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Cristiano Ronaldo balança no Al Nassr: insatisfação, bastidores e um futuro em aberto

Cristiano Ronaldo nunca foi do tipo que aceita ficar parado enquanto os outros avançam, sempre demonstrou sua vontade em crescer cada vez mais. Aos 40 anos, prestes a completar 41, o português não vive de forma diferente, exigente e, acima de tudo, inconformado quando sente que o projeto ao seu redor não acompanha sua ambição. É exatamente esse sentimento que hoje ronda o Al Nassr, ainda mais ao notar a grama dos vizinhos.

Segundo informações do Sky Sports News, Cristiano Ronaldo está seriamente considerando seu futuro na Arábia Saudita. O motivo não é físico, nem técnico. É político, estrutural e, principalmente, financeiro. O camisa 7 acredita que o Al Nassr não recebe o mesmo nível de apoio que outros clubes da Saudi Pro League controlados pelo fundo soberano saudita, o PIF, seu principal inimigo no momento.

Ausência em campo e incômodo fora dele

O sinal de alerta ficou ainda mais evidente na última segunda-feira, quando Ronaldo não esteve em campo na vitória do Al Nassr sobre o Al Riyadh. Oficialmente, nenhuma grande explicação. Nos bastidores, porém, a história é outra e obviamente, bem interessante para os fofoqueiros.

Fontes próximas ao clube indicam que o astro português está profundamente insatisfeito com a forma como o Al-Nassr vem sendo administrado. Para Cristiano, o clube perdeu uma grande oportunidade de dar um salto competitivo na janela de janeiro, algo que, para alguém obcecado por títulos, é quase imperdoável.

O principal ponto de frustração de Ronaldo atende pelo nome de Al-Hilal. O rival direto na briga pelo título lidera a Saudi Pro League com apenas um ponto de vantagem sobre o Al Nassr, mas, fora de campo, parece jogar um campeonato completamente diferente. E mesmo com a pequena diferença, o português já fez questão de fazer uma tempestado no copo d’água.

A gota d’água foi a contratação de Karim Benzema pelo Al Hilal, vindo do Al Ittihad. Enquanto isso, o Al-Nassr passou a janela inteira praticamente parado, em branco, trazendo apenas o jovem meio-campista iraquiano Hayder Abdulkareem, uma aposta de futuro, não uma peça decisiva para agora.

Para Cristiano Ronaldo, que ainda busca conquistar seu primeiro título saudita, a mensagem foi clara: enquanto uns se reforçam para ganhar hoje, outros parecem planejar apenas o amanhã. E para quem se encontra na idade da lenda portuguesa, pouco se importa com talentos, quer o agora.

O atacante acredita que o problema vai além de decisões esportivas. Na visão do português, o Al-Nassr não recebe o mesmo nível de suporte financeiro que Al-Hilal, Al-Ahli e Al-Ittihad, todos também ligados ao PIF, o poderoso fundo soberano da Arábia Saudita. Esse no caso, já é um papo mais complicado, porque a equipe de Cristiano Ronaldo conta com ótimas peças, do jeito que tem agido, é como se tivesse no Ceará, e os outros componentes do grupo fossem Flamengo, Palmeiras e Cruzeiro.

A percepção de “tratamento preferencial” incomoda, especialmente porque o projeto do Al-Nassr foi vendido a Ronaldo como um dos pilares da nova era do futebol saudita. E quando essa promessa parece falhar, o desgaste é inevitável.

Mas nem tudo é como parece

Do outro lado da mesa, a versão saudita é bem diferente. A liga garante que o campeonato é equilibrado, que o financiamento é claro e que todos os clubes ligados ao PIF recebem tratamento semelhante. Não existem favoritos para o pai desta família, apesar de existirem alguns que se veem menos assistidos do que outros, completamente normal.

Além disso, a contratação de Benzema pelo Al-Hilal não teria envolvimento direto nem da liga nem do PIF. O negócio foi bancado por um investidor privado: o bilionário príncipe Alwaleed bin Talal. Ou seja, tecnicamente, nada impediria o Al Nassr de buscar reforços semelhantes, desde que encontre investidores dispostos a colocar dinheiro no projeto.

Outro ponto levantado pelos dirigentes sauditas é que o Al-Nassr já gastou cerca de £100 milhões nesta temporada, o que explica a postura mais conservadora em janeiro. As regras financeiras da liga, geridas pelo Player Acquisition Center of Excellence, foram criadas justamente para manter a sustentabilidade e evitar um “vale-tudo” financeiro.

A insatisfação de Ronaldo pegou muita gente de surpresa dentro da Arábia Saudita. Especialmente porque o português recebe um salário estimado em £500 mil por dia, um valor que, convenhamos, faria qualquer um engolir alguns sapos. Entretanto, o atacante nunca foi de escutar e ficar calado, e por conta disso, tem feito de tudo para haverem mudanças na forma da PIF agir.

Mesmo assim, autoridades sauditas vêm pressionando Cristiano para encerrar o que é visto internamente como uma espécie de “greve silenciosa” e voltar a atuar normalmente. O objetivo é tê-lo em campo já nesta sexta-feira, no confronto direto contra o Al Ittihad.

Contrato, cláusula e um futuro que ainda pode mudar

Cristiano Ronaldo ainda tem 18 meses de contrato com o Al-Nassr. No papel, tudo sob controle. Mas há um detalhe importante: o vínculo inclui uma cláusula de rescisão avaliada em £43 milhões (€50 milhões), válida a partir do verão.

Ou seja, mesmo às vésperas de completar 41 anos, Ronaldo segue com portas abertas. E no futebol, quando Cristiano Ronaldo está disponível… sempre aparece alguém interessado. É difícil imaginar um retorno para à Europa, abriria espaço apenas para manchar um pouco da sua lendária carreira, mas também, deixa uma pulga atrás da orelha dos fãs, se ele seria capaz de fazer algo no cenário atual.

Curiosamente, o português sempre esteve envolvido em decisões estratégicas do clube, acompanhando investimentos, negociações e planejamento. Isso torna sua atual frustração ainda mais surpreendente para os dirigentes da liga, que afirmam que “nada mudou” e que Ronaldo segue com total apoio institucional.

Agora, todas as atenções se voltam para o duelo contra o Al-Ittihad. A pergunta não é apenas se Cristiano Ronaldo jogará, mas o que sua presença (ou ausência) dirá sobre seu futuro. Se entrar em campo, pode ser um sinal de trégua. Se ficar fora, a novela ganha novos capítulos.

Foto: Getty Images