O Corinthians está buscando uma forma de finalizar a negociação para adquirir 50% dos direitos econômicos de Hugo Souza, com o intuito de garantir a permanência do goleiro por mais anos. Além disso, a diretoria do clube tenta atenuar os efeitos do que considera ser uma ação estratégica do Flamengo, que ocorre às vésperas do segundo e decisivo confronto da semifinal da Copa do Brasil.
O clube alvinegro acredita que a pressão pública exercida pelo Flamengo na negociação tem dois propósitos: amenizar a insatisfação dos torcedores rubro-negros pela perda de um jogador que se destacou por um valor considerado abaixo do esperado e aumentar a pressão emocional sobre o goleiro e a equipe, momentos antes de um jogo que vale uma vaga na final e um prêmio em dinheiro significativo.
Diante disso, a orientação interna é não comentar o assunto publicamente e deixar que a negociação com Hugo Souza seja conduzida por Fabinho Soldado, o executivo de futebol, e Vinicius Cascone, o diretor jurídico. O presidente Augusto Melo está acompanhando o caso, mas não participa das conversas com o clube rival.
No Corinthians, há um entendimento de que o Flamengo não previu o sucesso de Hugo Souza em pouco mais de 20 jogos e quatro meses jogando em São Paulo. Por isso, segundo informações obtidas pelo ge, a direção do clube carioca estaria “jogando para a torcida” e adotando um tom “desnecessário” ao dificultar a negociação da venda do goleiro, uma vez que não pode alterar os valores previamente acordados em contrato.
No total, o Corinthians deverá desembolsar R$ 7,3 milhões para adquirir 50% dos direitos econômicos de Hugo Souza. Esse montante inclui R$ 1 milhão pelo empréstimo, R$ 1,5 milhão referentes ao pagamento de três multas por jogos contra o Flamengo durante o período de empréstimo, além de R$ 4,8 milhões que correspondem à porcentagem de seus direitos.
O Flamengo exige que o Corinthians apresente um fiador que garanta o pagamento, que está previsto para ser feito em quatro parcelas ao longo de 2025 e 2026, caso o clube paulista atrase os pagamentos. Essa exigência do clube carioca se deve a um atraso na compra de Matheuzinho, em que o Timão não quitou a terceira de cinco parcelas. A mesma fiadora que foi proposta nesse negócio foi recusada na negociação por Hugo Souza.
Negócio garantido
O Corinthians acredita que não há risco de a negociação por Hugo Souza não ser concretizada. A diretoria está em busca de um novo fiador para apresentar ao Flamengo e assim obter a confirmação necessária para finalizar a venda.
O prazo para que um acordo seja alcançado entre os clubes é até 30 de novembro. A diretoria do Corinthians está confiante de que conseguirá atender a todas as exigências do Flamengo até essa data e cumprirá o que foi estabelecido no contrato de empréstimo, com o primeiro dos quatro pagamentos previsto para janeiro de 2025.
Além disso, já há um acerto com o empresário de Hugo para um contrato de cinco anos, com luvas e comissões sendo pagas ao longo do vínculo. O goleiro deve receber um aumento significativo em seu salário, tornando-se um dos jogadores mais bem remunerados do atual elenco.
Pressão nos bastidores do Corinthians
O Corinthians também acredita que a pressão exercida pelo Flamengo vai além das questões financeiras e dos bastidores. Fontes consultadas pelo ge afirmam que o clube carioca busca desestabilizar tanto Hugo quanto a equipe antes da partida decisiva, que ocorrerá no próximo domingo.
A mudança na data do jogo foi vista como o primeiro movimento do Flamengo para alterar o cenário. O Timão ficou insatisfeito com a troca de datas dos jogos da Copa do Brasil e do Brasileirão, considerando que isso o prejudicou na luta para evitar o rebaixamento, um dos principais objetivos do ano.
Diante da demissão de Tite e da proximidade das eleições presidenciais, o presidente Rodolfo Landim estaria coordenando a estratégia de expor o rival antes do confronto decisivo. Landim e Augusto Melo não se falam desde a definição das datas e dos mandos de campo da semifinal da Copa do Brasil.
Inicialmente, as relações entre as diretorias do Corinthians e do Flamengo eram amigáveis, com a presença do diretor de futebol Marcos Braz na posse de Augusto Melo no começo do ano. No entanto, a relação foi se deteriorando devido ao interesse do Timão em Gabigol e do Flamengo em Maycon, ao atraso no pagamento de Matheuzinho e, mais recentemente, nas negociações envolvendo Hugo Souza e a alteração das datas da semifinal da Copa do Brasil.