São Paulo e Athletico Paranaense entraram em campo em Bragança Paulista precisando da vitória para seguir firmes na briga pelas primeiras colocações do Campeonato Brasileiro. O Tricolor buscava recuperar os pontos desperdiçados desde a chegada de Roger Machado, sequência que fez a equipe deixar a liderança e até mesmo a zona de classificação para a Libertadores. Já o Furacão iniciou a rodada dentro do G5, com 30 pontos, e enxergava o confronto como uma oportunidade de se aproximar ainda mais da disputa pelas primeiras posições.
São Paulo demonstra evolução com Dorival e sai na frente no primeiro tempo

O São Paulo iniciou a partida impondo seu ritmo e controlando completamente as ações em Bragança Paulista. Com maior posse de bola desde os primeiros minutos, a equipe de Dorival Júnior dificultou a saída de jogo do Athletico Paranaense e passou a ocupar constantemente o campo de ataque. A principal novidade estava na formação ofensiva do Tricolor, que entrou em campo com três atacantes. Artur atuava aberto pela direita, Calleri era a referência central, enquanto Luciano exercia uma função mais livre como meia-atacante. Outro destaque era Marcos Antônio, que aparecia frequentemente pelo lado esquerdo, alternando entre a construção das jogadas e infiltrações na área.
A superioridade do São Paulo foi premiada aos 18 minutos. Após sofrer uma falta na intermediária ofensiva, Artur assumiu a cobrança e acertou um belo chute. O goleiro do Athletico ainda conseguiu tocar na bola, mas não evitou que ela balançasse as redes, colocando o Tricolor em vantagem com um golaço de falta.
Poucos minutos depois do gol, o São Paulo sofreu um problema importante para a sequência da partida. Aos 23 minutos, Rafael Tolói sentiu um problema físico e precisou ser substituído. O jovem Osório entrou em seu lugar, aumentando ainda mais a preocupação com um setor que já vive momento delicado no elenco tricolor.
A troca evidenciou a falta de opções para a defesa. Com a entrada de Osório, o único zagueiro de origem restante no banco era Isac, jovem da base que ainda não havia estreado pela equipe profissional, mostrando como o São Paulo chegou desfalcado para o confronto.
Mesmo com a mudança forçada, o Tricolor manteve o controle do jogo. Aos 40 minutos, a equipe protagonizou uma das jogadas mais bonitas da primeira etapa. Lucas Ramon cruzou pela direita para Marcos Antônio, que ajeitou de peito para Calleri. O centroavante dominou de costas para o gol, fez o pivô e arriscou um voleio que passou muito perto da trave. O lance evidenciou a evolução ofensiva da equipe sob o comando de Dorival, que voltou a apresentar boas construções coletivas durante os primeiros 45 minutos.
Enquanto o São Paulo controlava a posse de bola e criava as principais oportunidades, o Athletico Paranaense pouco conseguiu produzir ofensivamente. O Furacão finalizou apenas uma vez durante todo o primeiro tempo, sem levar perigo ao goleiro rival. Já o Tricolor terminou a etapa inicial com oito finalizações e cerca de 65% de posse de bola, refletindo a superioridade apresentada em campo.
Com domínio territorial, maior volume ofensivo e poucas ameaças sofridas defensivamente, o São Paulo foi para o intervalo vencendo por 1 a 0, resultado que premiava a atuação consistente da equipe na primeira etapa. O desempenho reforçou uma característica que vem se repetindo desde a chegada de Dorival Júnior: o Tricolor costuma apresentar bons primeiros tempos, controlando a posse de bola e criando as melhores oportunidades, mas tem encontrado dificuldades para manter a mesma intensidade e o mesmo nível de atuação durante a segunda etapa. O desafio para a equipe seria justamente transformar a superioridade apresentada nos primeiros 45 minutos em uma atuação consistente até o apito final.
