A demissão de Dorival Junior do Corinthians após a derrota por 1 a 0 para o Internacional, em São Paulo, pelo Campeonato Brasileiro de 2026, escancara um processo de desgaste que já vinha se acumulando nas últimas semanas. O treinador deixa o comando da equipe após uma sequência de nove jogos sem vitória, um cenário que, no futebol brasileiro, costuma ser determinante independentemente do histórico recente. Mesmo com conquistas importantes em sua trajetória, não resistiu a pressão gerada pela queda de desempenho e pela incapacidade do time de reagir dentro de campo.
Os resultados foram o gatilho, mas a queda de Dorival no Corinthians vai muito além disso. O trabalho perdeu consistência, o time deixou de evoluir e a confiança desapareceu. A seguir, os cinco principais motivos que explicam por que ele não resistiu no cargo.
Resultados ruins derrubaram Dorival Junior no Corinthians
Não existe sustentação possível no futebol brasileiro sem resultado, e o experiente treinador sentiu isso de forma direta. A sequência de nove jogos sem vitória foi determinante para sua demissão, criando um ambiente de pressão insustentável. O Corinthians passou a acumular tropeços, perdeu competitividade e se aproximou de uma zona perigosa na tabela. Mesmo com títulos recentes no currículo, não conseguiu segurar o cargo diante da queda brusca de desempenho. No futebol, o passado ajuda, mas não sustenta quando o presente desmorona, e foi exatamente isso que aconteceu.
Dorival Junior não conseguiu tornar o Corinthians ofensivamente perigoso
Um dos principais problemas do trabalho foi a dificuldade do Corinthians em criar perigo real no ataque. O time se tornou previsível, com pouca criatividade e baixa intensidade no último terço do campo. Sob o comando de Dorival Junior, a equipe tinha dificuldade para quebrar linhas defensivas, acelerar jogadas e gerar chances claras de gol. A posse de bola, quando existia, era pouco efetiva. O ataque engessado foi um dos pontos mais criticados durante a passagem e contribuiu diretamente para a sequência negativa de resultados.
A apatia do time refletiu a falta de reação de Dorival Junior
Outro fator que pesou na queda de Dorival Junior foi a sensação de apatia do Corinthians dentro de campo. Em diversos jogos, o time parecia sem energia, sem intensidade e, principalmente, sem resposta diante das adversidades. Essa falta de reação acabou sendo associada diretamente ao treinador, que não conseguiu reverter o momento psicológico da equipe. No futebol de alto nível, não basta ter uma ideia de jogo — é preciso mobilizar o elenco e reagir rapidamente às crises. Dorival não conseguiu provocar essa virada de chave, e isso acelerou sua saída.
O pragmatismo tático de Dorival Junior virou previsibilidade
Conhecido por um estilo equilibrado, Dorival Junior manteve uma abordagem pragmática no Corinthians, mas sem conseguir transformá-la em eficiência. O time apresentava pouca variação tática e repetia padrões mesmo quando os resultados não vinham. Dorival Junior demorou para promover mudanças mais profundas e, quando tentou, elas não geraram impacto significativo. A previsibilidade facilitou a leitura dos adversários e tornou o Corinthians um time mais fácil de ser neutralizado. No futebol atual, a falta de adaptação cobra um preço alto, e Dorival Junior acabou pagando por isso.
Dorival Junior não potencializou os principais jogadores e as “joias” do elenco
Talvez o ponto mais preocupante do trabalho de Dorival Junior tenha sido a dificuldade em extrair o melhor de jogadores com alto potencial. Nomes como Memphis Depay, Rodrigo Garro, Breno Bidon, Matheus Bidu, Carrillo, André e Kaio César não conseguiram atingir o nível esperado recentenente sob o comando de Dorival Junior. Em vez de evoluírem, muitos desses atletas oscilaram ou renderam abaixo do que podem entregar. Isso reforçou a percepção de que Dorival Junior não conseguiu montar um sistema que potencializasse as características individuais do elenco, um fator decisivo para sua demissão.
Mesmo em um time com alguns jogadores reconhecidamente acima da média, a equipe parecia comum na maoria dos jogos, sem inspiração e entregue ao acaso dos jogos.
A saída de Dorival Junior era inevitável
A demissão de Dorival Junior no Corinthians não foi causada por um único fator, mas sim por um conjunto de problemas que se acumularam ao longo do tempo. A sequência sem vitórias, o ataque pouco produtivo, a falta de reação emocional, a previsibilidade tática e o baixo rendimento dos principais jogadores criaram um cenário insustentável. Quando todos esses elementos aparecem ao mesmo tempo, a troca de treinador deixa de ser uma possibilidade e passa a ser inevitável.
Agora, sem Dorival Junior, o Corinthians inicia um novo ciclo em meio à pressão por resultados imediatos. A mudança pode trazer uma nova dinâmica, mas também carrega riscos. O desafio do clube será reorganizar rapidamente a equipe e recuperar a confiança antes que a temporada se complique ainda mais.
Créditos foto: Rodrigo Coca/Agência Corinthians