Diniz continua, mas a pergunta ficou ainda maior
Oficialmente, a era Fernando Diniz no Corinthians ainda não acabou. Mas a derrota por 3 a 1 para o Fluminense, na Neo Química Arena, fez a pergunta ganhar outra dimensão. Não se trata mais apenas de saber se o treinador continuará no cargo. A diretoria decidiu pela permanência, mesmo depois de avaliar a possibilidade de mudança, e recebeu também o respaldo de lideranças do elenco.
Agora, o problema é outro: o que o Corinthians espera que Diniz consiga entregar depois de receber mais uma oportunidade? O cenário é difícil de ignorar.
O Corinthians chegou à sexta derrota consecutiva no Campeonato Brasileiro, foi eliminado da Libertadores e terminou a 28ª rodada apenas três pontos acima da zona de rebaixamento. Em Itaquera, sob chuva, mais de 38 mil torcedores acompanharam uma equipe pressionada antes mesmo de a bola rolar e que voltou a deixar o campo cercada de questionamentos.
Diniz permanece. E justamente por isso a Data Fifa ganhou um peso enorme.
O período sem jogos precisa servir para alguma coisa. Não necessariamente para reinventar completamente o Corinthians, mas para encontrar respostas que já não podem mais ser adiadas.
O Corinthians mostrou no segundo tempo que existe uma solução
A derrota para o Fluminense teve um detalhe que não pode ser ignorado.
O Corinthians jogou mal no primeiro tempo. A equipe voltou a apresentar aquele futebol de circulação excessivamente lateral, pouca agressividade na construção e dificuldade para encontrar espaços no último terço.
O Fluminense aproveitou. Hulk abriu o placar aos 23 minutos, depois de uma falha do sistema defensivo corintiano, e o cenário parecia repetir aquilo que o torcedor já vinha vendo nas últimas partidas.
Só que Diniz mexeu no intervalo. Iago Machado deixou a equipe, Gui Negão entrou, Raniele foi recuado para a defesa e Memphis Depay passou a atuar mais próximo do ataque, sem ficar preso à função de referência. A mudança alterou o jogo.
O Corinthians passou a encontrar espaços pelos dois lados, Gui Negão deu mais mobilidade ao ataque e Memphis ganhou liberdade para participar das jogadas em uma região mais próxima da área.
Durante aproximadamente 20 minutos, o Corinthians apresentou uma versão completamente diferente. Foi agressivo, criou oportunidades e obrigou Fábio a trabalhar. O empate veio aos 10 minutos, depois de uma finalização de Memphis que terminou em rebote para Gustavo Henrique completar.
Não foi uma reação casual. Diniz encontrou, durante a própria partida, uma estrutura que funcionou melhor.
E esse talvez seja o ponto mais importante para o treinador levar para a Data Fifa.
O problema é que a solução não durou
Se existe um motivo para acreditar que o Corinthians ainda pode encontrar uma saída, também existe um motivo enorme para preocupação. A melhora durou pouco.
Aos 30 minutos do segundo tempo, Hulk marcou novamente e devolveu a vantagem ao Fluminense. A partir daquele momento, o Corinthians perdeu organização, voltou a cometer erros e deixou de apresentar a intensidade que havia mostrado pouco antes.
O terceiro gol, marcado por Kevin Serna nos minutos finais, apenas confirmou o desmoronamento de uma equipe que havia conseguido reagir. Esse contraste é revelador.
O Corinthians não parece incapaz de jogar futebol. O problema é conseguir sustentar aquilo que funciona.
Contra o Fluminense, a mudança tática mostrou que existem alternativas dentro do elenco. Mas também mostrou que elas ainda não estão incorporadas ao comportamento da equipe durante os 90 minutos.
Diniz precisa encontrar uma maneira de fazer o Corinthians jogar como jogou naquele trecho do segundo tempo desde o início — e, principalmente, continuar jogando assim quando o adversário voltar a pressionar.
A permanência de Diniz aumenta a responsabilidade do elenco
A decisão de manter o treinador também precisa ser analisada pelo outro lado. Segundo as informações divulgadas após a partida, lideranças do elenco foram ao vestiário pedir a continuidade de Diniz. A manifestação teve peso na decisão pela permanência.
