As disputas nas chaves principais do US Open só começam no domingo (24). No entanto, mudando o formato, a organização do Grand Slam fez um torneio especial para as duplas mistas, que durou apenas dois dias. Única parceria 100% duplista, Sara Errani e Andrea Vavassori foram os campeões, mas a situação expõe o desrespeito com os tenistas da categoria.
O molde da competição funcionou, sendo mais atrativo, rápido e dinâmico para o público. Os sets foram mais curtos e quem vencesse o quarto game primeiro avançava. O tie break foi mantido, com a regras comuns de sete pontos. Em caso de empate em 1/1, era disputado um super tie break, indo até os 10 pontos.
Desde o início, o foco da organização era em atrair público e, para isso, trouxeram os grandes nomes do tênis atuais. Mas apenas os grandes nomes do simples. Desde o começo, duplistas estavam sendo excluídos do torneio. Katerian Siniaková, por exemplo, n.º 1 das duplas até a última atualização e, agora, n.º 2, ficou de fora.
A tcheca ainda teve uma situação agravante, mostrando o desrespeito da organização. Sem jogar em Cincinnati, faria dupla com Jannik Sinner, que precisou abandonar. Ao invés de ter uma nova dupla, afinal, é apenas um torneio de exibição, Siniaková foi tirada completamente da disputa.
Ninguém do top 10 masculino esteve presente também. Enquanto alguns tenistas que atuam tanto no simples quanto nas duplas foram incluídos, como Taylor Townsend e Mirra Andreeva. Mas a maioria era estrelas do simples, chamadas para atrair público.

Desrespeito e desconsideração
Na cerimônia de premiação, Sara Errani e Andrea Vavassori falaram, de forma indireta, sobre o desrespeito com os duplistas no torneio do US Open. Ao agradecer, a italiana disse: “Eu acho que essa conquista é para todos os jogadores de duplas que não puderam jogar esse torneio. Eu acho que isso também é para eles.”
Já o tenista foi um pouco mais direto, mas reconheceu o público maior: “Nós mostramos que as duplas é um ótimo produto. Eu acho que no futuro, precisamos de mais marketing e visibilidade. Eu acho que esse produto é algo que pode funcionar no futuro. Foi incrível jogar nessa quadra com tantas pessoas. Eu tenho que agradecer, do fundo do meu coração, pela atmosfera.”
A mudança feita pelo US Open era exatamente para isso: trazer mais público, e funcionou. As duplas, seja femininas, masculinas ou mistas, não atraem tantos espectadores como o simples. E o lucro é parte essencial para qualquer organização. Nesse sentido, é compreensível a decisão feita.
Contudo, não era necessário descartar os duplistas como foi feito. É possível trazer as grandes estrelas da atualidade e também convidar as principais duplas do momento.

US Open manterá o torneio?
Já que o evento foi um sucesso, com Louis Armstrong e Arthur Ashe sempre lotados, surgiram novas perguntas sobre a mudança. A principal delas é se o US Open manterá esse formato para o futuro. Ainda não há uma resposta oficial, mas o esperado é que sim. Não só isso, mas há até mesmo uma expectativa que outros Grand Slams façam o mesmo.
A disputa, de fato, foi muito atrativa, só que pode ser feito uma inclusão maior de duplistas. Talvez a vitória de Errani e Vavassori ajude nessa integração. Até porque os tenistas focados no simples não irão se desgastar tanto na competição, mesmo com um alto valor envolvido — a dupla campeã recebeu 1 milhão de dólares, 800 mil dólares a mais que a premiação de 2024.
Pelo outro lado, os jogadores de duplas querem provar que são especialistas e isso faz a diferença entre uma categoria e outra. No fim, o evento pode ser mantido, só é necessário um maior respeito com quem passa toda a temporada focada na modalidade. E essa já era uma crítica desde que foi anunciado.
Foto: Divulgação/US Open