Deulofeu vem enfrentando uma jornada daquelas que testa mais do que o seu joelho: testa coragem, confiança e paciência. Ele está longe dos gramados há quase três anos, depois de romper o ligamento cruzado anterior e o desgarro de menisco no joelho direito em novembro de 2022, durante um jogo do Udinese. O espanhol chegou a tentar voltar em janeiro de 2023, entrou em campo, mas os problemas persistiram. Uma infecção encerrou de vez o retorno, e desde então ele luta dia após dia para voltar a ser o jogador que tanta gente admirou.
Um histórico de talento e números expressivos
Até ser afastado, Deulofeu já havia mostrado que jogar no Udinese não era só “mais um capítulo” na carreira, era talvez a melhor página dele. Em 63 jogos pelo clube italiano na Serie A, ele acumulou 16 gols e 12 assistências. Na temporada 2021‑22, ele teve seu auge recente: participou bastante, marcou 13 vezes, deu 5 assistências, sendo uma peça ofensiva vital para o time.
Mesmo nas semanas mais escuras da lesão, os números dele foram interessantíssimos, passes decisivos, dribles e criação de jogadas mostravam um jogador ainda muito relevante. Por exemplo, no campeonato de 2022‑23, antes da suspensão definitiva, ele fez 6 assistências em 15 jogos da Serie A, mostrando que não era só buscar oportunidades para si: ele construía para os outros. Também tinha boas médias de chutes por partida, precisão de passe na casa dos 80‑82%, bom número de passes que desencadearam grandes chances.
As complicações que estenderam o calvário
A realidade do espanhol se tornou uma catástrofe depois de sua cirurgia em Roma: o joelho desenvolveu uma infecção que afetou a cartilagem. Essa complicação não é “mais um problema”: ela transformou a recuperação em algo que Deulofeu define como talvez “a recuperação mais difícil da história do futebol”. Essa infecção degrada estruturas do joelho e coloca em risco até mesmo a vida funcional do atleta no futuro, especialmente em questões de mobilidade.
Além disso, ele já não joga desde janeiro‑2023: o último “retorno” durou apenas 13 minutos. Desde então, o processo é de reabilitação integral, com sessões diárias, exercícios isolados, muito trabalho médico. O Udinese rescindiu o contrato em janeiro de 2025, mas manteve o suporte para sua recuperação, o clube não abandonou Deulofeu, e ele vai seguindo firme com esperança.
A força de continuar acreditando
Mesmo com os diagnósticos duros, com a possibilidade de sequelas e até de não poder voltar como antes, Deulofeu mostra que o que manda é a fibra emocional. Ele reconhece que o joelho pode estar comprometido para sempre e que, em alguns momentos, pensou em parar, mas o amor pelo jogo, o apoio da família e a esperança de voltar impulsionam seus dias. Ele escuta o filho perguntando “quando você vai jogar de novo?”, e isso pesa bastante: ser pai, atleta, homem, tudo ao mesmo tempo.
O que os dados ainda guardam de Deulofeu
Os números reforçam que ele tinha se tornado indispensável no Udinese antes da lesão. A temporada 2021‑22, por exemplo, foi de farol ofensivo: gols, assistências, presença constante em jogadas-chave do time. Mesmo com menos volume no 2022‑23, ele mantinha qualidade nos passes decisivos, na criação, nas participações ofensivas. Há dados que mostram ele entre os jogadores com mais “key passes per 90 minutos” na liga, mesmo com menos jogos.
Também há estatísticas de precisão de passe que se mantinham boas, ~ 80‑82%, o que pra atacante criativo que ocupa espaços e tenta muitos dribles é sinal de controle mesmo sob pressão.
Olhando para frente
Não dá pra dizer quando Deulofeu vai voltar de verdade. Talvez não volte da forma como todos sempre viram, tanto na Premier League, La Liga, Série A e até, no FIFA, há a grande possibilidade de que o joelho dê sinais esporádicos de dor. Mas a convicção existe. Ele quer pisar de novo o gramado, entrar em campo, sentir o vento, a torcida, o chute, tudo o que já viveu. Ele treina, faz fisioterapia, recebe tratamento específico, segue lutando.
Se acontecer, será vitória dupla: não só dele como jogador, mas de quem nunca desistiu, de quem valorizou cada momento em campo, cada assistência, cada drible que deixou marcado para quem acompanhou. Deulofeu já fez muito, os dados comprovam; se voltar, vai ser mais do que retorno físico: vai ser prova daquilo que às vezes a gente esquece no futebol, que mais que talento, precisa vontade imbatível.
Foto: Gabriele Maricchiolo


