Paulo Henrique também teve sua chance de abrir o placar para o Vasco, mas o arremate passou à esquerda de Gabriel Félix. Foto: Marlon Costa/AGIF — Reprodução.
Futebol Copa do Brasil

CSA e Vasco empatam sem gols em jogo repleto de erros individuais

Nesta quarta-feira (30), CSA e Vasco empataram sem gols pela ida das oitavas de final da Copa do Brasil. Em partida realizada no Estádio Rei Pelé, em Alagoas, as equipes fizeram duelo pobre em termos de ofensividade, mas rico em erros técnicos. O jogo da volta está marcado para semana que vem, no dia 7. Veja como foi a partida:

Vindo de derrota para o Londrina, pela Série C, o CSA saiu do G-8 e recorreu a uma troca no comando técnico. Saindo Hiago Magalhães e entrando Márcio Fernandes (que estava no Botafogo-PB), a escalação não mudou muito em razão do novo treinador não ter tido muito contato com os jogadores. As novidades ficam por conta do retorno de Islan, recuperado de lesão, e Enzo, que cumpriu suspensão no último compromisso pela terceirona.

Em baixa pela sequência de cinco jogos sem vencer, o Vasco da Gama entrou em campo pressionado e na busca por uma reconciliação com a torcida. A equipe cruzmaltina teve o retorno de Philippe Coutinho à lista de relacionados depois de uma lesão na panturrilha esquerda. Além do camisa 11, João Victor retornou ao onze inicial depois de cumprir suspensão e formou a dupla de zaga ao lado de Maurício Lemos. Lucas Freitas iniciou a partida como reserva.

O jogo pelos lados foi o destaque do primeiro tempo

Protagonistas do 1° tempo, Paulo Henrique e Guilherme Cachoeira disputam a bola. Foto: Marlon Costa/AGIF — Reprodução.
Protagonistas do 1° tempo, Paulo Henrique e Guilherme Cachoeira disputam a bola. Foto: Marlon Costa/AGIF — Reprodução.

 

Como esperado, o Vasco iniciou a partida tomando a frente das ações ofensivas, porém de uma forma bem diferente no setor ofensivo. Sem um meia de criação de fato, Fernando Diniz repetiu o quarteto de ataque que jogou contra o Internacional e a escolha pareceu certeira. Com Rayan, Nuno Moreira e David não guardando uma posição fixa, as movimentações deste trio confundiram a zaga do CSA.

Não à toa que as jogadas do cruzmaltinos baseavam-se em um DNA do ‘Dinizismo’, com muita aproximação, toques curtos e deslocamentos rápidos. As primeiras articulações já denunciavam isso e, uma em especial, merece o destaque. Aos 10 minutos, a triangulação entre Rayan, Paulo Henrique e David deu certo e no cruzamento do lateral, a zaga quase faz contra. Uma armação que contou com o apoio do camisa 7 que saiu do outro lado para participar da troca de passes.

Os alagoanos praticamente não viram a cor da bola e pareciam muito confortáveis em ver o oponente tocar e se movimentar em seu campo de defesa. A estratégia de Márcio Fernandes claramente era apostar nos contragolpes e o desafogo para o escape seria justamente Guilherme Cachoeira — aproveitando o espaço nas costas do muito agudo Paulo Henrique.

As soluções ofensivas para o Azulão não eram as mais vastas: o próprio artilheiro Tiago Marques pouco recebia bolas em condições de finalizar. A zaga vascaína, apesar de participar muito da construção do jogo, não teve muitos trabalhos para acompanhar os avançados do CSA. Não obstante, o palco das ações mais perigosas eram o setor direito do Vasco — consequentemente, lado esquerdo dos alagoanos.

Em uma boa síntese, os visitantes tentavam muito por aquele lado apresentar mais força física e ofensividade. Não foi à toa que Diniz pedia que Rayan atuasse bem próximo da linha lateral, e a resposta de Márcio foi com o ajuste de Cachoeira para acompanhar as dobradinhas dos vascaínos. Uma boa leitura tática de ambos, que enxergavam os erros e corrigiam no mesmo momento.

Com muito destaque para as pontas, Rayan e Paulo Henrique de um lado; e Cachoeira e Marques do outro, as equipes não aproveitavam a faixa central. Muito por isso que Nuno Moreira teve dificuldades de se apresentar para o jogo, aparecendo somente em uma finalização perigosa que desferiu para a boa defesa de Gabriel Félix. Do outro, Luciano Naninho — conhecido pelos cariocas por ter se destacado no Volta Redonda — teve uma atuação discreta na função de maestro.

A única boa escapada dos donos da casa foi na saída em velocidade justamente pela esquerda. Na segunda metade do primeiro tempo, Tiago Marques disparou com liberdade e trouxe para a direita. O atacante do CSA tentou buscar o contrapé, mas acabou tirando demais de Léo Jardim. Uma boa jogada para quem desejava aproveitar ao menos uma bola ‘vadia’ para abrir o placar.

Foi um primeiro tempo movimentado de tentativas repetidas pelos lados do campo e de uma zaga bem postada do CSA, que praticamente não deixou Vegetti participar do jogo.

Vasco varia mais as jogadas, mas pecou muito na parte técnica

Um dos retornos do Vasco para a partida de hoje, Coutinho lamenta a chance desperdiçada. Foto: Marlon Costa/AGIF — Reprodução.
Um dos retornos do Vasco para a partida de hoje, Coutinho lamenta a chance desperdiçada. Foto: Marlon Costa/AGIF — Reprodução.

