Emma Raducanu é um caso interessante no mundo do tênis. A tenista britânica surpreendeu o mundo ao conquistar o US Open de 2021. Até hoje, é a única campeã de um Grand Slam a vir do quali da competição, algo que Maja Chwalinska quase repetiu em Roland Garros 2026. No entanto, a polonesa perdeu a final.
O problema de Raducanu é que, desde o título nos Estados Unidos, a atleta nunca mais conseguiu reproduzir o que aconteceu naquelas duas semanas. Não só isso, mas sequer havia chegada a uma nova final após o US Open daquele ano. 2026 já tem sido diferente exatamente por conta disso: neste domingo (14), Emma teve sua segunda decisão na temporada.
Em fevereiro, perdeu para Sorana Cirstea na final do WTA 250 da Transilvânia. Apesar da boa campanha na competição, a derrota foi dura: 6/0 e 6/2 para a romana. Agora, foi finalista do WTA 500 de Queen’s, sua primeira final na grama, e perdeu para Donna Vekic, sofrendo mais um pneu, 6/0 e 7/6 (6). Mesmo com a derrota, foi mais uma decisão em menos de seis meses.

Há esperança para Emma Raducanu?
É preciso considerar alguns fatores sobre Emma Raducanu. Primeiro, a tenista foi campeã de um Grand Slam ainda muito nova, com apenas 18 anos. Já era uma jovem tenista que chamava a atenção, mas estava longe de ser apontada como uma possível candidata ao título do US Open em 2021.
Além disso, a britânica também contou um pouco com a sorte e não enfrentou nenhuma top 10, nem mesmo na final. Leylah Fernandez foi a adversária na grande decisão e também tem sofrido no circuito desde então. As únicas cabeças de chave que Raducanu precisou enfrentar foram Belinda Bencic e Maria Sakkari, que, na época, não estavam entre as 10 melhores.
Com a campanha histórica ocorrendo quando tinha apenas 18 anos, Emma tem apenas 23 atualmente. Ou seja: ainda é uma tenista nova. É claro, já tem experiência enorme no tênis profissional, mas conta com uma longa carreira pela frente. O que também significa que há esperança de conquistar maiores.
Mesmo que os últimos anos tenham deixado a desejar, ainda tem idade para fazer mais, e pode. A britânica tem algumas dificuldades, só que são questões que ainda podem ser corrigidas. Além disso, finalmente vem mostrando uma evolução, conseguindo chegar em duas finais neste ano.
E as chances de novo Slam para Raducanu?
Em Grand Slams tudo pode acontecer; voltamos a ver isso em Roland Garros 2026. Com diversas zebras, uma tenista fora do top 100 foi finalista do major francês. Ainda, a conquista de confiança é importante para Emma Raducanu, que vinha sofrendo muitas derrotas quando era a favorita desde o US Open.
O título do Slam pode ter vindo cedo demais para a britânica, o que também pode ter atrapalhado seu desenvolvimento. Além disso, é algo que pode ter virado uma espécie de ilusão “se fiz uma vez, conseguirei na próxima também”. Contudo, em um esporte tão individual quanto o tênis, a evolução não pode parar.
Seu foco não deve ser uma nova campanha histórica em majors. E sim, construir a sua carreira com calma e, então, ir chegando aos poucos. ‘Explodir’ mais uma vez poderia voltar a atrapalhar sua construção. Não é possível esperar, mesmo com sua melhora, que volte a chegar tão longe em um Grand Slam tão cedo.
Por outro lado, se mantiver uma evolução contínua e sem tentar se apressar ou pressionar, Emma Raducanu pode voltar a conquistar um major.
Foto: Divulgação/HSBC Championships