Endrick
Futebol La Liga

Endrick precisa deixar o Real Madrid para voltar a ser o jogador que todos esperavam?

Endrick chegou ao Real Madrid para ser protagonista, mas virou coadjuvante

Quando Endrick deixou o Palmeiras rumo ao Real Madrid, a expectativa era de que o brasileiro fosse uma das grandes caras da nova geração do clube espanhol. Aos 20 anos, porém, sua trajetória tomou um caminho bem diferente.

O atacante perdeu espaço na equipe e fez apenas uma aparição saindo do banco nesta temporada. A chegada de Yan Diomande, o crescimento de Carlos Espí e o grande momento de Arda Güler tornaram a disputa por minutos ainda mais difícil.

O problema não é que Endrick tenha deixado de ser talentoso. É que ele deixou de jogar. E isso pode ser mais prejudicial para um jovem atacante do que qualquer sequência ruim de resultados.

A passagem pelo Lyon na segunda metade da temporada passada mostrou justamente o contrário. Em 21 partidas, Endrick marcou oito gols e deu oito assistências, além de ganhar experiência atuando mais aberto pelo lado direito.

Quando teve sequência, respondeu.

Agora, no Real Madrid, precisa encontrar novamente um ambiente em que possa fazer isso.

O próximo passo precisa ser escolhido pelo desenvolvimento

Carlo Ancelotti já havia chamado atenção para esse problema ao falar sobre jovens brasileiros que chegam à Europa. Segundo o treinador, muitos chegam aos grandes clubes aos 18 ou 19 anos, encontram pouco espaço e acabam tendo o desenvolvimento prejudicado pela falta de minutos.

Endrick parece estar vivendo exatamente esse risco. O brasileiro não precisa provar novamente que tem talento. Ele precisa de partidas para transformar potencial em regularidade.

Por isso, um empréstimo em janeiro não deveria ser encarado como fracasso. Pode ser justamente uma forma de preservar o projeto que o Real Madrid construiu quando decidiu investir nele.

A questão mais importante não é qual clube tem o maior nome. É qual clube vai colocá-lo em campo.

Milan e Roma aparecem como alternativas interessantes

Entre os possíveis destinos, Milan e Roma oferecem cenários que podem fazer sentido.

O Milan monitora Endrick e tem uma relação próxima com a Roc Nation, agência que representa o jogador. Além do peso histórico, o clube poderia oferecer um ambiente de grande visibilidade sem repetir exatamente a situação encontrada em Madrid.

Existe, porém, uma questão tática. Ruben Amorim costuma utilizar o 3-4-2-1, e Endrick poderia atuar como um dos jogadores atrás do centroavante. Seria uma oportunidade para ampliar seu repertório, mas também exigiria adaptação.

A Roma, por outro lado, parece oferecer uma necessidade mais clara de profundidade ofensiva. O clube teria procurado os representantes do brasileiro e poderia proporcionar um contexto no qual Endrick tivesse espaço para disputar minutos em uma equipe competitiva.

Para um jogador que precisa recuperar confiança, essa combinação pode ser mais importante do que simplesmente vestir uma camisa de maior peso.

Liverpool e Aston Villa oferecem exposição, mas também riscos

O Liverpool também aparece como possibilidade. O clube tem poucas alternativas naturais pelo lado direito e precisa administrar a condição física de Alexander Isak, enquanto Hugo Ekitiké ainda busca recuperar completamente o ritmo.

Endrick poderia atuar aberto ou como centroavante e teria uma grande vitrine na Premier League. Mas existe uma contradição.

O brasileiro precisa justamente fugir de um cenário em que a concorrência seja tão grande que os minutos continuem escassos. Trocar o banco do Real Madrid por outro banco de um gigante europeu não resolveria o problema.

O Aston Villa apresenta uma lógica parecida, embora com a vantagem de oferecer a possibilidade de trabalhar com Unai Emery, treinador experiente e reconhecido pela capacidade de desenvolver equipes.

O futebol inglês poderia aumentar novamente a exposição de Endrick, mas o fator decisivo deveria continuar sendo a quantidade de oportunidades.

Voltar ao Lyon não seria dar um passo para trás

O retorno ao Lyon talvez seja a alternativa mais fácil de interpretar de maneira equivocada.

Depois de chegar ao Real Madrid, voltar para o clube francês poderia parecer uma regressão. Mas os números mostram justamente o contrário.

Endrick teve sua melhor sequência recente no Lyon. Marcou oito gols, deu oito assistências e ganhou experiência em uma função diferente, atuando mais aberto pelo lado direito.

Se houver espaço para repetir esse protagonismo, voltar ao clube francês pode ser uma decisão extremamente racional. O objetivo de um empréstimo não é encontrar o clube mais famoso possível. É colocar o jogador em condições de evoluir.

Se o Lyon oferecer isso novamente, não haveria motivo para tratar o retorno como fracasso.

Janeiro pode ser uma oportunidade, não uma derrota

O Real Madrid resistiu a emprestar Endrick na última janela, mas o cenário mudou. Com pouco espaço na equipe de José Mourinho, uma saída temporária pode ser a maneira mais inteligente de evitar que o brasileiro passe meses apenas treinando e esperando uma oportunidade que talvez nunca chegue.

Aos 20 anos, tempo de jogo importa. Endrick precisa de partidas para recuperar confiança, desenvolver seu jogo e mostrar que a passagem pelo Lyon não foi apenas um momento isolado.

Também precisa voltar a sentir que tem responsabilidade dentro de campo. É isso que um novo empréstimo pode oferecer.

O Real Madrid não precisa desistir do brasileiro. Pelo contrário: pode precisar afastá-lo temporariamente para preservá-lo como projeto de longo prazo.

Endrick ainda pode voltar ao Real Madrid como outro jogador

A carreira do brasileiro não está definida pelo que aconteceu até aqui.

Endrick ainda tem idade para transformar a passagem pelo Real Madrid em uma etapa de aprendizado. O talento que fez o clube espanhol investir nele continua existindo, mas precisa de um ambiente capaz de desenvolvê-lo.

Por isso, a escolha de janeiro será importante.

Milan, Roma, Liverpool, Aston Villa, Real Sociedad e Lyon oferecem caminhos diferentes, mas o critério deveria ser simples: onde Endrick terá mais chances de jogar?

Porque o brasileiro não precisa agora de um clube maior. Precisa de um clube que acredite nele o suficiente para colocá-lo em campo.

Se encontrar esse lugar, janeiro pode deixar de representar uma saída do Real Madrid e passar a ser o primeiro passo para que Endrick volte a ser o jogador que todos esperavam quando ele chegou à Europa.

Créditos da foto: Getty Images