A nova derrota do Liverpool diante do Paris Saint-Germain, novamente por 2 a 0, que culminou na eliminação dos Reds na Champions League, funciona como um duro retrato da temporada frustrante do time de Arne Slot.
Após conquistar a Premier League no ano anterior, a expectativa era de consolidação de um projeto vitorioso. No entanto, o que se vê hoje é um time irregular, com lacunas evidentes e um desempenho coletivo aquém do esperado. Nesse cenário, a figura de Arne Slot passou a ser colocada no centro das críticas. Mas reduzir o problema ao treinador é, no mínimo, simplista e até injusto.
Slot privilegia um modelo de jogo exige intensidade, organização e, principalmente, jogadores capazes de executar ideias com alto nível técnico e físico. E é justamente nesse ponto que o Liverpool tem falhado: o elenco, especialmente nas contratações mais recentes, não tem correspondido. O treinador holandês claramente tinha que ter tirado mais do plantel, mas os jogadores também precisavam ajudar.

O caso de Milos Kerkez é emblemático. Trata-se de um jogador voluntarioso, com boa capacidade física e disposição defensiva, mas que apresenta limitações técnicas claras. Em um time que busca protagonismo com a bola, laterais precisam oferecer mais qualidade na construção e no apoio ofensivo, algo que Kerkez ainda não conseguiu entregar de forma consistente.
Outro nome que levanta questionamentos é Giorgi Mamardashvili. Contratado para ser uma sombra para Alisson, o arqueiro georgiano ainda não conseguiu transmitir confiança. Suas atuações têm sido irregulares, com falhas em momentos decisivos que comprometem o sistema defensivo como um todo. Em uma equipe que busca estabilidade, a insegurança no gol acaba contaminando todo o restante, como aconteceu no jogo de volta diante do PSG.
Os reforços vindos do Bayer Leverkusen, Jeremie Frimpong e Florian Wirtz, chegaram cercados de expectativa, especialmente pelo desempenho que tiveram no futebol alemão na temporada passada. No entanto, ainda demonstram certa timidez com a camisa do Liverpool. Falta protagonismo e imposição, características essenciais para jogadores que vieram com status de solução.
Já Alexander Isak simboliza um problema diferente, mas igualmente preocupante. O atacante, que brilhou no Newcastle United, não consegue manter uma sequência física no Liverpool. As lesões constantes e a falta de ritmo fazem com que ele esteja longe de ser o goleador implacável que se esperava. Sem um centroavante confiável e disponível, o sistema ofensivo perde referência e eficiência.
A situação de Federico Chiesa também merece destaque. Desde que chegou, ainda na temporada passada, o italiano convive com problemas físicos que o impedem de ter continuidade. Quando entra em campo, mostra lampejos de qualidade, mas claramente está distante da melhor forma. Um jogador de sua capacidade poderia ser decisivo, mas na prática, pouco contribuiu até aqui.
E quando parecia que ao menos uma contratação havia dado certo, o Liverpool sofreu mais um golpe duro. Hugo Ekitiké, que vinha sendo o melhor encaixe ofensivo da equipe, sofreu uma lesão gravíssima e está fora do restante da temporada. Sua ausência vai escancarar ainda mais a falta de opções confiáveis no elenco.
Diante de tudo isso, é difícil sustentar a narrativa de que Arne Slot seja o único culpado. O treinador certamente comete erros, como qualquer outro, mas trabalha com um elenco desequilibrado, com jogadores que não entregam o nível exigido por um clube que disputa títulos em múltiplas frentes. Por tudo isso, a responsabilidade precisa ser compartilhada.
Xabi Alonso pode ser a solução para o Liverpool, mas não é só isso
É nesse contexto que surge o nome de Xabi Alonso como possível solução. O espanhol ganhou enorme prestígio por sua capacidade de potencializar jogadores e construir equipes competitivas, como demonstrou no Bayer Leverkusen. Sua chegada poderia, de fato, elevar o nível coletivo do Liverpool e recuperar atletas em baixa.
No entanto, é importante deixar claro: nenhum treinador, por mais competente que seja, faz milagres sozinho. Mesmo que Xabi Alonso assuma o comando, será fundamental uma mini-reformulação no elenco. O Liverpool precisa ser mais assertivo no mercado, corrigindo erros recentes e trazendo jogadores que realmente se encaixem em um modelo de jogo claro.
A eliminação para o PSG não deve ser vista apenas como um fracasso pontual, mas como um sintoma de problemas estruturais. Colocar toda a culpa em Arne Slot pode até ser conveniente, mas está longe de resolver a questão.
Se o clube quiser retomar o caminho das grandes conquistas, precisará olhar para dentro, reconhecer suas falhas no planejamento e agir com mais precisão, dentro e fora de campo. O próximo treinador terá que chegar com carta branca para mexer onde deve ser alterado e assim, ter um Liverpool mais competitivo.
(Imagem de capa: Catherine Ivill – AMA/Getty Images)
