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Cruzeiro precisará se esforçar para manter Tite no comando técnico

Com a presença de Carlo Ancelotti, o Cruzeiro quase garantiu uma vitória importantíssima sobre o Corinthians na 4ª rodada do Brasileirão, mas o empate cedido próximo dos acréscimos causou uma forte reação no Mineirão e pode ter indicado o início do fim da passagem de Tite na Raposa. A torcida não perdoou e mais uma vez acabou xingando o técnico Tite, além de evocar gritos de “Adeus”. O desempenho andou melhorando em relação ao início conturbado, mas momentos como estes mostram que a paciência pode ter acabado sem um caminho de volta para parte da torcida.

Cruzeiro não sustentou vantagem tática do primeiro tempo

O Cruzeiro entrou com uma postura agressiva, utilizando um 4-2-3-1 que se transformava em um 4-3-3 na fase ofensiva. Atuando como o “cérebro” da equipe, Matheus Pereira flutuava entre as linhas do Corinthians, e o precoce gol aos 8 minutos foi fruto dessa liberdade; o artilheiro recebeu na intermediária, limpou a marcação e finalizou de canhota.

Com Gerson e Christian apoiando os alas, o Cruzeiro também foi bem em sobrecarregar o sistema defensivo do Corinthians, chegando a marcar o segundo gol com Kaio Jorge (anulado por impedimento milimétrico pelo VAR). Desta forma, podemos afirmar que a Raposa foi superior taticamente e merecia uma sorte melhor no confronto.

Por outro lado, o Corinthians de Dorival Júnior começou de forma conservadora, sentindo a falta de ritmo de alguns titulares preservados para as semifinais do Paulistão. No primeiro tempo, o Timão teve dificuldades para sair de trás, com Pedro Raul isolado. A reestreia de Angileri na lateral trouxe solidez defensiva, mas pouco apoio ofensivo inicial.

Contudo, o técnico Dorival mais uma vez foi cirúrgico na conversa do vestiário e fez as mudanças necessárias para o segundo tempo. As entradas de Dieguinho e André Luiz deram o vigor físico que faltava. Mais tarde, a entrada de Rodrigo Garro mudou o patamar técnico do meio-campo corintiano.

O sistema tático do Cruzeiro estava tendo um bom comportamento mesmo diante de um segundo tempo difícil, mas toda a estratégia ruiu aos 35′ do segundo tempo por causa de um erro na cobertura defensiva. O lateral-direito William, que já tinha amarelo, cometeu falta tática para interromper um contra-ataque perigoso e foi expulso, e Tite teve que mexer na estrutura para recompor a defesa, mas antes que o time se estabilizasse, o Corinthians aproveitou o momento psicológico.

Em escanteio cobrado com precisão, o zagueiro João Pedro Tchoca, que recentemente havia retornado de uma negociação frustrada com a Europa, subiu mais alto que a defesa mineira para cabecear. Com um a mais, o Corinthians terminou pressionando e explorando os espaços deixados por um Cruzeiro desgastado, quase virando com Memphis Depay nos acréscimos.

Tite se expõe e mostra que sente críticas no Cruzeiro

Tite argumentou que lances idênticos cometidos por jogadores do Corinthians no primeiro tempo (citando nominalmente uma entrada de Raniele) foram punidos apenas com marcação de falta, sem cartão. O treinador também reclamou que o segundo amarelo para William “estrangulou” a estratégia do Cruzeiro em um momento onde o time era superior, chamando a decisão de “interferência direta no espetáculo”. No entanto, essas declarações (com a presença de Ancelotti no estádio) entregaram que o ex-técnico da Seleção já está sentindo a pressão forte das arquibancadas.

Imagem: Divulgação