Com o fim da segunda rodada da Copa do Mundo, muito se fala sobre as grandes atuações das grandes estrelas, como Lionel Messi, Cristiano Ronaldo e outros. No entanto, não apenas de estrelas se vive uma Copa, e vários jogadores se destacaram sem serem grandes nomes do futebol mundial.
Desde atuações históricas e recordes batidos por Eloy Room e Lionel Messi até jogos de controle completo de suas seleções, a seleção da segunda rodada da Copa feita pela Playmaker Brasil engloba o que de melhor aconteceu nos jogos que praticamente definiram boa parte dos classificados para o mata-mata.
Confira a seleção da segunda rodada da Copa do Mundo
Eloy Room (Curaçao)
Eloy Room foi o grande responsável por um dos resultados mais surpreendentes da segunda rodada da Copa do Mundo de 2026. O goleiro de Curaçao protagonizou uma atuação histórica no empate por 0 a 0 diante do Equador, em Kansas City, e garantiu o primeiro ponto da história da seleção caribenha em Mundiais. Aos 37 anos, o veterano viveu uma noite praticamente perfeita, sendo constantemente exigido por uma equipe equatoriana que dominou as ações ofensivas e criou oportunidades durante os 90 minutos.
Os números ajudam a dimensionar o tamanho da exibição. Room realizou 15 defesas, estabelecendo o recorde de mais defesas em uma partida de Copa do Mundo sem prorrogação desde o início dos registros, em 1966. O Equador parou repetidamente nas mãos do camisa 1. O goleiro venceu duelos importantes contra Enner Valencia, Gonzalo Plata e companhia, além de terminar a partida sem sofrer gols, algo ainda mais impressionante diante da pressão exercida pelos sul-americanos.
O roteiro da partida transformou Room em herói nacional. Depois da goleada por 7 a 1 sofrida para a Alemanha na estreia, Curaçao entrou em campo como franco-atirador e passou boa parte do confronto se defendendo. Mesmo assim, o goleiro mostrou posicionamento impecável, reflexos rápidos e enorme concentração para resistir ao bombardeio equatoriano. Ao apito final, foi cercado pelos companheiros e celebrado como o principal responsável por manter vivo o sonho de classificação da pequena nação caribenha. Uma atuação que já entrou para a história das Copas do Mundo e que certamente ficará entre as grandes exibições individuais já vistas no torneio.
Daniel Muñoz (Colômbia)
Daniel Muñoz voltou a ser decisivo para a Colômbia. Na vitória por 1 a 0 sobre a RD Congo, em Guadalajara, o lateral-direito marcou o gol que garantiu a classificação antecipada dos colombianos para o mata-mata e confirmou o excelente momento vivido pelo jogador do Crystal Palace. Em um duelo complicado, marcado pela atuação inspirada do goleiro Lionel Mpasi, Muñoz apareceu aos 31 minutos do segundo tempo para finalmente quebrar a resistência africana, em uma finalização que ainda contou com desvio antes de entrar. O camisa 21 foi eleito o melhor jogador da partida.
Mais do que o gol, Muñoz foi uma das principais armas ofensivas da equipe de Néstor Lorenzo durante os 90 minutos. Logo no início do jogo, quase abriu o placar após aproveitar um rebote dentro da área, acertando a trave. A Colômbia dominou amplamente a partida, terminou com 64% de posse de bola, 20 finalizações e nove chutes no alvo, mas esbarrou repetidamente nas defesas de Mpasi e em três gols anulados. Pela direita, Muñoz foi uma presença constante, oferecendo profundidade e intensidade tanto nas ultrapassagens quanto nas combinações com Jhon Arias e James Rodríguez, mantendo a pressão colombiana até que a recompensa finalmente chegasse.
O desempenho reforçou a condição de Muñoz como um dos grandes destaques da fase de grupos. O lateral chegou ao seu segundo gol no torneio e segue sendo uma peça fundamental no sistema de Lorenzo, que utiliza seus avanços para criar superioridade pelos lados do campo. Além da participação ofensiva, o defensor contribuiu para limitar os contra-ataques da RD Congo, que produziu apenas um chute na direção do gol e terminou com 0,39 de xG. Com duas vitórias em dois jogos e a vaga no mata-mata assegurada, a Colômbia chega à última rodada contra Portugal em excelente situação, muito graças ao impacto constante de Daniel Muñoz nos dois lados do campo.