São Paulo volta desligado, e Athletico constrói a virada rapidamente

O São Paulo voltou do intervalo dando a saída de bola, mas bastaram poucos segundos para toda a vantagem construída na primeira etapa começar a ruir. Logo no primeiro lance do segundo tempo, Pablo Maia errou um passe para Arboleda e entregou a posse para o Athletico Paranaense. Viveiros aproveitou o contra-ataque, avançou livre pelo lado esquerdo e cruzou para Leozinho, que apareceu sem marcação dentro da área e acertou a trave.
A pressão do Furacão, no entanto, não terminou ali. Na sequência da jogada, Jadson cruzou pela direita, a defesa do São Paulo afastou mal e a bola voltou a sobrar para Leozinho. Desta vez, o atacante não desperdiçou e finalizou para empatar a partida com apenas 30 segundos da etapa final. O gol simbolizou exatamente o que foi o início do segundo tempo: um Athletico completamente diferente daquele visto na primeira etapa e um São Paulo totalmente desligado.
O cenário ficou ainda pior para o Tricolor poucos minutos depois. Em cobrança de escanteio pelo lado esquerdo, a bola atravessou toda a área e encontrou novamente Leozinho livre na entrada da área pelo lado direito. O atacante bateu de primeira e virou a partida para o Athletico, consolidando uma resposta imediata da equipe paranaense após o intervalo.
Mesmo abalado pela virada, o São Paulo quase empatou aos 10 minutos. Marcos Antônio encontrou um excelente passe para Luciano, que saiu cara a cara com Santos. O goleiro do Furacão, que havia falhado no gol de falta marcado por Artur no primeiro tempo, se recuperou na partida ao fazer uma grande defesa e impedir o empate tricolor.
Na tentativa de mudar o panorama do confronto, Dorival promoveu alterações aos 19 minutos. Ferreirinha entrou na vaga do volante Pablo Maia, enquanto André Silva substituiu Calleri. Com as mudanças, o São Paulo passou a atuar em um 4-3-3, utilizando André Silva como referência central e apostando em dois pontas abertos para aumentar a pressão ofensiva.
Apesar da mudança tática, o Tricolor encontrou muitas dificuldades para transformar a posse de bola em chances claras. A equipe passou a abusar dos cruzamentos para a área e terminou a partida com 16 levantamentos na etapa final, mas praticamente nenhum deles levou perigo à defesa do Athletico.
Enquanto o São Paulo aumentava o volume ofensivo sem eficiência, o Furacão deixou de apenas administrar a vantagem e voltou a ameaçar nos contra-ataques. Mendoza acertou a trave pelo lado direito em uma das melhores oportunidades da reta final e, pouco tempo depois, Luiz Gustavo arriscou de fora da área, obrigando Rafael a fazer uma defesa segura.
Sem criatividade para furar a defesa adversária e pouco eficiente nas bolas alçadas para a área, o São Paulo não conseguiu reagir. O Athletico soube controlar a vantagem construída no início do segundo tempo e confirmou a vitória por 2 a 1. A mudança de postura promovida por Oldair Hellmann no intervalo foi determinante para a virada, enquanto o Tricolor voltou a repetir um problema que já havia aparecido em outras partidas: um bom desempenho antes do intervalo seguido por uma queda brusca de rendimento na etapa final.
Com a derrota, o São Paulo caiu para a nona colocação, com 25 pontos, e passou a olhar mais para a parte de baixo da tabela do que para a briga pelas primeiras posições. Além disso, a equipe chegou ao sexto jogo consecutivo sem vencer no Campeonato Brasileiro e agora terá um desafio complicado diante do Flamengo, no Maracanã. Já o Athletico Paranaense conquistou a terceira vitória seguida, chegou aos 33 pontos e assumiu a terceira colocação, ganhando confiança antes de receber o Internacional na próxima rodada.
(Foto de capa: Rubens Chiri/Saopaulofc.net)



