O norte-americano Cory Sandhagen, atual número 4 do ranking peso-galo do UFC, demonstrou insatisfação por não ser cogitado pela organização para enfrentar o atual campeão Petr Yan. Em entrevista ao podcast ONX Sports, Cory Sandhagen defendeu seu direito a um novo title shot com base na derrota sofrida para o russo no UFC 267, realizado em outubro de 2021. Na ocasião, protagonizou uma luta equilibrada e tecnicamente rica, mas acabou superado na decisão dos juízes.
Relembrando aquele confronto, Cory Sandhagen destacou que o duelo foi um dos mais empolgantes da divisão nos últimos anos. “Eu tento não ser uma pessoa invejosa ou rancorosa, mas eu penso: ‘Por que não estamos falando sobre uma nova luta entre mim e o Yan, sendo que nós dois tivemos uma luta incrível?'”, questionou.
Em outro trecho, o lutador reforçou sua frustração: “Tipo, me deem um pouco de crédito, droga! Mas eu não posso deixar essas coisas entrarem na minha cabeça, senão vou virar uma pessoa amargurada, invejosa e rancorosa o tempo todo.”
Apesar do desabafo compreensível, o momento esportivo não parece sustentar a reivindicação de Cory Sandhagen. O peso-galo vive uma fase de extrema competitividade, com uma fila de postulantes em ascensão e resultados recentes que pesam diretamente na definição de um desafiante ao cinturão.
Cory Sandhagen não merece a luta pelo cinturão neste momento
A realidade é que Cory Sandhagen não apresenta, neste momento, credenciais sólidas para disputar o título. Sua última aparição no octógono, em outubro do ano passado, terminou em derrota para Merab Dvalishvili. Embora tenha tido bons momentos na luta em pé, Cory Sandhagen foi dominado pelo ritmo intenso do georgiano, que conseguiu quedas com relativa facilidade e controlou as ações durante boa parte do combate.
O revés não foi um caso isolado. Das suas últimas três lutas, Cory Sandhagen perdeu duas. Antes do confronto com Dvalishvili, ele também foi superado por Umar Nurmagomedov, atual número 2 do mundo, em 2024. A derrota para o russo evidenciou dificuldades diante de lutadores com forte jogo de grappling e controle posicional, um aspecto que tem sido explorado por seus adversários.
Diante desse retrospecto, é difícil argumentar que Cory Sandhagen esteja a uma vitória — ou mesmo a uma simples boa atuação — de disputar o cinturão. O histórico recente aponta para a necessidade de ajustes técnicos e estratégicos. Mais do que relembrar a boa performance contra Yan em 2021, Cory Sandhagen precisa construir uma nova sequência positiva.
O caminho mais lógico é focar na evolução nos treinos, especialmente na defesa de quedas e na imposição de seu jogo de movimentação e volume. Ganhar uma ou duas lutas com autoridade, contra adversários bem ranqueados, parece condição básica para recolocá-lo na conversa pelo título. No cenário atual, o discurso de merecimento soa prematuro.
O caminho mais lógico é Sean O’Malley
Se o title shot não é viável agora, qual seria a melhor alternativa para Cory Sandhagen? A resposta pode estar em um duelo contra Sean O’Malley, atual número 3 do ranking. Entre os integrantes do top-5, “Suga” é o único que Cory Sandhagen ainda não enfrentou, o que torna o confronto esportivamente interessante e comercialmente atrativo.
Segundo alguns sites norte-americanos especializados em MMA, existe alta probabilidade de que essa luta seja encaminhada pelo UFC. O embate colocaria frente a frente dois lutadores criativos e perigosos na trocação, com estilos que prometem espetáculo.
Além disso, o próprio Petr Yan já admitiu que sua próxima luta será uma trilogia contra Dvalishvili pelo cinturão. Com o campeão focado nesse compromisso, os espaços para novos desafiantes estão, ao menos por ora, fechados. Isso reduz ainda mais as chances de Cory Sandhagen furar a fila.
Diante desse panorama, o “segredo” para Cory Sandhagen é simples na teoria, embora desafiador na prática: vencer Sean O’Malley com autoridade. Uma atuação dominante contra um nome do top-3 teria peso significativo junto à organização e aos fãs. Mais do que discursos sobre merecimento, resultados convincentes são a moeda mais forte no UFC.
Se Cory Sandhagen conseguir se reinventar, corrigir falhas recentes e bater um rival direto como O’Malley, a narrativa muda rapidamente. A divisão peso-galo é dinâmica, e uma grande vitória pode recolocá-lo no radar pelo título. Até lá, porém, a cobrança pública por um novo duelo com Yan parece desalinhada com a realidade esportiva.
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