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Detroit volta ao topo do Leste, mas queda nos playoffs muda percepção da temporada

Os Detroit Pistons passaram grande parte da temporada sendo tratados como a maior história de crescimento da NBA em 2025-26. Depois de vencer apenas 14 jogos dois anos atrás, Detroit terminou a temporada regular com 60 vitórias, a terceira melhor campanha da história da franquia, recolocando o time no topo da Conferência Leste pela primeira vez em décadas.

Mas a maneira como a temporada terminou mudou completamente a percepção sobre esse grupo jovem.

Depois de quase ser eliminado na primeira rodada para o Orlando Magic, Detroit reagiu de forma impressionante, abriu 2 a 0 sobre o Cleveland Cavaliers nas semifinais do Leste e parecia pronto para alcançar uma inesperada final de conferência. Porém, a derrota pesada no Jogo 7 dentro da Little Caesars Arena deixou uma sensação inevitável de oportunidade desperdiçada.

Ainda assim, o cenário geral da franquia mudou completamente em relação aos últimos anos.

Pela primeira vez em muito tempo, os Pistons parecem ter encontrado um núcleo jovem capaz de sustentar competitividade real dentro da NBA.

Cade Cunningham lidera salto histórico dos Pistons

Foto: Wendell Cruz-Imagn Images

O principal responsável por essa transformação foi Cade Cunningham.

O armador deu um salto definitivo como estrela da liga e se consolidou como o cérebro ofensivo da equipe. Cunningham terminou a temporada com médias de 23,9 pontos, 9,9 assistências e 5,5 rebotes por jogo, sendo tratado por muitos analistas como um dos melhores criadores ofensivos da NBA fora Nikola Jokić.

Mais do que os números, o impacto dele apareceu na organização ofensiva de Detroit.

Os Pistons passaram anos sem possuir um jogador capaz de controlar ritmo, gerar vantagens constantemente e assumir responsabilidade nos momentos decisivos. Cunningham mudou isso completamente. O ataque passou a funcionar ao redor dele, principalmente nas situações de pick-and-roll, onde sua conexão com Jalen Duren virou uma das mais eficientes da NBA.

Duren também viveu a melhor temporada da carreira.

O pivô terminou o ano com médias de 19,5 pontos e 10,5 rebotes por jogo, recebeu sua primeira convocação para o All-Star Game e começou a ser tratado como um dos jovens jogadores mais dominantes fisicamente da liga perto da cesta.

Defensivamente, Detroit também construiu uma identidade muito forte.

Ausar Thompson virou finalista ao prêmio de Defensor do Ano graças à sua versatilidade absurda na marcação, enquanto Isaiah Stewart continuou sendo a personificação da agressividade física que historicamente marcou a franquia.

O resultado apareceu diretamente nos números. Detroit terminou a temporada com rating defensivo de 108,9, o segundo melhor da NBA, atrás apenas do Oklahoma City Thunder.

Tudo isso ajudou a recolocar os Pistons em uma conversa histórica dentro da própria franquia.

Detroit só venceu 60 partidas em três temporadas ao longo de toda sua história. As outras campanhas aconteceram em 1988-89, durante o primeiro título dos “Bad Boys”, e em 2005-06, no auge da era liderada por Ben Wallace e Chauncey Billups.

Reação nos playoffs evitou desastre, mas eliminação deixou cicatriz

Se a temporada regular elevou completamente o patamar das expectativas, os playoffs acabaram trazendo de volta algumas dúvidas importantes sobre maturidade competitiva.

A série contra Orlando quase virou um desastre.

Os Pistons chegaram a ficar perdendo por 3 a 1 para o oitavo colocado do Leste e pareciam próximos de uma eliminação extremamente decepcionante. Mas justamente nesse momento o elenco mostrou personalidade pela primeira vez.

Detroit venceu três jogos consecutivos e virou a série.

Nesse período, Cunningham assumiu completamente o protagonismo ofensivo da equipe e terminou liderando toda a NBA em média de pontos nos playoffs naquele momento, com 29,3 por jogo, acima inclusive de Shai Gilgeous-Alexander.

A recuperação trouxe enorme confiança para o grupo.

Contra Cleveland, Detroit abriu 2 a 0 nas semifinais da Conferência Leste e começou a ser tratado como uma ameaça real dentro da disputa pelo título do Leste. O problema é que justamente nesse momento começaram a aparecer os limites naturais de um elenco ainda muito jovem.

Os Cavaliers venceram três partidas consecutivas e retomaram completamente o controle emocional da série. Mais uma vez diante da eliminação, os Pistons responderam bem no Jogo 6, vencendo fora de casa e entregando a Cleveland sua primeira derrota como mandante em toda a pós-temporada.

Mas o Jogo 7 mudou completamente o sentimento sobre a temporada.

Dentro da Little Caesars Arena, os Pistons sofreram uma derrota pesada justamente no momento mais importante do ano. A equipe parecia emocionalmente desgastada e ofensivamente sem respostas para a pressão defensiva dos Cavaliers.

Jalen Duren, que havia feito um grande Jogo 6 com 15 pontos e 11 rebotes, caiu muito de rendimento no confronto decisivo e terminou com apenas sete pontos em 26 minutos.

Tobias Harris, importante durante grande parte dos playoffs, também desapareceu ofensivamente na reta final da série, terminando o Jogo 7 sem converter nenhum dos seis arremessos que tentou.

E justamente por isso a eliminação deixou sensação tão amarga em Detroit.

Porque o time não caiu como azarão absoluto. Em determinado momento, os Pistons pareciam realmente preparados para alcançar a final da Conferência Leste.

O futuro da franquia passa pelas decisões da próxima offseason

Foto: Alonzo Adams-Imagn Images

Apesar da frustração, o cenário de longo prazo continua extremamente positivo para Detroit.

Cunningham parece pronto para liderar uma franquia vencedora durante muitos anos. Thompson virou uma peça defensiva extremamente valiosa. Stewart segue representando a identidade física da equipe. E Duren continua sendo um dos pivôs jovens mais talentosos da NBA.

Mas agora chegam decisões importantes.

A principal delas envolve justamente Duren.

Depois de sua primeira temporada de nível All-Star, o pivô parecia naturalmente encaminhado para receber um contrato máximo. Porém, as oscilações ofensivas durante os playoffs levantaram dúvidas importantes sobre qual deve ser o tamanho do investimento da franquia nele neste momento.

Além disso, ficou claro que Detroit ainda precisa adicionar mais criação ofensiva e principalmente mais espaçamento ao redor de Cunningham. Em vários momentos dos playoffs, o ataque dos Pistons ficou excessivamente dependente do armador criando praticamente tudo sozinho.

A diretoria liderada por Trajan Langdon agora terá uma offseason decisiva pela frente.

Porque os Pistons já mostraram que possuem talento suficiente para competir no topo do Leste.

O próximo passo será transformar esse elenco jovem em um time capaz de sustentar esse nível quando a pressão dos playoffs realmente aumenta.

E talvez essa seja justamente a principal diferença entre ser apenas um time promissor e se transformar em um verdadeiro candidato ao título da NBA.

(Foto de capa: Rick Osentoski-Imagn Images)

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Kaique