Edson Álvarez (México)
Edson Álvarez foi um dos pilares da vitória do México por 1 a 0 sobre a Coreia do Sul. Recuado para a zaga por Javier Aguirre devido à suspensão de César Montes, o capitão mexicano teve uma atuação de enorme disciplina tática e liderou uma defesa que suportou a pressão sul-coreana, garantindo a classificação antecipada do El Tri para o mata-mata. Logo aos 16 minutos, protagonizou um dos lances mais importantes da partida ao realizar uma espetacular bicicleta em cima da linha para evitar o gol de Son Heung-min, em uma jogada posteriormente anulada por impedimento, mas que simbolizou a entrega do camisa 4.
Os números ajudam a explicar a importância de Álvarez. Ele completou 71 dos 78 passes que tentou, registrando mais de 90% de aproveitamento, além de vencer seis de sete duelos defensivos, ter seis cortes e dois desarmes em um jogo em que a Coreia do Sul terminou com 58% de posse de bola. O México precisou se defender durante boa parte do segundo tempo, cenário em que a liderança e o posicionamento do capitão se tornaram fundamentais. Os asiáticos produziram menos de 0,20 xG até os minutos finais, reflexo direto da organização defensiva mexicana.
Mais do que os números, Álvarez foi a personificação da proposta de Javier Aguirre: um México pragmático, sólido e confortável sem a bola. Enquanto Luis Romo marcou o gol da vitória, foi o capitão quem deu segurança ao sistema defensivo nos momentos mais delicados, neutralizando a criatividade de Kang-In Lee e controlando as movimentações de Son Heung-min. A atuação reforçou a imagem de um jogador capaz de desempenhar múltiplas funções e consolidou Edson Álvarez como um dos principais líderes do México nesta Copa do Mundo, em uma equipe que faz da organização defensiva sua principal arma.
Alexander Freeman (Estados Unidos)
Alexander Freeman foi um dos grandes destaques da vitória dos Estados Unidos por 2 a 0 sobre a Austrália, resultado que garantiu a classificação antecipada da equipe de Mauricio Pochettino para a fase de mata-mata da Copa do Mundo de 2026. Atuando pelo lado direito da linha defensiva, o jovem defensor teve influência direta no resultado ao marcar, de cabeça, o segundo gol americano aos 44 minutos do primeiro tempo, em lance confirmado pelo VAR. Mais do que o gol, Freeman foi constantemente acionado na construção das jogadas e ajudou os anfitriões a manterem o controle da partida durante praticamente toda a primeira etapa.
Além da participação ofensiva, o defensor chamou atenção pelo desempenho sem a bola. Freeman acumulou 11 ações defensivas, contribuindo para neutralizar as tentativas de reação da Austrália e recebendo uma das maiores notas entre os jogadores em campo. Sua leitura dos espaços e a capacidade de aparecer tanto na cobertura defensiva quanto no apoio ao ataque foram fundamentais para a superioridade americana. O gol marcado em Seattle foi o primeiro de sua carreira em Copas do Mundo e simbolizou uma atuação que consolidou ainda mais sua crescente importância na seleção dos Estados Unidos.
O desempenho contra os australianos reforçou uma tendência observada desde a estreia do torneio. Freeman lidera os Estados Unidos em passes que quebram linhas de marcação, com 40 passes desse tipo completados em 46 tentativas nas duas primeiras partidas do Mundial. A combinação entre qualidade técnica, segurança defensiva e capacidade de participar da construção ofensiva transformou o jogador em uma das revelações da competição até aqui. Aos olhos de Pochettino, Freeman não é apenas uma promessa para o futuro, mas já uma peça fundamental de uma seleção americana que começa a sonhar alto jogando em casa.
Nuno Mendes (Portugal)
Nuno Mendes foi um dos grandes destaques da vitória de Portugal por 5 a 0 sobre o Uzbequistão, em uma atuação que combinou impacto ofensivo imediato e controle defensivo constante pelo lado esquerdo. Logo aos 16 minutos, o lateral abriu o placar em cobrança de falta precisa, confirmando seu papel cada vez mais ativo nas bolas paradas da seleção portuguesa. Além do gol, Mendes também participou de sequências importantes na construção ofensiva, oferecendo amplitude e profundidade ao jogo de Portugal contra um adversário que tentou se fechar em bloco baixo.
No aspecto defensivo, o jogador manteve o mesmo nível de influência. Durante o primeiro tempo, quando o Uzbequistão ainda buscava transições rápidas, Mendes apareceu em cortes decisivos e interceptações em momentos de perigo, inclusive impedindo uma das melhores chegadas adversárias em infiltração pela esquerda. O próprio ritmo da partida evidenciou sua consistência: mesmo com Portugal dominante na posse, ele seguiu atento às coberturas e ao controle dos espaços nas costas da defesa, algo que ajudou a neutralizar qualquer tentativa de reação do time asiático.
