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Eleições no Real Madrid podem trazer nova guerra por reforços bombásticos; veja

O futebol sempre viveu de paixão, títulos e idolatria. Mas em poucos clubes do mundo as eleições presidenciais carregam tanto peso quanto em Real Madrid e Barcelona. Nessas disputas, muitas vezes não basta apresentar projetos administrativos ou planos financeiros. Em diversos momentos da história, a promessa de uma contratação impactante foi suficiente para virar campanhas, conquistar votos e até mudar completamente o rumo de gigantes europeus.

E é justamente esse cenário que volta à tona após Enrique Riquelme confirmar candidatura nas eleições antecipadas do Real Madrid contra Florentino Pérez. Pela primeira vez desde 2006, o clube merengue terá disputa presidencial, algo raro em uma era dominada por Florentino.

Agora, começa oficialmente o período de campanha. Entrevistas, discursos, bastidores políticos e, claro, especulações envolvendo possíveis reforços milionários.

Mesmo que atualmente os candidatos evitem citar nomes diretamente, o histórico mostra que grandes promessas de mercado sempre tiveram enorme impacto nas eleições dos gigantes espanhóis.

Figo mudou a história do Real Madrid

Nenhum caso foi tão emblemático quanto o de Luis Figo no ano 2000.

Naquele momento, Florentino Pérez tentava derrotar Lorenzo Sanz, presidente que havia acabado de conquistar a Champions League com o Real Madrid. A situação parecia praticamente impossível para a oposição.

Foi então que Florentino apostou todas as fichas em uma jogada ousada: prometer a contratação do principal astro do Barcelona.

Figo era capitão do Barça e um dos maiores jogadores do mundo. Insatisfeito com questões contratuais e desconfortável com a possível vitória de Joan Gaspart nas eleições do clube catalão, o português acabou entrando em negociações secretas com Florentino.

A operação teve participação importante de Paulo Futre, responsável por aproximar as partes. O acordo previa que, caso Florentino vencesse as eleições, o Real Madrid pagaria a multa rescisória de Figo junto ao Barcelona.

O impacto foi imediato.

Florentino chegou a declarar publicamente que, se fosse eleito e Figo não jogasse no Real Madrid, ele pagaria a mensalidade dos sócios durante toda a temporada seguinte.

A declaração virou manchete mundial e mudou completamente o rumo da eleição.

No fim, Florentino venceu, Figo assinou com o Real Madrid e uma das transferências mais polêmicas da história do futebol foi concretizada.

Laporta prometeu Beckham, mas o Madrid levou

Poucos anos depois, o Barcelona tentou responder com estratégia semelhante.

Em 2003, Joan Laporta utilizou o nome de David Beckham como principal arma eleitoral durante sua campanha presidencial.

Laporta chegou a anunciar publicamente que tinha acordo fechado com o Manchester United para contratar o astro inglês.

O próprio clube inglês divulgou a negociação em seus canais oficiais, aumentando ainda mais a repercussão.

O problema é que Beckham já estava acertado com o Real Madrid.

Nos bastidores, muitos apontam que Laporta sabia da situação, mas utilizou o anúncio mesmo assim como forma de impulsionar sua candidatura.

O dirigente acabou vencendo as eleições, porém Beckham foi apresentado no Santiago Bernabéu pouco tempo depois.

Como “compensação”, o Barcelona contratou o goleiro Rüştü Reçber, que teve passagem discreta pelo clube catalão.

A chegada de Beckham ao Real Madrid acabou fortalecendo ainda mais a era dos chamados “Galácticos”, projeto que transformou Florentino em uma das figuras mais poderosas do futebol mundial.

Promessas eleitorais marcaram eleição de 2006

As eleições de 2006 no Real Madrid também ficaram marcadas por uma verdadeira enxurrada de promessas.

Ramón Calderón venceu aquela disputa prometendo nomes gigantes como Kaká, Cesc Fàbregas e Arjen Robben.

Dos três, apenas Robben realmente chegou ao clube, embora um ano depois. Kaká só pisaria no Bernabéu quando Florentino retornasse à presidência em 2009.

Já Cesc permaneceu no Arsenal e mais tarde acabaria atuando pelo Barcelona.

Mas Calderón não foi o único candidato a apostar em promessas grandiosas.

Juan Palacios chegou muito perto da vitória ao afirmar possuir acordo com Andrés Iniesta, que naquele período ainda buscava maior protagonismo no Barcelona.

Outros candidatos também utilizaram nomes fortes para ganhar apoio político. Juan Miguel Villar Mir falava em Arsène Wenger no comando esportivo. Já Lorenzo Sanz prometia reforços como Michael Carrick, Mahamadou Diarra e Fernando Gago.

Enquanto isso, Arturo Baldasano chegou a citar nomes como Sven-Göran Eriksson, Joaquín Sánchez e José Antonio Reyes.

Nova eleição pode reabrir velha tradição no bernabéu

Agora, quase duas décadas depois, o Real Madrid volta a viver clima eleitoral.

Florentino segue extremamente forte politicamente graças ao currículo impressionante acumulado durante sua gestão. São dezenas de títulos, incluindo sete Champions League no futebol masculino, além da modernização completa do Santiago Bernabéu.

Mesmo assim, a candidatura de Enrique Riquelme cria um cenário raro dentro do clube.

E justamente por enfrentar um presidente tão dominante, cresce a expectativa para possíveis movimentos de impacto durante a campanha.

Historicamente, eleições no futebol espanhol sempre mostraram que prometer craques pode ser uma ferramenta poderosa. Algumas vezes as promessas viraram realidade. Em outras, ficaram apenas no discurso.

Mas uma coisa permanece igual desde os tempos de Figo e Beckham: poucos assuntos mexem tanto com torcedores quanto a possibilidade de uma contratação bombástica.

Foto: AFP