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Real Madrid sem Mbappé: Mourinho tem três soluções para não perder força no ataque

O Real Madrid pode precisar encontrar outro caminho sem Mbappé

A notícia de que a lesão sofrida por Kylian Mbappé pela Seleção Francesa não apresentou a gravidade inicialmente temida trouxe alívio ao Real Madrid. O atacante continua sendo uma das principais referências ofensivas da equipe e sua capacidade de decidir partidas no último terço faz diferença em praticamente qualquer cenário.

Ainda assim, existe uma questão que José Mourinho precisa considerar.

Mesmo que Mbappé esteja clinicamente bem, colocá-lo em campo imediatamente pode não ser a decisão mais prudente. O calendário é longo, a temporada está apenas entrando em uma fase mais exigente e o Real Madrid possui alternativas suficientes para montar um ataque competitivo sem seu principal goleador.

O Villarreal pode, portanto, representar uma oportunidade para Mourinho testar outras soluções.

E existem pelo menos três caminhos bastante diferentes.

Bellingham como falso nove mudaria o funcionamento do ataque

A alternativa mais criativa seria deslocar Jude Bellingham para a posição mais avançada.

O inglês já demonstrou que consegue aparecer constantemente na área, atacar espaços e chegar para finalizar a partir de posições mais recuadas. Utilizá-lo como uma espécie de falso nove permitiria ao Real Madrid explorar justamente uma de suas principais características: a capacidade de surgir de trás sem ser acompanhado pelos defensores.

Nesse cenário, Arda Güler poderia ocupar uma posição mais central, funcionando como articulador atrás de Bellingham.

A ideia teria outra vantagem: manteria Vinicius Júnior aberto pelo lado esquerdo e permitiria que o Real Madrid continuasse tendo jogadores capazes de criar situações de um contra um pelos corredores.

Yan Diomande seria uma das opções pelo lado direito, enquanto Brahim Díaz apareceria como alternativa durante a partida. O principal desafio estaria na ausência de um centroavante tradicional.

Bellingham não oferece a mesma presença física de um atacante de área, mas pode compensar isso com movimentação, chegada e capacidade de participar da construção.

Contra um Villarreal que eventualmente baixar suas linhas, essa mobilidade pode ser justamente o que Mourinho procura.

Carlos Espi oferece uma solução mais tradicional

Se Mourinho preferir manter uma referência fixa dentro da área, Carlos Espi aparece como a alternativa mais natural.

O atacante espanhol tem características diferentes das de Bellingham. Sua principal contribuição estaria justamente na presença física, especialmente em cruzamentos e bolas aéreas. Essa característica pode ser útil em uma partida na qual o Real Madrid tenha muito mais posse e precise encontrar espaços diante de uma defesa compacta.

Espi consegue ocupar os zagueiros, atacar a primeira trave e oferecer uma referência para cruzamentos laterais. Também pode abrir espaço para a chegada dos jogadores que vêm de trás.

Existe ainda outro fator importante: o jovem já mostrou capacidade para entrar durante as partidas e participar de momentos decisivos.

Uma oportunidade como titular, portanto, não seria apenas uma solução emergencial para a ausência de Mbappé. Seria também uma chance de Mourinho avaliar até onde pode confiar no atacante ao longo da temporada.

O Real Madrid não precisa necessariamente reproduzir o funcionamento que tem com Mbappé. Pode simplesmente utilizar outras características.

Endrick é a alternativa que Mourinho ainda precisa testar

A terceira possibilidade talvez seja a que mais desperta curiosidade.

Endrick continua sendo uma opção no elenco, embora tenha recebido poucos minutos até aqui. O brasileiro chamou atenção de Mourinho durante a pré-temporada, a ponto de o treinador impedir uma saída por empréstimo.

Isso demonstra que existe confiança no potencial do atacante. O problema é transformar essa confiança em oportunidades reais.

Um jogo contra o Villarreal poderia oferecer exatamente esse espaço.

Endrick possui velocidade, força para atacar a profundidade e capacidade de finalizar com poucos toques. Em uma equipe que tem Vinicius Júnior, Bellingham, Güler e outros jogadores capazes de criar oportunidades, seu perfil pode funcionar especialmente bem quando houver espaço para atacar.

Ao mesmo tempo, seria injusto esperar que o brasileiro simplesmente reproduzisse o impacto de Mbappé.

A questão seria outra: descobrir como Endrick pode contribuir dentro de uma estrutura que já possui jogadores capazes de criar para ele.

Mourinho não precisa encontrar um novo Mbappé

Esse talvez seja o ponto mais importante para o Real Madrid. Se Mbappé não começar contra o Villarreal, Mourinho não precisará encontrar um jogador capaz de fazer exatamente aquilo que o francês faz.

Precisará encontrar a melhor maneira de distribuir a responsabilidade ofensiva.

Com Bellingham como falso nove, o Real Madrid ganharia mobilidade e capacidade de criação por dentro. Com Espi, teria uma referência de área mais tradicional. Com Endrick, poderia explorar velocidade, profundidade e transições.

São soluções diferentes para um mesmo problema. E essa variedade pode ser uma vantagem durante uma temporada longa.

A dependência excessiva de um único jogador costuma se tornar perigosa quando aparecem lesões, suspensões ou simplesmente a necessidade de preservar atletas importantes. O Real Madrid tem um elenco suficientemente qualificado para evitar que uma eventual ausência de Mbappé se transforme em uma crise.

O jogo pode definir mais do que os três pontos

O confronto com o Villarreal também pode servir como um teste para Mourinho.

Se Mbappé for preservado, o treinador terá a oportunidade de observar como o time responde sem sua principal referência ofensiva. Mais do que o resultado, será importante perceber se a equipe consegue manter capacidade de criação, presença na área e agressividade.

Bellingham, Espi e Endrick oferecem respostas diferentes. Talvez nenhum deles consiga substituir individualmente o francês. Mas esse nem precisa ser o objetivo.

O Real Madrid pode compensar a ausência de Mbappé com um funcionamento coletivo diferente, utilizando a qualidade de seus outros jogadores para dividir a responsabilidade.

Para Mourinho, essa é uma situação que pode acabar sendo útil.

Uma equipe capaz de vencer apenas quando sua principal estrela está em campo pode ser extremamente forte, mas uma equipe que consegue encontrar diferentes soluções quando essa estrela não joga se torna muito mais preparada para uma temporada inteira.

O Real Madrid tem opções — e Mourinho precisa escolher a melhor

Mbappé deve estar disponível, mas a possibilidade de preservá-lo coloca Mourinho diante de uma escolha interessante.

Bellingham pode assumir uma função mais avançada e permitir que Güler organize o jogo por trás. Espi pode oferecer presença física e uma referência tradicional dentro da área. Endrick pode receber uma oportunidade que há meses espera e mostrar por que o treinador decidiu mantê-lo no elenco.

Nenhuma alternativa reproduz exatamente o que Mbappé entrega. Mas todas podem oferecer algo diferente.

E talvez essa seja justamente a maior vantagem do Real Madrid neste momento: Mourinho não precisa encontrar uma solução perfeita. Precisa encontrar uma solução que funcione para aquele jogo.

Se o francês for preservado, o Villarreal poderá revelar muito mais sobre as alternativas ofensivas do Real Madrid do que qualquer treino. Porque, quando o melhor jogador não está em campo, uma grande equipe precisa provar que ainda sabe como jogar.

Foto: Getty Images