Futebol Brasileirão

Corinthians vence São Paulo em clássico agitado e ganha fôlego na briga contra o Z-4

O Corinthians venceu o São Paulo por 3 a 2 em um clássico movimentado, polêmico e recheado de emoções na Neo Química Arena. O Timão foi superior durante boa parte do confronto, criou as melhores chances, dominou o meio-campo e chegou a abrir dois gols de vantagem na etapa final. O Tricolor até tentou reagir em dois momentos da partida, mas esbarrou em seus próprios problemas defensivos e em uma atuação coletiva muito abaixo da intensidade apresentada pelo rival.

Agora, mesmo ainda ameaçado na zona de rebaixamento, o Corinthians ganha um respiro importante após o bom jogo contra o São Paulo, e torce para o Vasco não vencer o Athletico para não retornar ao Z4. O São Paulo, por sua vez, está em queda livre, chegando ao quarto jogo sem vencer e já ocupando a quarta colocação no Brasileirão.

O jogo

Desde os primeiros minutos, o clássico mostrou que seria quente. O Corinthians começou pressionando alto, acelerando pelos lados e aproveitando a movimentação de Rodrigo Garro, Carrillo e Lingard entre as linhas. Logo aos quatro minutos, Lingard exigiu grande defesa de Rafael após bela troca de passes pela direita. O São Paulo respondeu rapidamente com Ferreira, que obrigou Hugo Souza a fazer ótima intervenção em chute colocado.

A partida ganhou contornos favoráveis ao Corinthians aos 18 minutos. Em jogada de bola parada, Garro cobrou escanteio fechado e Raniele apareceu na primeira trave para desviar e abrir o placar. O Timão quase ampliou logo depois, novamente com participação decisiva de Garro, que deixou Yuri Alberto cara a cara com Rafael. O goleiro são-paulino evitou o segundo gol.

O cenário parecia confortável para os donos da casa até um erro grave mudar o panorama. Aos 41 minutos, Raniele falhou na saída de bola, Bobadilla roubou na área e serviu Luciano, que apenas empurrou para as redes. O empate incendiou o clássico e abriu espaço para uma longa paralisação. A comemoração de Bobadilla gerou discussão após suspeita de gesto obsceno, enquanto Calleri também foi atingido por um objeto vindo da arquibancada. O VAR chamou Daronco, mas o árbitro optou por não expulsar o volante tricolor.

Mesmo com a tensão elevada, o Corinthians voltou muito melhor para o segundo tempo. O time de Fernando Diniz retomou o controle da posse, acelerou a circulação da bola e passou a sufocar o São Paulo com triangulações rápidas pelos corredores laterais.

Aos 52 minutos, Matheuzinho marcou um golaço. Após tabela com Carrillo, o lateral deixou Ferreira no chão, cortou para dentro e acertou um chute forte, sem chances para Rafael. O gol recolocou o Timão em vantagem e desmontou emocionalmente o São Paulo.

Poucos minutos depois, saiu o terceiro. O Corinthians trocou passes com extrema facilidade desde o campo de defesa até a entrada da área. Garro conduziu com liberdade e serviu Breno Bidon, que bateu colocado no canto para ampliar para 3 a 1. A essa altura, a torcida já cantava “olé” nas arquibancadas enquanto o São Paulo demonstrava enorme dificuldade para competir.

O Tricolor não conseguia controlar o meio-campo, sofria com a intensidade rival e via Bidon e Garro dominarem completamente o setor central. Roger Machado tentou mudar o panorama com alterações, mas o time continuou sem agressividade na pressão e pouco criativo ofensivamente.

Ainda assim, o clássico reservava mais um capítulo caótico. Aos 89 minutos, Matheuzinho tentou cortar um cruzamento na área e acabou marcando contra a própria meta de forma bizarra, recolocando o São Paulo no jogo. O gol diminuiu a vantagem para 3 a 2 e trouxe tensão aos minutos finais, mas o Corinthians conseguiu administrar os acréscimos para confirmar uma vitória importante.

Corinthians mostra o seu melhor com Diniz, enquanto São Paulo está estagnado

Mais do que os três pontos, o clássico reforçou sinais positivos do Corinthians sob o comando de Fernando Diniz. O time mostrou personalidade, circulação rápida de bola, intensidade sem a posse e uma capacidade maior de controlar emocionalmente o jogo, algo que faltou em vários momentos da temporada. Garro foi novamente o cérebro da equipe, Breno Bidon fez talvez sua atuação mais madura no ano e Matheuzinho viveu uma noite de extremos, com um golaço e um gol contra inacreditável.

Do lado são-paulino, o resultado aumenta a pressão. O time teve dificuldade para competir fisicamente, sofreu demais defensivamente e pareceu desorganizado quando precisou reagir. Luciano aproveitou a oportunidade criada pelo erro adversário, Ferreira tentou ser a válvula de escape pelos lados, mas o rendimento coletivo ficou muito abaixo do esperado para um clássico desse tamanho.

O Corinthians venceu porque foi mais intenso, mais organizado e muito superior taticamente durante a maior parte do jogo. O meio-campo comandado por Garro e Bidon controlou o ritmo da partida, enquanto Carrillo ajudou a acelerar as transições e criar superioridade pelos lados. O time conseguiu envolver o São Paulo com trocas rápidas de passes e atacou constantemente os espaços deixados pela defesa tricolor.

Já o São Paulo mostrou um problema recorrente: falta de equilíbrio entre os setores. A equipe sofreu para proteger a entrada da área, perdeu muitos duelos individuais e não conseguiu pressionar a saída de bola corintiana. Além disso, emocionalmente o time pareceu abalado depois do segundo gol sofrido.

Outro ponto importante foi a postura das duas equipes sem a bola. O Corinthians pressionou alto, recuperou rapidamente a posse e impôs intensidade durante praticamente todo o segundo tempo. O São Paulo recuou demais, aceitou o domínio rival e só voltou a assustar em um lance fortuito no fim.

A vitória corintiana mostra evolução clara sob Fernando Diniz. Ainda há problemas defensivos e momentos de instabilidade, mas o time demonstra mais identidade, criatividade e confiança. Já o São Paulo sai do clássico com muitos alertas ligados, principalmente pela dificuldade em competir contra equipes que aceleram o jogo e pressionam com intensidade.

(Foto: Wanderson Oliveira/Meu Timão)