina. Em um jogo que ganhou contornos dramáticos após a expulsão de Folarin Balogun, o meio-campista assumiu o protagonismo técnico da equipe de Mauricio Pochettino. Além de controlar o ritmo do meio-campo durante praticamente toda a partida, Tillman marcou o segundo gol em uma cobrança de falta de extrema qualidade aos 82 minutos, garantindo a tranquilidade para os norte-americanos em um momento de forte pressão adversária.
Os números ajudam a explicar sua influência no confronto. Tillman terminou a partida com um gol, um passe decisivo, dois desarmes certos em três tentativas e venceu sete dos onze duelos pelo chão, participando ativamente tanto da construção ofensiva quanto da recuperação da posse de bola. Durante boa parte do segundo tempo, quando os Estados Unidos atuaram com um jogador a menos, o camisa 17 percorreu praticamente todos os setores do campo para oferecer linhas de passe, aliviar a pressão e manter a equipe organizada. Seu desempenho defensivo foi tão importante quanto sua contribuição ofensiva, permitindo que a seleção norte-americana controlasse os espaços mesmo em inferioridade numérica.
A atuação consolidou Tillman como um dos principais destaques individuais desta Copa do Mundo. O meia já vinha sendo peça fundamental na campanha americana, liderando a equipe em recuperações de bola e figurando entre os jogadores com maior número de chances criadas no torneio. Contra a Bósnia, reuniu essas características em uma exibição completa, sendo eleito o melhor jogador da partida por diversos veículos internacionais.
Meia – Michael Olise (França)
Michael Olise foi um dos grandes nomes da classificação da França sobre a Suécia. Atuando com liberdade para circular entre o lado direito e as zonas centrais, o meia-atacante comandou praticamente todas as ações ofensivas dos franceses. Ele distribuiu duas assistências, criou diversas oportunidades e foi constantemente apontado como o principal articulador da equipe ao lado do camisa 10 francês.
Ele ainda acertou a trave com uma bicicleta espetacular no primeiro tempo, obrigou o goleiro sueco a realizar importantes intervenções e terminou o confronto com duas assistências, participação direta em dois dos três gols franceses e influência constante na circulação ofensiva da equipe de Didier Deschamps.
O desempenho reforçou o excelente momento vivido por Olise na Copa do Mundo. Com cinco assistências no torneio, ele se consolidou como um dos principais garçons da competição e passou a aparecer com força nas discussões sobre o prêmio de melhor jogador do Mundial e até na corrida pela Bola de Ouro. A parceria construída com Kylian Mbappé transformou-se em uma das principais armas ofensivas da França, e a atuação diante da Suécia mostrou isso.
Atacante – Kylian Mbappé (França)
Kylian Mbappé voltou a ser o protagonista da França na vitória por 3 a 0 sobre a Suécia, pelas oitavas de final da Copa do Mundo. O camisa 10 marcou dois gols, abriu o placar ainda no fim do primeiro tempo e fechou a vitória aos 29 minutos da etapa final, conduzindo os franceses a mais uma atuação dominante. Além dos gols, Mbappé acertou uma bola na trave, teve outro gol anulado por impedimento e foi eleito o melhor jogador da partida.