Gasperini na Roma próximo ao fim
Futebol Serie A

Nada muda na Roma: números de Gasperini expõem repetição dos últimos anos

A Roma parece presa a um ciclo difícil de quebrar. A vitória sobre o Lecce deu a impressão de retomada, mas durou pouco: na rodada seguinte, nova queda — desta vez diante da Inter de Milão. A derrota por 5 a 2 escancara um cenário oposto ao esperado e amplia a má fase, agora com três tropeços nos últimos quatro jogos da Lega Serie A.

A sequência derrubou os giallorossi para a sexta colocação e reforça uma sensação já conhecida: a de um time que muda de cara, mas não de destino. Ano após ano, a Roma se reinventa, mas o resultado parece sempre o mesmo.

Um filme que a Roma já viu

Foto: Divulgação/AS Roma
Foto: Divulgação/AS Roma

 

Depois de um início acima das expectativas, a equipe perdeu fôlego. E o mais curioso é que, em termos de pontuação, o desempenho atual pouco difere das últimas temporadas.

Na edição 2024/25, por exemplo, o roteiro foi inverso: início ruim, trocas no comando técnico — com Daniele De Rossi, Ivan Jurić e Claudio Ranieri — e uma arrancada final que quase levou os giallorossi à Champions League. Na mesma altura do campeonato, a Roma somava 53 pontos. Hoje, tem 54. A diferença é mínima — e escancara a repetição do padrão.

Na prática, o cenário é até mais preocupante. Na última temporada, a equipe terminou com 69 pontos. Para superar essa marca, o time de Gian Piero Gasperini precisará de uma reta final consistente — algo que, neste momento, parece distante.

Vale lembrar também que a sequência negativa não começou agora. Antes mesmo da Data Fifa, a Roma já havia sido derrotada pelo Como, fora de casa, e eliminada da Europa League pelo Bologna em pleno Stadio Olimpico.

Ou seja, Gasperini teve tempo para treinar e ajustar a equipe. Ainda assim, a resposta em campo não veio. Nem mesmo a vitória sobre o Lecce foi suficiente para mudar o panorama — especialmente após a goleada sofrida no Giuseppe Meazza, que acende um alerta ainda maior para a sequência da temporada.

Trocam-se os nomes, ficam os números

O dado mais simbólico está na comparação histórica. Ao longo dos últimos anos, a Roma praticamente não alterou sua pontuação após 31 rodadas, mantendo-se sempre na casa dos 54 pontos. Em seis temporadas, a variação foi de apenas três pontos — um retrato claro de estagnação. Veja:

  • 2025/26: 54 pontos (Gasperini)
  • 2024/25: 53 pontos (De Rossi/Jurić/Ranieri)
  • 2023/24: 55 pontos (José Mourinho/De Rossi)
  • 2022/23: 56 pontos (Mourinho)
  • 2021/22: 54 pontos (Mourinho)
  • 2020/21: 54 pontos (Paulo Fonseca)

A conclusão é inevitável: independentemente do treinador ou do elenco, a Roma entrega praticamente o mesmo campeonato ano após ano. A diferença, desta vez, é mais representativa do que prática. Em 2025/26, os giallorossi começaram — e devem terminar — a temporada com o mesmo treinador. Ainda assim, o roteiro segue inalterado.

A barreira da Champions

Foto: Divulgação/AS Roma
Foto: Divulgação/AS Roma

 

O grande objetivo segue sendo a vaga na Champions League — algo que a Roma não alcança há oito anos. Desde então, o clube tem orbitado a Europa League, acumulando quintos e sextos lugares. Uma regularidade que não basta e que contrasta com o protagonismo dos anos 2000, quando era presença frequente na principal competição europeia.

Gian Piero Gasperini ainda sustenta o discurso de briga pela Champions — hoje a quatro pontos de distância. Mas, dentro de campo, a realidade parece outra. O rendimento recente levanta dúvidas não só sobre a classificação ao torneio, mas até mesmo sobre a permanência na Europa League.

O risco existe: a Roma pode acabar empurrada para a Conference League. Um cenário que escancara o descompasso entre planejamento e desempenho.

No início da temporada, o objetivo era claro — recolocar o clube entre a elite do continente. Na prática, porém, o time repete velhos problemas: oscila, perde competitividade e trava na hora de dar o salto.

A situação fica ainda mais delicada quando se olha para a tabela. A vantagem para a Atalanta, sétima colocada, é de apenas um ponto — com confronto direto no horizonte. Para seguir vivo na briga, Gasperini precisará mais do que discurso: terá que fazer a Roma reagir — e, de quebra, superar um passado recente, já que até pouco tempo comandava justamente a Dea.

O retrato da Roma

Foto: Divulgação/AS Roma
Foto: Divulgação/AS Roma

 

Mais do que uma fase ruim, o que se vê é um padrão. Mudam-se os técnicos, renovam-se os elencos, ajustam-se ideias — mas o resultado final pouco se altera. A Roma segue competitiva, mas insuficiente para dar o salto que a coloca, de fato, entre os protagonistas da Europa.

O time volta a campo na sexta-feira (10), às 15h45 (horário de Brasília), para enfrentar o Pisa no Stadio Olimpico. O jogo abre a 32ª jornada do Campeonato Italiano e a Roma, ao menos, espera recuperar a moral com o torcedor giallorossi.

Créditos da foto de capa: Divulgação/AS Roma