Roma: Quem são os jogadores da discórdia entre Ranieri e Gasperini?
Futebol Serie A

Roma: Quem são os jogadores da discórdia entre Ranieri e Gasperini?

A relação entre Claudio Ranieri e Gian Piero Gasperini já não é mais apenas profissional, virou conflito aberto. Os dois treinadores divergem em quase tudo: gestão do elenco, recuperação de lesionados, comunicação e, principalmente, na forma como a Roma construiu seu elenco nas últimas janelas. 

Foram 12 contratações que custaram quase 90 milhões de euros. Nem todas foram bem recebidas pelos dois lados, e o rendimento em campo expôs claramente as diferenças de visão.

Analisando caso a caso, fica evidente onde o consenso nunca existiu e onde o trabalho de Gasperini foi prejudicado ou limitado.

As contratações que geraram mais atrito na Roma

Wesley foi um dos poucos acertos claros da Roma. Chegou por 25 milhões do Flamengo e, mesmo atuando muitas vezes fora da posição original, entregou 35 jogos, 4 gols e 2 assistências, além de se firmar na seleção brasileira. Gasperini o queria desde o tempo de Atalanta e conseguiu utilizá-lo com proveito.

El Aynaoui, contratado por cerca de 25 milhões do Lens a pedido de Frederic Massara, não convenceu. Com apenas 13 jogos como titular em 29 aparições, o marroquino mostrou versatilidade, mas faltou impacto. Gasperini nunca pareceu totalmente convencido do perfil.

Robinio Vaz, chegado em janeiro por 22 milhões de Marselha, virou símbolo das divergências. Gasperini esperava um atacante mais pronto para brigar por Champions. Recebeu um jovem ainda cru, que teve apenas 10 participações e um gol. O francês é projeto de futuro, mas o técnico queria solução imediata.

Ziolkowski, zagueiro polonês de 2005 comprado por 6,6 milhões, ganhou espaço e até marcou um gol, mas depois de janeiro perdeu terreno. Ghilardi, mais experiente, acabou sendo preterido em alguns momentos, o que também gerou ruído interno.

Bailey chegou como alternativa a outros nomes e durou apenas cinco meses. Lesões limitaram sua contribuição a 14 jogos e um assist. O giamaicano voltou ao Aston Villa e recuperou o ritmo rapidamente, o que deixou clara a frustração de Gasperini com o perfil low-risk escolhido pela diretoria.

Ferguson, outro “plano B” por 3 milhões de empréstimo, também não agradou. O escocês até marcou 5 gols em 22 jogos, mas Gasperini criticou abertamente sua resistência física e mental para aguentar a pressão de Roma. Lesionou-se em janeiro e saiu de cena.

Malen, por outro lado, foi o grande acerto de janeiro. Por apenas 2 milhões de empréstimo (com opção de 25 milhões), o holandês entregou 10 gols em 12 jogos na Serie A. Gasperini finalmente teve o atacante vertical e decisivo que tanto pedia.

Zaragoza foi outro investimento de compromisso que não funcionou. O espanhol de 2001, emprestado do Bayern por 2 milhões, deu apenas um assist e não convenceu Gasperini, que esperava mais qualidade técnica.

Tsimikas, contratado para ser alternativa na lateral esquerda, foi um dos maiores flops. Com apenas 17 jogos na Serie A e pouquíssimos minutos de impacto, o grego não conseguiu superar Angelino ou forçar Wesley a voltar à direita. Sua passagem foi discreta e decepcionante.

Venturino, jovem de 2006 chegado via troca com o Genoa, teve apenas oito aparições e uma como titular. Representa mais um caso de aposta em potencial que ainda não rendeu frutos imediatos.

O balanço geral e a pressão sobre o projeto da Roma

Dez dos 12 reforços da Roma geraram algum tipo de discordância entre Gasperini e a diretoria. Alguns foram claramente escolhas do treinador (Wesley, Malen), outros foram imposições ou compromissos da área técnica (Vaz, Bailey, Ferguson, Zaragoza). O resultado é um elenco que ainda não tem cara definida e que, em muitos momentos, pareceu dividido entre duas visões diferentes de futebol.

Gasperini cobrava peças mais prontas e com características específicas para seu sistema de pressão alta e intensidade. A diretoria, limitada por fair play financeiro, optou por misturar apostas de futuro com soluções de custo controlado. O meio-termo não satisfez completamente nenhum dos lados.

Agora, com a temporada se aproximando do fim e o título da Serie A inalcançável, a Roma precisa decidir qual caminho seguir. Manter Gasperini exigirá mais alinhamento no mercado. Manter a atual estrutura societária exigirá mais paciência com o treinador. O que não dá mais para sustentar é a convivência entre duas visões tão distintas, sem que isso continue prejudicando o desempenho no campo.

O elenco da Roma tem qualidade, mas ainda falta identidade. Enquanto Ranieri e Gasperini não falarem a mesma língua sobre contratações, o Botafogo continuará patinando entre potencial e resultados concretos.

Foto: AS Roma