Corinthians e Palmeiras se enfrentam neste domingo (8), na Neo Química Arena, pela penúltima rodada da primeira fase do Campeonato Paulista. O jogo reacende um clássico que ultrapassa o futebol e invade o campo social, cultural e até político da cidade de São Paulo. Com mais de 100 anos de história, o Dérbi é considerado um dos confrontos de maior rivalidade do Brasil, a ponto das torcidas não se suportarem. A aversão mútua, construída ao longo das décadas, não surgiu do acaso. Ela é resultado de episódios simbólicos, decisões polêmicas, confrontos decisivos e uma disputa constante por protagonismo na maior metrópole do país.
As origens da rivalidade na maior cidade do Brasil
Corinthians e Palmeiras são os clubes mais antigos da cidade mais populosa do Brasil e, desde o início do século XX, disputam espaço, identidade e torcida em São Paulo. Fundado em 1910, o Corinthians nasceu com o discurso popular, ligado às camadas operárias. Já o Palmeiras, criado em 1914 como Palestra Italia, carregava a forte herança da imigração italiana. Esse choque de origens ajudou a moldar um antagonismo que vai além das quatro linhas.
Embora o Corinthians também mantenha rivalidades históricas com São Paulo e Santos, o embate contra o Palmeiras ganhou contornos mais intensos ao longo do tempo. Contra o São Paulo, fundado apenas em 1930, a disputa existe, mas carece do mesmo peso simbólico e cronológico. Já o Dérbi reúne tradição, títulos e uma sensação permanente de ameaça ao território do outro, algo que alimenta o ódio esportivo entre as torcidas.
Polêmicas, provocações e jogos que inflamaram o clássico
A história de Corinthians x Palmeiras é marcada por polêmicas que ajudaram a consolidar a aversão. Um dos episódios mais emblemáticos ocorreu em 1969, quando o Palmeiras se recusou a ceder jogadores para substituir atletas do Corinthians mortos em um acidente de carro. A atitude foi interpretada como insensível pelo rival e rendeu ao clube alviverde a alcunha de “espírito de porco”. A provocação se espalhou entre os corintianos e, com o tempo, o apelido “Porco” foi ressignificado e abraçado pela própria torcida palmeirense.
Nos anos 1990, a rivalidade atingiu outro patamar. O Corinthians já havia se consolidado como potência nacional, enquanto o Palmeiras vivia a maior fila de títulos de sua história. O cenário mudou em 1993, quando o Alviverde goleou o Corinthians por 4 a 0 na final do Campeonato Paulista, encerrando um jejum de 17 anos. A partir dali, os confrontos passaram a ser ainda mais decisivos e traumáticos para ambos os lados.
Na era Parmalat, o Palmeiras frequentemente levou a melhor em duelos continentais. As eliminações do Corinthians na Libertadores de 1999 e 2000, ambas para o rival, deixaram marcas profundas na memória corintiana. Cada encontro passou a carregar não apenas três pontos ou uma vaga, mas o peso de eliminações dolorosas e provocações intermináveis.
Violência, torcida única e a aversão consolidada
Se dentro de campo o clássico já era explosivo, fora dele a situação se agravou nos anos 2000 e 2010. As torcidas de Corinthians e Palmeiras protagonizaram algumas das brigas mais violentas do futebol brasileiro, com confrontos que resultaram em feridos e mortes. Em 2016, após um episódio especialmente grave, a Secretaria de Segurança Pública de São Paulo e o Ministério Público determinaram a adoção de torcida única em todos os clássicos do estado, medida que permanece até hoje.
Esse histórico ajuda a explicar por que há uma aversão tão grande entre torcedores no confronto entre Corinthians e Palmeiras. Talvez pela presença de São Paulo e Santos, outros gigantes paulistas, o Dérbi não seja unanimemente tratado como a maior rivalidade do Brasil. Ainda assim, todo clássico entre alvinegros e alviverdes é um evento de enorme importância, capaz de parar a cidade e reavivar uma rivalidade que, mais de um século depois, segue intensa, passional e longe de qualquer trégua.
Foto: Cesar Greco/Palmeiras/by Canon


