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De Jong assume o comando e cresce no Barça na ausência de Pedri

De Jong virou o centro de gravidade do Barcelona no momento em que o time mais precisava de equilíbrio. Com Pedri fora por lesão novamente, o holandês deixou de ser apenas uma peça importante para se transformar no motor do meio-campo (mais uma vez), assumindo responsabilidades, ditando o ritmo e liderando o jogo do time blaugrano com e sem bola. Em meio à apreensão pela ausência do espanhol, foi ele quem manteve o Barça funcional, competitivo e, sobretudo, organizado.

A lesão de Pedri, sofrida no dia 22 de janeiro, em Praga, soou como um alerta geral no clube, provando mais uma vez, o motivo do ex-Ajax ainda estar no elenco, e não ter sido negociado ainda. Fora por cerca de um mês após um problema no bíceps femoral da perna direita, o camisa 8 deixava um vazio técnico e simbólico difícil de preencher. Mas, longe de improvisos ou soluções paliativas, o Barcelona encontrou em De Jong uma resposta concreta, e convincente.

A resposta que o Barça esperava desde 2019

Desde que chegou ao Barcelona, vindo do Ajax, em 2019, De Jong sempre foi tratado como um jogador especial, atraindo as atenções de diversos times do mundo, principalmente da Inglaterra, como foi o caso de Manchester United, Tottenham e entre outros. Técnica refinada, leitura de jogo acima da média e capacidade de atuar em diferentes funções do meio-campo nunca estiveram em discussão. O problema, por muito tempo, foi a regularidade.

Agora, em um contexto mais favorável e com a confiança explícita da diretoria, o holandês parece finalmente confortável. Não por acaso, essa sequência de boas atuações surge poucos meses depois da renovação de contrato até junho de 2029, anunciada em outubro. Uma decisão que, naquele momento, gerou debate e que hoje começa a fazer todo o sentido.

Sem Pedri, De Jong deixou de ser coadjuvante e assumiu responsabilidades, assim como já havia feito pelo espanhol, quando se machucou no passado. Entretanto, brilhou de primeira, mas depois caiu de produção. Hoje, se apresenta novamente como uma válvula de escape, uma opção para o Barça se tranquilizar, mesmo perdendo um dos seus melhores jogadores.

Um recital completo de De Jong

A atuação que melhor resume essa nova fase aconteceu no Carlos Belmonte. Ali, De Jong entregou um jogo completo, daqueles que justificam qualquer aposta de longo prazo, meio que dando frutos novamente, é claro que não com a frequência imaginada no momento em que o clube espanhol colocou o dinheiro na mesa do Ajax, mas com importância. Defensivamente atento, ofensivamente participativo e, sobretudo, dominante na construção das jogadas.

Os números não mentem. O meio-campista foi o terceiro jogador do Barcelona com mais intervenções na partida, somando 92 ações com bola. À frente dele, apenas Lamine Yamal (106) e Eric (104), dois atletas que vêm sendo fundamentais no modelo de jogo de Flick nesta temporada. O quarto colocado, Gerard Martín, apareceu bem atrás, com 75 intervenções.

Isso mostra que De Jong não apenas participou: ele esteve constantemente envolvido no jogo.

Outro ponto que chama atenção é o impacto defensivo do profissional. De Jong foi o jogador de linha que mais recuperou bolas na partida, com cinco ações bem-sucedidas, mesmo número de Lamine Yamal. Em um time que aposta na posse, mas também exige pressão e recomposição, esse tipo de entrega faz diferença.

Taticamente, o desafio era ainda maior. Em Albacete, De Jong atuou mais adiantado, praticamente exercendo a função de Pedri, enquanto Marc Bernal ficou responsável pelo papel mais fixo na primeira linha. Ainda assim, foi o neerlandês quem mais completou passes no time: 80 no total, demonstrando ser capaz de se movimentar bastante, um dos seus pontos fortes, a mobilidade e o fôlego.

Além disso, De Jong foi o segundo jogador do Barça com mais passes certos no último terço do campo, reforçando sua influência direta na criação ofensiva.

A ausência de Pedri e a nova hierarquia

Se faltava um momento decisivo para coroar a atuação, ele veio na forma de assistência. Foi De Jong quem encontrou Lamine Yamal no lance do 0 a 1, com um passe preciso, no tempo exato, quebrando linhas e colocando o jovem em condição perfeita para finalizar.

Não foi apenas um número na súmula. Foi um gesto simbólico de quem entende o jogo, lê o espaço e assume a responsabilidade criativa em um time carente de seu principal organizador. Um pouco de confiança para o torcedor, que com certeza ficou bem apreensivo com a lesão de Pedri, simplesmente uma realidade em que o Barça fica tranquilo sem o camisa oito.

É claro que o retorno de Pedri mudará novamente o cenário. Ele segue sendo peça fundamental e titular absoluto quando está saudável. Mas algo ficou claro nesse intervalo: De Jong mostrou que pode liderar o meio-campo do Barcelona em momentos de pressão.

Mais do que suprir uma ausência, o neerlandês aproveitou o espaço para reafirmar sua importância. Mostrou personalidade, intensidade e maturidade, características que, por vezes, pareciam intermitentes ao longo de sua passagem pelo clube.

Um passo à frente que pode deixar legado

Quando Pedri voltar, Flick terá uma enorme dor de cabeça positiva, porque neste momento, quando um espaço é aberto, de duas uma, ou os atletas melhoraram na tentativa de ocupar bem o espaço, ou cairão de produção e mostrarão que não são capazes de continuar na equipe, ou serem importantes. A tendência é que o jovem espanhol reassuma seu papel central em breve, mas o Barça agora sabe que tem em De Jong um jogador capaz de assumir o controle quando necessário.

Em um clube que vive de ciclos, reconstruções e apostas, esse tipo de resposta é valiosa. De Jong não apenas “quebrou o galho”. Ele assumiu o comando, segurou o meio-campo e mostrou que está pronto para ser protagonista quando o time mais precisa.

Se Pedri é o farol, De Jong provou que também sabe iluminar o caminho e, por enquanto, tem feito isso com autoridade.