Isso cria uma responsabilidade adicional para os jogadores. Se o elenco acredita que o treinador ainda pode conduzir a reação, precisa demonstrar isso dentro de campo. Não basta defender Diniz publicamente ou internamente. É necessário entregar um futebol que sustente a decisão da diretoria.
Até aqui, os resultados fazem justamente o contrário.
Seis derrotas consecutivas no Brasileirão e uma eliminação continental colocam o Corinthians em uma situação na qual cada partida passa a ser acompanhada pela possibilidade de o time se aproximar ainda mais da zona de rebaixamento.
Por isso, a continuidade não pode significar acomodação. Diniz ganhou uma nova oportunidade. O elenco também ganhou tempo para trabalhar. Agora, ambos precisam transformar esse respaldo em desempenho.
Gui Negão mostrou que o ataque pode ter outro caminho
A atuação contra o Fluminense também deixou uma resposta importante para o setor ofensivo. A entrada de Gui Negão mudou o comportamento do Corinthians. O atacante deu mais mobilidade ao setor, abriu espaços e permitiu que Memphis Depay deixasse de atuar tão isolado na frente.
Essa mudança não precisa significar que Gui Negão seja automaticamente a solução para o ataque. O ponto é outro: o Corinthians precisa encontrar uma estrutura que ofereça mais opções para chegar à área.
Memphis tem qualidade para participar da construção e também para aparecer próximo do gol. Para isso, porém, precisa encontrar companheiros capazes de movimentar a defesa adversária e criar linhas de passe.
Foi justamente o que aconteceu em parte do segundo tempo.
O problema é que o Corinthians ainda produz essas soluções de maneira muito irregular. Em alguns momentos, consegue acelerar e criar perigo. Em outros, volta à circulação previsível, com pouca movimentação e dificuldade para transformar posse em chances reais.
A Data Fifa precisa servir também para trabalhar essa variação. Diniz não precisa abandonar seus princípios. Precisa encontrar maneiras diferentes de aplicá-los.
A Data Fifa virou um laboratório para Diniz
É por isso que o período sem jogos chega em um momento tão importante. O Corinthians precisava de tempo para trabalhar, e agora terá. Diniz poderá ajustar a estrutura defensiva, testar alternativas para o ataque e, principalmente, tentar transformar a reação apresentada contra o Fluminense em algo mais constante.
Não será necessário criar um time completamente novo, mas, sim, encontrar um time que funcione. A diferença parece pequena, mas é enorme.
O Corinthians já mostrou que consegue reagir durante uma partida. Já mostrou que pode criar oportunidades quando muda sua estrutura. Já mostrou que Memphis pode ser mais participativo quando não fica isolado na frente.
O que ainda falta é transformar esses sinais em uma identidade minimamente confiável. Porque o campeonato não vai esperar o Corinthians resolver todos os seus problemas.
A era Diniz acabou? Ainda não. Mas a próxima fase precisa ser diferente
Diante deste cenário, ao menos por ora, era Fernando Diniz no Corinthians não acabou. A diretoria decidiu mantê-lo. O elenco demonstrou apoio. E a Data Fifa oferece ao treinador uma oportunidade importante para trabalhar sem a pressão de uma partida a cada poucos dias.
Mas isso não significa que a situação esteja controlada. Pelo contrário.
A permanência aumenta a cobrança porque, a partir de agora, o Corinthians não poderá justificar a falta de tempo para trabalhar. Diniz terá espaço para procurar soluções, corrigir problemas e preparar uma equipe capaz de competir melhor.
A derrota para o Fluminense mostrou duas coisas ao mesmo tempo. A primeira é que o Corinthians continua cometendo erros que ajudam a explicar a sequência negativa. A segunda é que existe, dentro do próprio elenco, uma alternativa que funcionou melhor do que aquilo que vinha sendo apresentado. O desafio é fazer essa alternativa durar.
Se Diniz conseguir transformar os 20 melhores minutos do Corinthians contra o Fluminense em um padrão de atuação, a Data Fifa terá cumprido seu papel. Se o time voltar a apresentar os mesmos problemas, a decisão de mantê-lo será novamente colocada em discussão.
Por enquanto, a era Diniz continua. Mas, depois de tudo o que aconteceu nas últimas semanas, continuar já não é suficiente. O Corinthians precisa começar a mostrar por que ainda acredita que Fernando Diniz é o treinador capaz de tirá-lo dessa crise.
Foto: Rodrigo Coca/Corinthians/Divulgação



