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Automobilismo WEC

Como a dominância da Porsche coloca o Endurance de volta ao mapa do automobilismo

Neste final de semana (11 e 12 de maio), tivemos duas corridas com vitórias da Porsche em eventos de suma importância para o calendário de Endurance: as 6 Horas de Spa pelo WEC, e o MOTUL Course de Monterey pelo IMSA, com uma duração de 2 horas e 40 minutos no autódromo de Laguna Seca.

Além de Spa ter a subida mais emblemática do automobilismo com a Eau Rouge e Laguna Seca a descida mais emblemática com o Corkscrew (ou Saca-Rolhas), essas provas deste ano tiveram duas semelhanças interessantes: as duas principais categorias foram vencidas por Porsches.

Para contextualizar, em 2024 tivemos mudanças nos regulamentos das categorias de protótipos, e tanto a Hypercars (protótipos do WEC) quanto a GTP (protótipos do IMSA) nunca estiveram tão próximos. Na verdade, as diferenças são tão poucas que os carros do IMSA podem correr as 24 Horas de Le Mans, e muitas equipes planejam participar.

Parte dessas mudanças também envolveu a alteração no fornecimento de carros para equipes terceiras. No WEC, tivemos a prova viva dessa aproximação, com a Team Jota vencendo sua primeira prova na categoria principal, correndo com um carro da Porsche.

A importância da Porsche e das montadoras no Endurance

Com o passar do tempo, o apego do fã de automobilismo com as categorias de Endurance foi caindo, e o apelo das equipes também. As categorias principais entre os protótipos tinham grids cada vez menores e um alcance de público bem pequeno, além da falta de representação de marcas influentes como Ferrari, Lamborghini e outras.

Audi dominou por um bom tempo, Porsche voltou também muito forte e, na história recente, a Toyota criou verdadeiros monstros, mas o apelo sempre diminuía. Vendo isso, a FIA decidiu intervir.

No WEC, houve uma simplificação enorme dos regulamentos, além de uma condição de liberdade de projetos incrível. Isso voltou a atrair grandes equipes: Ferrari, BMW, Lamborghini e Peugeot são bons exemplos. Também trouxe parcerias sólidas, como a Porsche-Penske, que vem dominando o ano atual.

Com essa liberdade, os custos, por incrível que pareça, diminuíram. Com tantas parcerias, os carros não precisam mais seguir padrões distintos de chassis. Um Porsche-Penske, por exemplo, sempre será vendido como um conjunto; você não pode comprar um chassi Dallara e colocar um motor Porsche. Isso garante condições de igualdade para as equipes terceiras, que sempre terão projetos muito próximos das equipes de fábrica.

Isso vem trazendo uma visibilidade ainda maior para os campeonatos de Endurance. Por mais que o tópico tenha surgido de um fim de semana onde a Porsche dominou, há anos não tínhamos categorias tão equilibradas no cenário do Endurance.

E aí entra a grande “mágica” do Endurance: embora não tenhamos mais toda aquela distinção de chassis de uma marca para outra, as equipes desenham como bem entendem.

Um exemplo perfeito? No seu primeiro ano, o Peugeot 9X8 não tinha asa traseira. Exatamente, toda a geração de downforce do carro vinha das suas laterais.

Hoje, você vê distinções de uma marca para outra que trazem uma variedade enorme. Embora pareçam semelhantes, cada carro tem um detalhe a mais que o outro, e isso é o que a FIA quis disponibilizar.

O regulamento não tem um “desenho padrão” como temos na Fórmula 1, por exemplo. No Endurance, existem tabelas de medidas mínimas e máximas, seja peso, comprimento, largura, altura e até geração de downforce. Existe apenas uma tabela de mínimos e máximos a ser seguida. E graças a essas diferenças, a categoria nunca teve rendimentos tão equilibrados.

Hoje, o Endurance voltou a quebrar recordes de público, a atrair grandes marcas e, principalmente, a ser querido pelos amantes do automobilismo.

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