Dorival Júnior entende a pressão que está cercando o seu trabalho neste momento, mas isso não deveria interferir diretamente na pontuação do Corinthians no Brasileirão. Por uma decisão 100% técnica, alguns dos principais jogadores do elenco não estiveram em campo na Arena Condá, em um jogo traiçoeiro diante da Chapecoense pela 7ª rodada do campeonato. Pensando no duelo contra o Flamengo para sustentar seu cargo, Dorival acabou vendo o Timão desperdiçar a chance de obter dois pontos que podem ser preciosos na reta final do campeonato, pois o maior impeditivo para alcançar a vitória consistiu na questão técnica.
Corinthians não transformou posse de bola em gols
Mesmo com equipe mista, o Corinthians assumiu o controle territorial desde o início, sustentado por circulação de bola no campo ofensivo e maior presença no meio-campo. A equipe chegou a ter ampla posse e mais presença no ataque, especialmente no primeiro tempo, mas sem traduzir isso em vantagem real no placar.
O desenho ofensivo mostrou um time que priorizava a construção por dentro, com Rodrigo Garro articulando e Yuri Alberto como referência, mas com pouca agressividade entrelinhas. Faltou mobilidade coordenada no último terço: os movimentos eram previsíveis, facilitando a compactação defensiva da Chapecoense. A melhor síntese dessa limitação está nas chances criadas: o Corinthians até finalizou com frequência, mas esbarrou na baixa qualidade das conclusões — incluindo bola no travessão e oportunidades claras desperdiçadas.
Do outro lado, a Chapecoense adotou uma postura reativa clara. Em bloco médio-baixo, a equipe priorizou a proteção da própria área e tentou explorar transições rápidas, especialmente após recuperações no meio. No primeiro tempo, essa estratégia teve pouco efeito ofensivo, mas cumpriu seu principal objetivo, neutralizando o volume do Corinthians. A equipe catarinense fechou bem os espaços centrais e forçou o adversário a jogar por fora ou arriscar de média distância.
Na segunda etapa, porém, a Chapecoense conseguiu ajustar melhor suas saídas, passando a encontrar mais espaços e criando as melhores chances em transições, obrigando o goleiro Hugo Souza a intervenções importantes, o que equilibrou o jogo em termos de perigo real. Ou seja, o jogo ficou mais vertical e menos controlado.
A equipe de Gilmar Dal Pozzo ficou confiante eadiantou ligeiramente suas linhas passando a ameaçar mais, enquanto o Corinthians manteve a posse, mas com mais dificuldade para proteger-se das transições defensivas. Esse contexto gerou um jogo mais disputado, com chances para ambos os lados. A Chape teve volume ofensivo relevante, enquanto o Corinthians seguiu acumulando oportunidades, novamente sem eficiência.
O grande ponto tático do confronto foi a incapacidade das duas equipes em transformar construção em finalização qualificada. A Chape tinha transições promissoras, mas decisões ruins no momento final, enquanto o Corinthians não conseguia transformar sua posse de bola em lances de real perigo.
E agora, Dorival?
Tudo indica que um tropeço significativo do Corinthians no fim de semana culminará no fim da vitoriosa passagem de Dorival Júnior no Timão. Os títulos surpreendentes e fora da imaginação conquistados nos últimos meses (Paulistão, Copa do Brasil, Supercopa) sustentaram o treinador no cargo, mas o desempenho abaixo com um elenco muito bem reforçado parece que está “falando mais alto” neste momento.
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