O Corinthians foi a campo para enfrentar a frágil Universidad Central da Venezuela com uma certeza interna de classificação, entretanto, mesmo com o placar final de 3 a 2, até a construção do resultado a soberba do time corintiano foi sentida em campo, dando lugar ao nervosismo na sequência, que também passava para as arquibancadas.
Isso aconteceu por que o empenho do time venezuelano foi gigantesco, claramente sem muita condição técnica, a equipe compensava na vontade, achando dois gols e fazendo Hugo Souza trabalhar em jogadas simples, porém, muito perigosas.
O Timão tinha em Garro e Carrillo dois jogadores bem lúcidos, mas os atacantes, mesmo acertando em lances decisivos, como os dois gols de Yuri Alberto e o passe de Memphis Depay para o tento de Matheus Bidu, perdiam jogadas com facilidade para o vigorosos atletas da UCV, que despachavam a bola do jeito que dava.
Apesar das falhas ofensivas, o que chamou a atenção foi a fragilidade defensiva do Timão, que permitiu dois gols e chances claras a um time nitidamente abaixo da crítica. Não foi uma tragédia, mas outra atuação defensiva dessas poderá custar caro. Confira a análise do jogo.
Primeiro tempo insano
O Corinthians começou o jogo como esperado, em cima do adversário mais frágil e logo com um minuto de jogo abriu o placar com Yuri Alberto.
Com o gol, a torcida corintiana entendeu que a noite seria tranquila para a equipe. Entretanto, aos quatro minutos, numa falha defensiva do Timão, que ficou olhando a bola passada por Zapata, para Juan Cuesta aparecer sozinho pra marcar o tento da igualdade.
O Timão, após o gol, entendeu que precisaria correr muito e ser criativo para furar o bloqueio da Universidad Central, só que faltava capricho nas finalizações. Carrillo e Garro criavam oportunidades, mas Depay e Yuri Alberto não pareciam inspirados.
E se o ataque não estava no melhor dia, a defesa estava no pior. Num lance ocasional, Cuesta, o maior tormento da Universidad Central, cruzou e Zapata cabeceou para a defesa de Hugo Moura no melhor lance dos venezuelanos na partida.
Quando parecia que o jogo iria engrossar, Memphis Depay deixou Matheus Bidu na cara do gol para desempatar, dando mais tranquilidade para os torcedores em Itaquera.
Apesar disso, o jogo tava longe de controlado e as bolas aéreas da Universidad Central eram um tormento para a defesa corintiana. Após uma cobrança de escanteio, Hugo Moura saiu mal e Adrián Martínez cabeceou para dentro do gol, anotando o surpreendente segundo tento dos visitantes.
E o que ninguém esperava aconteceu. O Timão foi para o intervalo com o placar igual, tendo sofrido dois gols do frágil rival.
Vitória com cara de Corinthians
Melhor postado no segundo tempo, sob a batuta de Garro o Corinthians passou a construir boas jogadas com a bola no chão. Assustando o goleiro venezuelano com ótimo chutes.
Tanto Garro quanto Memphis Depay fizeram Miguel Silva trabalhar bem. Só que o tempo passava e o gol não acontecia. Melhor postado defensivamente, o Timão não sofria mais, porém, tinha muita dificuldade na finalização.
O tempo passava e além de não criar mais chances claras, o Corinthians abria espaço para a UCV se encorajar. Num chute de fora da área de Kendrys Silva, Hugo Souza fez uma defesaça! O clima na Neoquímica Arena era muito tenso.
Os jogadores corintianos pareciam nervosos, errando sempre as definições das jogadas, inclusive em lances fáceis. A atuação do Timão era para se esquecer, independente do resultado final. Para completar, Thales Magno entrou muito mal.
Entretanto, quando o jogo parecia encaminhado para os pênaltis, Garro, o jogador mais lúcido do Corinthians, encontrou Yuri Alberto na área, que bateu e marcou o gol do desafogo.
Depois disso, nada de importante aconteceu e o Corinthians garantiu sua classificação com contornos dramáticos de forma surpreendente.
Final: Corinthians 3×2 Universidad Central

O Corinthians, que sofreu para eliminar a fraca UCV, terá pela frente um time bem mais qualificado na próxima eliminatória, o Barcelona de Guayaquil. O time paulista precisará jogar bem mais para passar de fase. Pode ter sido obra do acaso, mas o sinal amarelo no Timão deve ser ligado.
Os destaques da partida foram Hugo Souza, que trabalhou bem quando exigido em pelo menos três momentos; Rodrigo Garro, de longe o atleta mais criativo do time, sempre arrumando espaços para deixar os companheiros em boas condições; e Yuri Alberto, que apesar de alguns erros, mostra a cada jogo seu fato de gol.
Agora o Timão esquece um pouco a Libertadores e foca nas quartas do Paulistão em que enfrentará o Mirassol em Itaquera.
(Imagem de capa: Anderson Lira)