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Sem confiança em quadra, derrota de João Fonseca também expõe fragilidade do brasileiro

João Fonseca sofreu uma dura derrota na terceira rodada do Masters 1000 de Cincinnati. Jogando muito mal, o brasileiro estava irreconhecível em quadra e cometia muitos erros ‘fáceis’. No entanto, Térence Atmane é o tipo de adversário que mais frustra o jovem carioca.

Um tenista que não gosta de dar ritmo ao seus oponentes, o francês, além de tudo, ainda é canhoto. Também é um bom sacador e tem um ótimo forehand, sendo sempre necessário forçar a devolução. E esse é um problema que João tem enfrentado recentemente, o que dificultou ainda mais o confronto.

Os erros também geraram outro obstáculo: a frustração. Com Fonseca ‘perdendo a cabeça’, a devolução ficou ainda menos efetiva, criando pontos fáceis para Atmane.

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João Fonseca foi eliminado na terceira rodada do Masters 1000 de Cincinnati. Foto: Divulgação/Instagram @joaoffonseca

Análise da derrota de João Fonseca

Quando falamos que o tenista é um bom sacador, com um ótimo/bom forehand, não significa que irá conseguir muitos aces. Terence até fez oito, mas esse não é o ponto. A questão é que o atleta terá maior sucesso nos games de serviço, podendo ser com somente a primeira bola.

57% de seu primeiro saque entrou em quadra, o que não é uma boa estatística. Contudo, o francês venceu 79% dos pontos no primeiro serviço e 65% no segundo. Ao comparar com João Fonseca, vemos a falha: 70% do primeiro saque entrou, só que ganhou 62% no primeiro e 47% no segundo. Isso deixa evidente como o adversário se saiu bem sacando, ao contrário do brasileiro.

Mas não só isso. Atmane usa seu bom saque não para pontuar com um ace, mas para pontuar com seu forehand logo na primeira bola. Pesado, forte e rápido, o golpe dá poucas chances para um oponente pontuar. O francês havia enfrentado Flavio Cobolli na rodada anterior de Cincinnati, que é um defensor melhor do que João, e a combinação de serviço + forehand já fez estrago.

Durante a partida, Fonseca não conseguiu encontrar respostar para lidar com o golpe e foi se frustrando. Além disso, o principal ponto para João Fonseca na partida era não ser quebrado e, assim, brigar por apenas uma quebra em cada set. Acontece que o brasileiro não teve sucesso nessa missão.

Em ambos os sets, acabou sendo quebrado já no começo. Isso deu maior confiança para o oponente, que ficou mais solto e com maior liberdade para bater com o ferehand. O jovem de 18 anos fez aquilo que não podia: alimentou o rival. E isso também ficou claro com a quantidade de winners, 28 para Atmane e apenas sete para o carioca.

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João Fonseca em partida no Cincinnati Open. Foto: Divulgação/Instagram @joaoffonseca

Dificuldade de João

Não é um segredo que esse tipo de match up frustra João Fonseca. O brasileiro gosta de bater e, quando não tem tanto êxito, não consegue ficar tão solto. Para se sair bem nesses jogos, João precisa agir como um ‘servebot’ e aproveitar qualquer brecha no saque do oponente. E já teve sucesso assim antes, quando derrotou Ugo Humbert, em março desse ano.

Só que se sustentar dessa forma, principalmente não sendo o seu exato estilo de jogo, não é fácil. O mental de João é sempre muito elogiado, mas ainda é possível melhorar. E a frustração de não conseguir aplicar aquilo que queria é um desses fatores. Principalmente em partidas onde o match up já não é bom.

Passando por uma pequena fase ruim, algo comum para qualquer atleta de alto rendimento, o brasileiro agora precisa mostrar evolução. E seria excelente que essa melhora viesse primeiro nessa grande dificuldade que encontra.

Foto: Divulgação