A preparação de Islam Makhachev para disputar o cinturão dos meio-médios no UFC 322 veio acompanhada de uma discussão intensa sobre seu corte de peso. Embora o russo tenha batido oficialmente os 77 quilos, como exigido para a categoria, a forma física apresentada na pesagem levantou questionamentos.
Fotos comparativas entre ele e Jack Della Maddalena deixaram evidente uma diferença visual significativa: Makhachev parecia mais “magrinho”, com traços de esgotamento, enquanto o australiano surgia mais denso e “preenchido”.
Isso surpreendeu muitos fãs, já que o esperado era um corte mais tranquilo. O fato de Makhachev ter sido campeão dominante dos leves, onde fazia cortes consideráveis, reforça ainda mais o estranhamento em torno de sua aparência antes desta luta.
Os sinais de alerta para Islam Makhachev
Apesar de ter batido o peso dentro do limite dos meio-médios, a percepção geral foi de que o corte pode ter sido mais complicado que o público imaginava. Makhachev comentou que sua transição física para a nova categoria exigiu alterações intensas em seu camp e ele afirmou ter ganhado peso durante a preparação, treinado com sparrings maiores, modificado sua rotina de musculação e ajustado dieta e suplementação.
Mesmo assim, relatórios indicam que ele chegou a aproximadamente 83 kg na fight week, sugerindo que ainda havia um corte final considerável. Para um atleta que durante anos sofreu para chegar aos 70 kg, o fato de apresentar sinais aparentes de dificuldade mesmo em uma categoria acima acende um alerta.
O desgaste físico durante o corte de peso é amplamente discutido no MMA. A desidratação agressiva, comum nas últimas 48 horas antes da pesagem, pode causar queda de desempenho aeróbico e anaeróbico, perda de força explosiva, menor capacidade de sustentar ritmo alto, além de afetar fatores cognitivos como precisão, tempo de reação e tomada de decisão.
Isso é particularmente relevante no caso de um lutador como Makhachev, cuja estratégia envolve grappling de alta intensidade, controle posicional e pressão constante. Um corte ruim pode afetar diretamente cada um desses elementos, principalmente nos rounds finais.
Mesmo que o corte não tenha sido gigantesco, a aparência dele na balança levanta a possibilidade de que o processo não tenha sido tão fluido quanto o esperado. Mudanças na composição corporal, como ganho de massa magra e redução de gordura, podem explicar parte do visual diferente, mas não descartam a chance de um corte de água agressivo nos dias finais.
A diferença estética entre ele e Della Maddalena também enfatiza a discrepância natural entre um peso-leve subindo e um meio-médio de origem, algo que por si só já cria um desnível físico relevante.

A aparência na balança pode não ter relevância
Por outro lado, há pontos que sugerem que a situação pode não ser tão preocupante. Makhachev garantiu que se sente mais confortável no novo peso, com mais energia e liberdade alimentar, e que cortar para 77 kg é mais fácil do que descer novamente para 70 kg.
O russo lembra que, nos leves, muitas vezes precisava passar por cortes de mais de 10 kg, o que o deixava longe de sua melhor forma no dia da luta. Assim, ele pode entrar no octógono mais hidratado, mais forte e com recuperação física superior à que costumava ter como campeão dos leves.
Caso staff nutricional de Makhachev tenha conduzido um processo gradual e controlado, a aparência física pode ter sido apenas reflexo do momento exato da balança, sem representar um problema real na performance.
Ainda assim, a diferença de densidade muscular entre Makhachev e Maddalena observada na encarada final não deve ser ignorada. O australiano é um meio-médio natural, acostumado a competir nessa faixa de peso, com volume e potência característicos da categoria. O contraste pode ser determinante caso a luta se estenda por vários rounds, especialmente se houver troca intensa na curta distância ou disputas longas de clinch e isometria.
Se o corte prejudicou a resistência ou a força de Makhachev de alguma forma, Maddalena é exatamente o tipo de oponente que pode explorar isso. No entanto, se o russo reidratou de maneira eficaz, recuperou massa intramuscular e entrou na luta com o físico em ordem, seu grappling técnico, seu tempo de entrada nas quedas e sua capacidade de controle podem neutralizar parte da força bruta do adversário. Isso tornaria o corte de peso um fator secundário, não determinante.
O corte de peso de Makhachev para o UFC 322 virou um elemento central na análise do combate e pode, sim, ser decisivo caso tenha sido mal executado. A aparência mais abatida na pesagem e o relato de dificuldades durante a transição física sugerem que o processo não foi isento de desafios.
No entanto, suas declarações positivas sobre a recuperação, aliadas ao fato de não haver mais a necessidade de cortes extremos como nos leves, indicam que ele também pode estar em uma condição física superior às anteriores.
A resposta final só virá no octógono: se o ritmo de Makhachev cair no meio da luta ou se sua força não acompanhar a do adversário, o corte terá sido determinante. Agora, se ele mantiver sua precisão técnica e pressão habitual, terá provado que o processo foi bem conduzido e que a aparência na balança não refletia sua real forma física.
(Imagem de capa: Divulgação UFC)