Os números reforçam a atuação completa do lateral. Além do gol, Mendes registrou alto volume de ações com bola, participando ativamente da circulação ofensiva de Portugal, com múltiplos passes progressivos e presença constante no último terço do campo. Sua performance foi impressionante pela capacidade de sustentar intensidade ofensiva e solidez defensiva ao longo dos 90 minutos.
Felix Nmecha (Alemanha)
Felix Nmecha foi um dos destaques da vitória da Alemanha por 2 a 1 sobre a Costa do Marfim. Atuando como volante em um meio-campo que teve dificuldades para controlar as transições marfinenses durante boa parte do jogo, o jogador do Borussia Dortmund se destacou pela presença física, pela capacidade de recuperar bolas e pela qualidade na circulação de posse. Em uma partida em que a Alemanha teve 62% de posse, 13 finalizações e precisou buscar a virada nos minutos finais, Nmecha foi um dos poucos atletas a manter regularidade do início ao fim.
Além do trabalho defensivo, Nmecha apareceu de forma decisiva no momento mais importante da partida. Já nos acréscimos, foi dele o passe que encontrou Deniz Undav dentro da área para o gol da vitória alemã. O lance coroou uma atuação que já vinha sendo elogiada pela imprensa especializada, que apontou o volante como o jogador mais influente da Alemanha ao lado do próprio Undav. Enquanto os nomes mais criativos do ataque encontravam dificuldades para furar a marcação da Costa do Marfim, Nmecha ofereceu equilíbrio, intensidade e ainda contribuiu diretamente para a construção do resultado.
O desempenho também reforçou a importância crescente de Nmecha dentro do sistema de Julian Nagelsmann. Escalado como titular ao lado de Aleksandar Pavlovic, ele foi responsável por sustentar o meio-campo em uma partida de alta exigência física e mostrou maturidade para acelerar ou desacelerar o jogo conforme a necessidade. Em um duelo no qual a Alemanha sofreu para transformar domínio territorial em chances claras, sua assistência para o gol decisivo acabou simbolizando exatamente o que foi sua atuação: discreta em comparação aos atacantes, mas fundamental para que os alemães garantissem a classificação antecipada ao mata-mata da Copa do Mundo.
Bruno Fernandes (Portugal)
Bruno Fernandes foi um dos grandes destaques da vitória de Portugal. O meia comandou o setor criativo da equipe de Roberto Martínez e mostrou por que continua sendo o principal organizador do jogo português. Ele terminou a partida com uma assistência, três chances criadas, duas delas consideradas grandes oportunidades, além de nove passes para o terço final do campo, números que reforçam sua influência na construção ofensiva da equipe.
Mais do que os números, Bruno foi o jogador que deu ritmo ao ataque português. Depois da atuação apagada da seleção no empate contra a República Democrática do Congo na estreia, Portugal precisava de alguém que acelerasse a circulação da bola e encontrasse espaços entre as linhas defensivas adversárias. Foi exatamente isso que o camisa 8 fez. Com 94 toques na bola, 85% de aproveitamento nos passes e seis cruzamentos tentados, ele esteve constantemente envolvido nas principais ações ofensivas. Sua assistência surgiu justamente quando encontrou espaço entre os volantes uzbeques e serviu um companheiro em condição favorável para finalizar.
A atuação também serviu como resposta às críticas recebidas após a primeira rodada. Contra o Uzbequistão, Bruno voltou a ser o cérebro da seleção portuguesa, conectando o meio-campo formado por Vitinha e João Neves ao ataque liderado por Cristiano Ronaldo. A facilidade com que ele encontrou passes longos e inversões de jogo para quebrar a marcação adversária, além da capacidade de controlar o ritmo da partida. Em uma seleção que busca equilíbrio entre juventude e experiência, Bruno mostrou mais uma vez que continua sendo a principal referência técnica e criativa de Portugal na caminhada rumo ao mata-mata.
Michael Olise (França)
Michael Olise foi um dos grandes destaques da vitória da França por 3 a 0 sobre o Iraque, resultado que garantiu a classificação antecipada dos franceses para o mata-mata da Copa do Mundo. Atuando pelo lado direito do ataque, o jogador do Bayern de Munique participou diretamente de dois gols, distribuindo assistências para Kylian Mbappé e Ousmane Dembélé. Com isso, chegou a três assistências em apenas dois jogos no torneio, consolidando-se como um dos principais criadores de jogadas desta edição da Copa.
