A classificação da Suíça sobre a Colômbia nas oitavas de final da Copa do Mundo aconteceu nas cobranças de pênalti. Em uma das penalidades, o zagueiro suíço Manuel Akanji foi o encarregado da cobrança e errou. Akanji entrou para a lista de mais um defensor a errar uma penalidade em disputas de pênaltis na Copa do Mundo de 2026.
O zagueiro da Inter se junta aos australianos Lucas Herrington e Harry Souttar, ao alemão Jonathan Tah, ao paraguaio Fabián Balbuena e ao colombiano Davinson Sánchez como os zagueiros que erraram pênaltis em uma disputa de pênaltis na atual edição. Em cinco destas cobranças, a bola passou longe da goleira.

Manuel Akanji não possui um bom aproveitamento em cobranças de pênaltis na carreira. O ex-zagueiro do Manchester City bateu quatro pênaltis em grandes competições de seleção e converteu apenas uma vez. Felizmente para o defensor, o pênalti desperdiçado não fez diferença, porque logo depois Sánchez errou e a Suíça se classificou para a próxima fase.
O retrospecto dos zagueiros em disputas de pênalti nesta Copa do Mundo gera o seguinte questionamento: os defensores são realmente bons o suficiente para converter pênaltis? Na atual edição, os zagueiros possuem o menor aproveitamento de conversão entre todas as posições no torneio, marcando apenas cinco de 11 cobranças (45,4%).
Os zagueiros realmente cobram pior pênalti do que os demais jogadores?
Historicamente, o zagueiro é a posição que menos converte penalidade em disputas de pênaltis em grandes torneios internacionais. Em uma análise do site The Analyst, somando Copa do Mundo e Euro, os defensores converteram 110 de 160 pênaltis, obtendo uma taxa de acerto de 68,8%. De longe é a menor taxa entre todas as posições de uma equipe. Como era esperado, os atacantes lideram este ranking, convertendo mais de três quartos dos pênaltis.
Contudo, o panorama muda quando separam as competições. Na Copa do Mundo, os defensores lideram o grupo de jogadores de linha com o pior desempenho, tendo uma média de conversão de 62%, enquanto os atacantes lideram com 73,2%.
Já no torneio europeu, a história é diferente. Afinal, todas as posições melhoram, com média geral de conversão subindo de 68,6% na Copa do Mundo para 77% na Euro.
No entanto, a principal surpresa é que os zagueiros se destacam como o grupo de jogadores de linha com melhor aproveitamento nas disputas de pênaltis, ainda que a margem seja pequena. Eles convertem as cobranças de pênalti na Euro com uma taxa de 77%, ligeiramente acima dos atacantes (77,8%).
O que explicam esta diferença na taxa de conversão?
Existem diversos fatores que explicam as diferenças entre os números de conversão de pênaltis na Copa do Mundo e na Euro, não apenas entre os zagueiros, mas em todas as posições.
Uma das razões imediatas é que a Copa carrega um nível de pressão único. As disputas de pênaltis na principal competição de futebol do mundo carregam um peso maior, com maior visibilidade e equipes mais fortes. Além disso, o número maior de seleções pode apresentar mais naturalmente uma gama superior de cobradores de pênaltis, diluindo a qualidade geral em comparação com o talento na Euro.
Respostas à parte, fica evidente que, pelos dados, os zagueiros na Copa do Mundo têm mais dificuldades em disputas de pênaltis do que qualquer outra posição. Esta edição segue o mesmo rumo.
Depois dos erros de Sánchez e Akanji na última terça-feira, é necessário observar se as equipes refletirão sobre os cobradores, possivelmente convocando jogadores com perfil mais ofensivo para serem encarregados das cobranças.
Além disso, os goleiros também podem assumir a personalidade. Apenas um goleiro cobrou penalidade nas disputas de pênalti na história das Copas do Mundo e da Euro e converteu a cobrança. O português Ricardo converteu o pênalti decisivo contra a Inglaterra na Euro 2004.
Créditos da foto da capa: David Ramos/Getty Images