 

Na volta para o segundo tempo, os técnicos promoveram mudanças. No CSA, o improdutivo Naninho deu lugar a Baianinho, um homem de velocidade. No Vasco, uma mudança mais ofensiva e construtiva: Maurício Lemos, já amarelado, foi substituído por Thiago Mendes — volante de origem, mas que atua bem recuado para construir o jogo desde o setor de defesa.

Com as trocas, o jogo ficou mais aberto para as jogadas e o Vasco voltou com o mesmo espírito, porém com mais variedade e com mais facilidade para girar a bola. Assim, Nuno Moreira conseguiu ser mais participativo e Vegetti já havia finalizado mais em comparação com o primeiro tempo. O português, aliás, já tinha um padrão de movimentação que tendia para o lado esquerdo (setor de origem do jogador), mas dobrava para uma combinação com David.

As aproximações davam certo, mas duraram pouco em razão da rápido compreensão do CSA de fechar os espaços. Por isso que Diniz colocou Coutinho a campo — como uma solução para as jogadas passarem em seu pé e aproveitar a faixa central. O camisa 10 entrou bem e nos primeiros toques já finalizou ao gol, desperdiçando uma oportunidade em que a bola ficou a feição para o chute.

Do outro lado, o CSA manteve seu comportamento de encontrar um erro na saída vascaína e sair pro ataque. A melhor chance dos alagoanos, até a marca dos 25 minutos, foi um avanço de Baianinho que, cara a cara com Léo Jardim, acabou errando o chute. Por muitos momento, os comandados de Márcio Fernandes estavam encurralados e o Vasco, nesse sentido, seguia na pressão e aumentando o poder de fogo com Loide Augusto.

O angolano entrou para dar uma opção de drible pela esquerda, trazendo a bola de fora pra dentro. Com esse movimento, Lucas Piton teria um corredor aberto para ultrapassagens. Assim, não teria como dar errado e as jogadas fluiriam melhor — a menos que um erro técnico acontecesse. E, para o desespero dos cruzmaltinos e de Fernando Diniz, Loide Augusto aparecia sempre com liberdade para os centros, mas pecava na precisão e no timing destes. Por muitas vezes, o camisa 45 fazia o levantamento quando não havia ninguém na grande área.

Se pelo lado esquerdo haviam equívocos técnicos simples, pelo centro isso não foi um problema. Antes das jogadas erradas, Coutinho orquestrou uma jogada de nível futsal, ao chamar o jogo e buscar uma referência para uma tabela. A devolução primorosa deixou o camisa 10 com o caminho aberto para o arremate, mas não teve a mesma sorte na hora de cortar a marcação e acabou se atrapalhando.

Para coroar um jogo pouco perigoso no segundo tempo, João Victor, zagueiro dos visitantes, recebeu o segundo cartão amarelo e acabou expulso. Para a sorte da equipe de Diniz, a pressão do CSA não teve lances de alta periculosidade e o placar se manteve inalterado. Fim de jogo: CSA 0 x 0 Vasco.

Próximo compromisso de CSA e Vasco

Na sequência das agendas, o CSA enfrenta o Botafogo-PB — um reencontro entre Márcio Fernandes e o clube que comandava. O jogo é válido pela 15ª rodada da Série C e será disputado no próximo sábado (02), às 17h (de Brasília).

O Vasco, por sua vez, segue em terras alagoanas e Fernando Diniz comandará uma sessão de treinamentos antes do próximo compromisso. No prosseguimento de seus afazeres, o Gigante da Colina vai enfrentar o Mirassol, fora de casa. O duelo está programado para ser realizado no Estádio José Maria de Campos Maia, também no sábado, mas às 18h30.

Jogo de volta entre CSA e Vasco será na semana que vem, mais especificamente no dia 7. A bola vai rolar às 20h, em São Januário, valendo uma vaga nas quarta de final da Copa do Brasil.

Ficha técnica da partida

CSA 0 x 0 Vasco

Local: Estádio Rei Pelé, Maceió (AL)
Data: Quarta-feira, 30 de julho de 2025
Horário: 19h (de Brasília)

Árbitro: Rafael Rodrigo Klein (RS)
Assistentes: Rafael da Silva Alves (RS) e Luanderson Lima dos Santos (BA)
Quarto árbitro: Bruno Pereira Vasconcelos (BA)
VAR: Emerson de Almeida Ferreira (MG)

Gol(s): —

Cartões amarelos:

  • CSA: Camacho, 6’/2°T; Felipe Albuquerque, 37’/2°T
  • Vasco: Maurício Lemos, 45’/1°T; João Victor, 13’/2°T; Lucas Piton, 33’/2°T

Cartão vermelho:

  • Vasco: João Victor, 40’/2°T (segundo cartão)

CSA: Gabriel Félix; Felipe Albuquerque, Islan, Betão e Enzo; Nicola, Camacho e Luciano Naninho (Baianinho, no intervalo); Brayann (Silas, 27’/2°T), Guilherme Cachoeira (Marcelinho, 33’/2°T) e Tiago Marques (Adiel, 27’/2°T). Técnico: Márcio Fernandes.

Vasco: Léo Jardim; Paulo Henrique, João Victor, Maurício Lemos (Thiago Mendes, no intervalo) e Lucas Piton; Hugo Moura e Tchê Tchê; Rayan (Lucas Freitas, 44’/2°T), Nuno Moreira (Loide Augusto, 23’/2°T) e David (Philippe Coutinho, 12’/2°T); Vegetti. Técnico: Fernando Diniz

Créditos da foto de capa: Marlon Costa/AGIF — Reprodução.