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Corinthians está entrando na primeira crise da “era Diniz”? Confira

A Corinthians talvez ainda não viva um cenário de terra arrasada sob o comando de Fernando Diniz, mas os sinais de alerta começaram a aparecer de maneira mais forte nas últimas semanas. E o principal motivo é justamente a diferença enorme entre o desempenho do time na Libertadores e no Campeonato Brasileiro.

Na competição continental, o Corinthians conseguiu uma classificação antecipada com duas rodadas de antecedência e apresentou atuações convincentes em vários momentos sob o comando de Diniz. O time mostrou controle emocional, intensidade e principalmente uma organização defensiva que parecia ter sido rapidamente reconstruída pelo treinador.

O problema está no Brasileirão.

Enquanto o desempenho continental trouxe tranquilidade, a situação na liga nacional começou a preocupar bastante. O Corinthians ocupa atualmente a 17ª colocação, abrindo a zona de rebaixamento empatado em pontos com Santos e Grêmio. E justamente por isso o momento começa a ganhar cara de primeira crise da passagem de Diniz pelo clube.

Sistema defensivo parecia resolvido, mas voltou a preocupar

Foto: Wanderson Oliveira / Meu Timão

Talvez o aspecto mais positivo do início do trabalho de Fernando Diniz tenha sido justamente o sistema defensivo.

Em um primeiro momento, o treinador surpreendeu muita gente ao deixar o Corinthians mais sólido sem bola. O time chegou a ficar seis partidas consecutivas sem sofrer gols, algo que parecia improvável considerando as oscilações defensivas apresentadas anteriormente na temporada.

Mas os últimos jogos começaram a mudar essa percepção.

O Corinthians sofreu dois gols contra o Mirassol e depois levou três do Botafogo. E existe um detalhe importante conectando essas duas partidas: a presença de André Ramalho como titular.

Contra o Mirassol, o Corinthians não contou com Gustavo Henrique. Já diante do Botafogo, quem ficou fora foi Gabriel Paulista, suspenso. A sensação interna e também entre parte da torcida é que a dupla Gabriel Paulista e Gustavo Henrique transmite muito mais segurança defensiva quando atua junta.

Na vitória contra o São Paulo, por exemplo, o cenário defensivo não foi visto da mesma maneira negativa. Isso porque, apesar dos dois gols sofridos, o São Paulo criou relativamente pouco ofensivamente. Um dos gols surgiu após falha individual de Raniele na saída de bola e o outro foi um gol contra de Matheusinho.

Esse contexto ajuda a explicar por que os últimos jogos passaram a gerar preocupação maior.

Durante a sequência de seis partidas sem sofrer gols, Gabriel Paulista e Gustavo Henrique formaram a dupla titular em cinco oportunidades. Ou seja, o sistema defensivo aparentemente encontrou uma estabilidade específica que começou a se perder justamente nas últimas rodadas.

Brasileirão começa a pressionar antes da parada para a Copa

O confronto contra o Atlético Mineiro agora ganha peso enorme dentro do campeonato.

Jogando em casa, onde o Corinthians ainda demonstra força emocional muito maior, o time chega como favorito. A Neo Química Arena segue funcionando como principal ponto de sustentação do trabalho de Diniz neste início de trajetória.

Mas existe outro jogo que preocupa ainda mais internamente.

Antes da pausa para a Copa do Mundo, o Corinthians enfrentará o Grêmio fora de casa, no dia 30 de maio, em um confronto direto na parte de baixo da tabela. E justamente aí aparece uma das maiores dúvidas do trabalho de Fernando Diniz até aqui: o desempenho como visitante.

O retrospecto fora de casa ainda não transmite confiança.

Sob o comando de Diniz, o Corinthians disputou cinco partidas longe de casa. Foram duas derrotas, dois empates e apenas uma vitória, justamente contra o Barra, pela ida da Copa do Brasil, diante de um adversário da Série C.

Ou seja, o desempenho competitivo do Corinthians fora da Neo Química Arena ainda parece insuficiente para um time que luta contra a zona de rebaixamento.

E isso aumenta ainda mais a importância do duelo contra o Grêmio.

Porque existe um cenário extremamente desconfortável sendo desenhado: o Corinthians corre risco real de entrar na pausa para a Copa do Mundo dentro da zona de rebaixamento caso não consiga reagir rapidamente nas próximas rodadas.

Mercado pode desmontar parte importante do elenco

Foto: Rodrigo Coca/Corinthians

Além da pressão esportiva, outro problema começa a surgir no horizonte de Fernando Diniz: a possibilidade de perdas importantes na janela do meio do ano.

O caso mais pesado envolve Yuri Alberto.

Um dos principais jogadores do elenco afirmou recentemente que pretende buscar “novos desafios” após a Copa do Mundo, indicando que sua permanência no clube parece improvável para o restante da temporada. Isso representa enorme problema para Diniz porque Yuri segue sendo uma das principais referências ofensivas da equipe.

Outro nome importante próximo de sair é Hugo Souza. O Corinthians já aceitou discutir propostas pelo goleiro durante a próxima janela de transferências, abrindo possibilidade para outra perda extremamente relevante.

Além disso, jovens valorizados como Breno Bidon e André também podem receber propostas grandes do futebol europeu.

Isso cria um cenário complicado para a diretoria.

Ao mesmo tempo em que o Corinthians tenta estabilizar o trabalho de Diniz dentro de campo, o clube também precisará trabalhar fortemente o mercado em busca de reposições. Principalmente em setores considerados fundamentais para o estilo de jogo do treinador, como goleiro e ataque.

E justamente por isso a sensação de instabilidade começa a crescer.

Porque o Corinthians talvez ainda não viva uma crise definitiva sob Fernando Diniz. Mas os sinais de desgaste competitivo, pressão na tabela e possíveis perdas importantes do elenco começam a desenhar um cenário perigoso antes mesmo da pausa para a Copa do Mundo.

(Foto de capa: Luis ACOSTA / AFP)

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Kaique