Donnarumma Manchester City
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Donnarumma no City faz tanto sentido quanto não faz!

A contratação de Gianluigi Donnarumma foi uma movimentação surpreendente por parte do Manchester City. Mesmo vindo de temporadas muito sólidas no Paris Saint-Germain, com direito ao título da Champions League em 2024/25, onde teve papel fundamental na conquista, a escolha do clube inglês ainda levanta dúvidas. O italiano é, sem questionamentos, um dos melhores goleiros da atualidade, mas ainda peca justamente em um dos pontos mais valorizados por Pep Guardiola: o trabalho com os pés. Por isso, é justo dizer que essa transferência faz tanto sentido quanto não faz.

Donnarumma não deu motivos óbvios para uma saída do PSG. No entanto, Luis Enrique sempre demonstrou preferência por trabalhar com jogadores que chamem menos atenção individualmente. Se for possível montar um elenco mais discreto, sem grandes astros que ofusquem o coletivo, esse será o caminho escolhido pelo técnico espanhol. A saída de nomes como Kylian Mbappé e Neymar reforça esse tipo de política interna no clube francês. E, nesse contexto, o italiano acabou se tornando mais negociável.

No recorte mais recente da temporada, Donnarumma empilhou atuações de alto nível. Foi seguro contra adversários fortes como Arsenal, Liverpool e Aston Villa, mostrando por que é considerado um dos principais nomes da posição no futebol mundial. Aos 26 anos, ainda com muito a oferecer, foi vendido por apenas 35 milhões de euros, um valor bem razoável para um jogador com esse status e idade. Para o City, foi uma oportunidade de mercado, sem dúvida.

A grande questão agora é se Donnarumma conseguirá lidar com a pressão. Quando deixou a Itália para seguir ao PSG, enfrentou um início complicado. Cometeu falhas importantes, algumas, inclusive, em jogos decisivos e demorou a se firmar. Na Premier League, onde a intensidade é maior e os erros são punidos com mais dureza, ele pode reviver dificuldades parecidas. Não são poucos os goleiros que sofreram para se adaptar ao ritmo inglês e acabaram precisando de mudanças de clube ou longos períodos no banco para reencontrar a confiança.

Donnarumma x Ederson

Donnarumma, PSG, Guardiola, Manchester City
Foto: Getty Images

 

O nome de Ederson sempre será muito respeitado no Manchester City. Foi um dos grandes acertos da era Guardiola, encaixando-se perfeitamente nas ideias do treinador e sendo peça fundamental na conquista da Champions League de 2023. Além de suas defesas seguras, construiu uma reputação como um verdadeiro armador de trás para frente é, até hoje, o goleiro com mais assistências na história da Premier League. Um goleiro que joga com os pés é ótimo. Um que ajuda no ataque? É outro nível.

É justamente aí que o nome de Donnarumma gera controvérsia. Embora seja excelente debaixo das traves, já colocou o PSG em apuros ao tentar participar da construção ofensiva. Um exemplo claro é o famoso lance contra o Real Madrid, em que perdeu a bola para Benzema e permitiu que o time espanhol tomasse conta da eliminatória. Aquela jogada virou símbolo das dúvidas sobre sua capacidade com a bola nos pés.

Por outro lado, Ederson também viveu momentos de instabilidade recentemente. Sofreu com lesões na última temporada e precisou dividir espaço com Ortega em várias partidas importantes. Essa rotação forçada talvez tenha reforçado em Guardiola a ideia de que o elenco precisava de uma segunda opção confiável. Em entrevistas, o técnico foi constantemente questionado sobre a permanência de jogadores como Savinho e o próprio Ederson, e, ao menos publicamente, sempre demonstrou confiança. Mas o que acontece nos bastidores, a gente sabe bem: é outra história.

Na temporada 2024/25, os números mostram um equilíbrio interessante. Ederson somou cerca de 3.700 minutos em campo, com 54 defesas em 40 partidas e 10 jogos sem sofrer gols pela Premier League. Já Donnarumma disputou mais de 4.000 minutos em 47 jogos, com 43 defesas no total e apenas quatro partidas sem ser vazado. A diferença defensiva é sutil, mas os números com os pés mostram uma discrepância maior.

De acordo com dados do FBref, Ederson completou 811 passes na temporada, contra 552 de Donnarumma. A taxa de acerto é parecida: 87,9% para o brasileiro, 87,3% para o italiano. No entanto, o volume e a distribuição mostram como Ederson é mais participativo. Ele fez mais passes curtos (142 contra 118), médios (471 contra 332) e longos (194 contra 101). E o destaque está na precisão dos lançamentos longos: Ederson tem 65,3% de acerto, enquanto Donnarumma fica com 57,1%, uma diferença considerável, especialmente em um time que exige construção desde o goleiro.

No fim das contas, Donnarumma chega ao City como um reforço de peso, mas também como um teste para si mesmo. Ele tem talento de sobra, mas está entrando num sistema que exige muito mais do que reflexos e elasticidade. Guardiola vai tentar moldá-lo ao estilo do time, a dúvida é se o italiano será maleável o bastante para se adaptar.

Sentido? Até faz. Mas desconfiança? Também tem de sobra.

Foto: INA FASSBENDER