Além dos números, Olise foi o responsável por dar ritmo ao setor ofensivo francês. Foi dele o passe para o golaço de Mbappé que abriu o placar ainda aos 14 minutos, em uma combinação rápida na entrada da área. Na segunda etapa, voltou a aparecer ao encontrar Dembélé livre dentro da área com um passe de rara qualidade utilizando a parte externa do pé. O camisa 11 ainda esteve perto de marcar seu próprio gol, acertando o travessão em uma finalização por cobertura após bela jogada construída ao lado de Mbappé.
A atuação reforçou a impressão de que Olise se tornou peça central da seleção francesa. Enquanto Mbappé terminou a noite com os holofotes por causa dos dois gols, o atacante do Bayern foi quem conectou praticamente todas as ações criativas da equipe. Não por acaso, saiu de campo como líder técnico de uma França que já garantiu vaga na próxima fase. Em um elenco repleto de estrelas, Olise vem se firmando como o principal organizador ofensivo dos Bleus e um dos jogadores mais influentes da Copa até aqui.
Lionel Messi (Argentina)
Lionel Messi teve uma atuação decisiva na vitória da Argentina por 2 a 0 sobre a Áustria. O jogo foi marcado por um início tenso: logo nos primeiros minutos, Messi teve a chance de abrir o placar em um pênalti, mas acabou desperdiçando a cobrança. Mesmo assim, a equipe manteve o controle da partida e seguiu pressionando até encontrar o caminho do gol ainda no primeiro tempo.
A resposta de Messi veio em grande estilo. Ele marcou duas vezes, garantindo a vitória argentina e consolidando mais um resultado sólido na fase de grupos. Com esses gols, ele chegou a 18 gols em Copas do Mundo, tornando-se o maior artilheiro da história da competição, ultrapassando Miroslav Klose. Além disso, foi uma partida em que ele finalizou bastante (foram 7 chutes no total), mostrando presença constante no ataque e protagonismo ofensivo.
No contexto da atuação, foi uma exibição típica de Messi em jogos grandes: mesmo com um erro inicial, ele manteve a influência total no ritmo ofensivo da Argentina. Participou da construção das jogadas, buscou espaços entre as linhas e decidiu quando teve oportunidades claras. A Áustria até tentou ser competitiva fisicamente, mas não conseguiu conter a eficiência do argentino nas finalizações. No fim, além dos gols e do recorde histórico, ficou a impressão de mais uma atuação de controle emocional e decisão em momentos importantes da partida.
Cody Gakpo (Holanda)
Cody Gakpo teve uma atuação de grande impacto na goleada da Holanda por 5 a 1 sobre a Suécia, em Houston. O atacante foi decisivo no segundo tempo, quando o jogo já estava controlado pelos holandeses após a forte atuação inicial de Brian Brobbey. Gakpo marcou dois gols na partida, ambos em um intervalo curto após o intervalo, consolidando o domínio da equipe de Ronald Koeman.
Além dos 2 gols, Gakpo também apareceu como peça central na construção ofensiva. Ele teve participação direta em quatro dos cinco gols, reforçando seu protagonismo no ataque holandês. A atuação dele foi marcada por infiltrações pela esquerda, boa finalização dentro da área e leitura de espaços contra a defesa sueca, que sofreu bastante com a velocidade do ataque neerlandês.
Gakpo foi um dos símbolos da superioridade da Holanda no segundo tempo. Enquanto a Suécia até tentou responder com o gol de Anthony Elanga, o controle do jogo permaneceu com os holandeses, que transformaram a vitória em goleada.
Kylian Mbappé (França)
Kylian Mbappé foi decisivo na vitória da França por 3 a 0 sobre o Iraque, em uma partida de domínio francês do início ao fim. O atacante marcou dois gols, comandando o setor ofensivo e sendo o principal nome do jogo, enquanto a equipe de Didier Deschamps controlou a posse e criou as melhores chances durante os 90 minutos.
Em termos de números, Mbappé abriu o placar aos 14 minutos, com um chute forte de perna esquerda, e voltou a marcar na etapa final para fechar sua atuação de grande impacto. Ele terminou a partida com 2 gols, 93,8% de acerto de passes e xG de aproximadamente 0,81, além de participação constante na construção ofensiva da França.
No contexto da partida, Mbappé foi o principal desequilíbrio individual contra a defesa iraquiana. Mesmo enfrentando uma equipe bem postada defensivamente, ele conseguiu encontrar espaços com movimentação inteligente entre linhas e acelerações em transição. Sua atuação consolidou mais uma vez seu papel de protagonista da França no torneio, não apenas pelos gols, mas pela forma como ditou o ritmo ofensivo e manteve a pressão constante sobre o adversário ao longo do jogo.
(Foto: Getty Images)