O Corinthians segue se escorando na eliminação de seu maior rival na Copa do Brasil para tentar afastar a forte pressão em torno da comissão técnica. Toda a mobilização criada para enfrentar o Palmeiras no torneio nacional acabou fazendo o torcedor esquecer por um tempo da péssima qualidade do trabalho apresentado por Dorival Júnior, um técnico que não consegue fazer seu time render sem as presenças de Yuri Alberto, Memphis Depay ou Rodrigo Garro. No duelo contra o Bahia, o experiente treinador testou novas mudanças no sistema tático e incomodou a equipe de Rogério Ceni, mas o velho roteiro repetido de erros fatais imperdoáveis acabou provocando mais uma derrota no Brasileirão, e o sexto jogo na competição sem vencer na Neo Química Arena, um estádio que deixou de impor medo aos adversários.
Dorival apostou em novidade tática para o ataque contra o Bahia

A torcida chegou a demonstrar maior esperança no primeiro tempo ao ver o Corinthians com mais posse de bola e um bom volume ofensivo, apostando em dois jovens atacantes (Kayke e Gui Negão) para dar maior mobilidade na formação tática. Além disso, Raniele foi escalado fazendo função de zagueiro e não de volante, permitindo que Matheuzinho e Matheus Bidu atuasse como pontas avançados. Desta vez o torcedor não pode acusar Dorival de não ter tentado encontrar soluções e principalmente de ser um “retranqueiro” ao adotar uma estratégia nova e muito ofensiva contra um dos melhores times do futebol brasileiro na atualidade.
Por outro lado, a desconcentração do atual elenco voltou a ficar muito evidente ao ceder gol no primeiro minuto de jogo, quando Michel Araújo aproveitou o espaço cedido na marcação e Hugo Souza acabou mostrando novamente que não é o mesmo goleiro seguro da temporada anterior, voltando a se posicionar mal em chutes de longa distância. O Corinthians tentou demonstrar força e chegou a empatar com gol impedido, mas importante mesmo foi notar como o time de Dorival buscava amplitude ao alargar o campo com dois laterais na linha dos atacantes, chegando com lançamentos longos ou troca de passes.
Depois da epopeia de nove minutos com a análise do VAR no minuto 30, o Corinthians enfim buscou o empate graças ao gol de Gui Negão, mas a desconcentração e a euforia pelo gol após a longa revisão permitiram que o Bahia tivesse concentração necessária e a experiência do trabalho longevo de Rogério Ceni para organizar um lance fatal na sequência, contando com a falha de André Ramalho e um pênalti terrivelmente bizarro concedido por Matheuzinho, marcando o gol da vitória.
Corinthians voltou ao padrão negativo no segundo tempo
Desde o fim do primeiro tempo e durante todo o segundo tempo, o Corinthians cedeu à tentativa desesperada pelo gol da vitória e abriu mão de sua estratégia mais organizada ofensivamente, apostando somente em cruzamentos aleatórios, sendo que apenas sete desses foram no alvo. Vitinho e Talles Magno ainda foram acionados e houve uma oportunidade para o ex-Vasco marcar no 1v1 contra o goleiro, mas as substituições deixaram o Timão completamente desajustado em campo, e a desorganização levou à mais uma derrota, aumentando as preocupações quanto à luta contra o rebaixamento.
Imagem: AGIF