A divisão dos meio-médios (até 77kg) do UFC está prestes a viver uma de suas fases mais empolgantes em muito tempo. Se por um lado há críticas sobre o atual campeão, Belal Muhammad, considerado por parte dos fãs como pouco carismático e de estilo pragmático, por outro o cenário ao seu redor está efervescente, repleto de nomes perigosos, jovens talentos e potenciais estrelas. O título pode até estar em mãos de um campeão de perfil mais tático, mas a divisão em si está longe de ser entediante. Na verdade, pode se tornar a melhor do UFC nos próximos anos.
Belal Muhammad conquistou o cinturão com méritos, somando uma sequência sólida de vitórias, mas sem performances eletrizantes. Seu estilo baseado em grappling, controle posicional e muita estratégia não encanta, mas é eficiente. E justamente por isso ele se tornou um alvo para os nomes mais agressivos e espetaculares da categoria. Os olhos estão voltados para quem vai caçar o campeão, e as opções são variadas e perigosas.
A nova geração dos meio-médios do UFC
O Brasil está muito bem representado com Carlos Prates, talvez o nome mais explosivo da divisão atualmente. O lutador vive uma sequência destruidora, com quatro nocautes em 2024, e vai ganhando espaço não apenas pelo estilo violento, mas também pela personalidade que agrada ao público. Prates é agressivo, tem poder de fogo nas mãos e confiança para enfrentar qualquer um no top 10. Ele é, sem dúvidas, um dos nomes que mais ameaça o reinado de Belal a curto prazo.
Outro “brasileiro” que cresce no cenário é Ian Machado Garry, que apesar de ter perdido para Shavkat Rakhmonov no UFC 310, deixou boa impressão. Garry tem técnica refinada, bom volume de golpes e se coloca como um personagem forte nas redes sociais, o que conta muito nos dias de hoje. A expectativa é que ele recupere o terreno rapidamente, e uma vitória expressiva pode colocá-lo de volta no radar pelo cinturão.
Falando em Shavkat Rakhmonov, o cazaque segue invicto e já é, para muitos analistas, o melhor lutador da categoria, mesmo sem o cinturão. Seu estilo é assustador: finalizador, bom striker, extremamente calmo e calculista, Shavkat passa a sensação de ser imparável. Muitos já o apontam como o verdadeiro campeão moral da divisão. A qualquer momento, ele pode receber sua chance de ouro.
Sean Brady e Joaquin Buckley completam esse grupo de lutadores com grande potencial no UFC. Brady é um dos grapplers mais talentosos da categoria e já mostrou que pode competir no mais alto nível. Buckley, por outro lado, é um verdadeiro “highlight reel” ambulante. Seus nocautes brutais o transformaram em figura popular e, com mais consistência, ele pode subir ainda mais rápido.
A possível chegada de Makhachev
Com a divisão dos leves vivendo um cenário de caos político, com ex-campeões não querendo enfrentar certos adversários e top contenders em rota de colisão, Islam Makhachev pode finalmente subir de divisão. O campeão dos leves, que já venceu nomes como Charles Oliveira e Alexander Volkanovski, começa a dar sinais de esgotamento com a instabilidade na sua categoria de origem.
A recente declaração de Jack Della Maddalena, que indicou interesse em enfrentá-lo após a disputa de cinturão contra Belal Muhammad, acende uma luz importante. Maddalena, um dos nomes mais técnicos da divisão, é um dos poucos que combina precisão cirúrgica no striking com resistência física. Ele representa, ao lado de Prates e Shavkat, essa nova geração que pode atrair nomes ainda maiores para a categoria.
Se Makhachev realmente subir, o UFC teria uma mina de ouro nas mãos: o atual campeão dos leves enfrentando os melhores meio-médios do momento em lutas que misturam estilos, nacionalidades e narrativas. Imagine: Makhachev x Shavkat, Makhachev x Maddalena, Makhachev x Prates. Todos são confrontos dignos de evento numerado.
Belal pode ser campeão, mas não é o protagonista
Curiosamente, apesar de ser o campeão, Belal Muhammad não é o nome mais citado entre os fãs quando se fala sobre o futuro da categoria. Isso não diminui seus feitos, mas escancara como o cinturão hoje é apenas parte do contexto. A força da divisão está nos desafiantes, nos estilos contrastantes, nas histórias que começam a se formar e nas rivalidades latentes.
É possível que Belal consiga segurar o título com mais defesas, mas ele terá que provar que pode lidar com os desafios mais emocionantes da categoria. Caso contrário, o cinturão deve trocar de mãos em breve, e cair justamente nos ombros de quem combina performance com espetáculo.
No final, a divisão dos meio-médios do UFC vive um momento de transição empolgante. A chegada de novos nomes, o crescimento técnico e físico dos contenders e a possibilidade de Makhachev subir criam um ambiente dinâmico, com lutas promissoras e potencial de marketing altíssimo. Se o UFC quiser manter a relevância esportiva e o entretenimento de alto nível, tudo indica que os holofotes devem se voltar para essa divisão.
Não é exagero dizer: os meio-médios estão prestes a dominar o UFC. E com tantas peças se movendo no tabuleiro, os próximos capítulos prometem ser eletrizantes.
(Foto: Getty Images)