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Corinthians sob pressão: o que Dorival precisa para sobreviver

O momento do Corinthians é bastante delicado. A sequência de oito jogos sem vitória, com cinco empates e três derrotas, não só derrubou o time na tabela, como também minou a confiança da torcida e colocou o trabalho de Dorival Júnior em xeque.

O duelo contra o Internacional, neste domingo, deixou de ser apenas mais uma rodada do Brasileirão: virou um divisor de águas. Internamente, o clima é de cobrança intensa, inclusive com protestos da torcida organizada no CT, e a sensação é clara: uma derrota pode significar o fim da linha para o treinador.

Mas o que, de fato, levou o Corinthians a esse cenário? E, mais importante, o que precisa mudar imediatamente? É tentador resumir tudo à ausência de vitórias, mas o problema do Corinthians é mais profundo.

Os números escancaram a queda: apenas cinco gols marcados em oito jogos e um desempenho ofensivo pobre, com dificuldade crônica na criação de chances. Há fatores conjunturais relevantes, como desfalques importantes, especialmente no ataque, com ausências frequentes de peças-chave, que impediram a repetição de escalação e prejudicaram o entrosamento.

No entanto, o principal ponto não está apenas nas ausências, mas na forma como o time se comporta em campo. O Corinthians é uma equipe sem intensidade, previsível e com pouca agressividade ofensiva, chegando a ser dominado por adversários de nível semelhante. E aqui entra o ponto central: o time não demonstra evolução coletiva.

As teimosias de Dorival que travam o time

Dorival Júnior tem méritos, afinal, conquistou a Copa do Brasil e a Supercopa recentemente, mas vive um momento de insistências que começam a custar caro.A primeira delas é a estrutura excessivamente conservadora.

Em vários jogos, o treinador optou por reforçar o meio-campo e atuar com apenas um atacante de referência, isolando nomes como Yuri Alberto.Na prática, isso gera um time com posse de bola, mas pouco incisivo. A bola circula, mas não machuca.

Outra teimosia evidente é a falta de variação tática. O Corinthians tem jogado de maneira muito semelhante independentemente do adversário ou do contexto da partida. Quando sai atrás no placar, sofre para reagir, algo reconhecido pelo próprio treinador.

Além disso, há uma insistência em jogadores fora de melhor forma ou em funções pouco naturais, enquanto opções no banco, como Rodrigo Garro, nem sempre são utilizadas desde o início para dar mais criatividade ao time.

Por fim, o time sofre com transições defensivas frágeis. Ao tentar controlar o jogo, o Corinthians tem deixado espaços e sofrido gols em contra-ataques, o que evidencia um desequilíbrio entre ataque e defesa.

O que o Corinthians precisa fazer para vencer o Inter

O Corinthians precisa de Yuri Alberto para se recuperar no Brasileirão
O Corinthians precisa de Yuri Alberto para se recuperar no Brasileirão (Imagem: Fabio Giannelli/AGIF)

Diante desse cenário, o jogo contra o Internacional exige mais do que ajustes: pede uma mudança de postura. Primeiro, o Corinthians precisa ser mais agressivo ofensivamente. Com nomes como Jesse Lingard e Yuri Alberto, o time tem potencial para atacar mais, mas isso só acontecerá com maior presença na área e menos isolamento do centroavante.

Segundo, é fundamental acelerar o jogo. O excesso de posse estéril precisa dar lugar a transições mais rápidas, explorando a mobilidade de jogadores como Breno Bidon e André Carrillo. A impressão é que o time tem os jogadores certos para evolução, mas não tira o melhor deles.

Terceiro, Dorival precisa abrir mão do conservadorismo. Contra um adversário organizado como o Internacional, jogar “para não perder” é o caminho mais curto para ampliar a crise. O Corinthians precisa assumir riscos, especialmente jogando em casa.

E, talvez o mais importante: o time precisa demonstrar competitividade emocional. A crítica recorrente à equipe é a apatia. Em um momento de pressão máxima, mais do que tática, será necessário mostrar entrega.

O confronto contra o Internacional não é apenas mais um jogo: é um teste de sobrevivência. Para Dorival Júnior, representa a chance de provar que ainda tem controle do grupo e capacidade de reação. Para o Corinthians, é a oportunidade de evitar que uma má fase vire crise institucional.

O futebol costuma ser implacável com treinadores em momentos como esse. E, no caso do Corinthians, a equação é simples: ou há resposta imediata, em desempenho e resultado, ou a mudança no comando se torna inevitável.

(Imagem: Fabio Giannelli/AGIF)