O Real Madrid de Xabi Alonso começa a temporada 2025/26 em clima de renovação e expectativa. A segunda temporada de Kylian Mbappé, a ascensão de jovens como Gonzalo e a consolidação de pilares já estabelecidos redesenham o futuro imediato do clube. Nesse contexto, a situação de Endrick é particularmente delicada. Considerado uma das maiores promessas do futebol brasileiro nos últimos anos, o atacante de 19 anos enfrenta o desafio de provar que pode ter relevância em um elenco que não costuma esperar por ninguém.
Endrick não entra em campo desde 18 de maio, afastado por uma lesão no tendão conjunto dos isquiotibiais da perna direita. O problema, além de grave, teve um agravante: a recaída quando parecia próximo do retorno. Essa ausência prolongada já custou caro. Ele perdeu o Mundial de Clubes, competição em que a ausência acabou sendo duplamente negativa: por um lado, ficou fora de uma vitrine importante; por outro, abriu espaço para que Gonzalo brilhasse e conquistasse seu espaço no elenco.
A recuperação do brasileiro tem sido tratada com extremo cuidado pelo departamento médico merengue. A ideia é que ele volte progressivamente, sem risco de nova recaída. Durante as férias de verão, Endrick se dedicou integralmente ao processo de reabilitação, chegando a intercalar sua lua de mel com treinos intensos em academias no Japão. Esse comprometimento mostra que o atacante está consciente da importância do momento.
A concorrência interna
O retorno de Endrick coincide com um cenário de concorrência feroz. Mbappé é titular indiscutível e praticamente monopoliza os minutos no ataque. O espaço real para rodagem está nos minutos de descanso do francês — e é exatamente aí que Endrick disputa posição com Gonzalo.
O jovem espanhol ganhou protagonismo no Mundial de Clubes e hoje larga na frente. Embora tenha jogado pouco neste início de temporada (apenas 29 minutos nas três primeiras rodadas da Liga), a confiança que Alonso deposita nele é evidente. Para Endrick, isso significa que cada oportunidade será um teste de fogo: um erro ou atuação apagada pode custar semanas fora da rotação.
Na última temporada, sob o comando de Ancelotti, Endrick disputou apenas 847 minutos e marcou sete gols. Os números não são desprezíveis para um adolescente em adaptação ao futebol europeu, mas ficaram aquém da expectativa gerada no momento da contratação. A temporada atual, portanto, foi projetada como a do salto de qualidade. A lesão, entretanto, atrasou os planos e agora o brasileiro chega em desvantagem.
O Real Madrid não é um clube paciente com jovens talentos. Embora reconheça o potencial de Endrick, a exigência de rendimento imediato faz parte da cultura do time. Exemplos como Martin Ødegaard e Luka Jović mostram como o ambiente pode engolir jogadores promissores que não conseguem se impor.
Endrick caminha sobre uma linha tênue: se conseguir transformar cada minuto em campo em impacto real, terá espaço para crescer. Mas se tropeçar, corre o risco de viver mais uma temporada de participação marginal. Isso, em um ano que culmina com a Copa do Mundo de 2026, pode comprometer suas chances de vestir a camisa da seleção brasileira no torneio.
Futuro em dúvida: ficar no Real Madrid é uma boa para Endrick?
O discurso de Xabi Alonso e da diretoria é claro: a prioridade é recuperar Endrick de forma plena, sem apressar seu retorno. O risco de uma nova lesão seria devastador para o atleta e para o clube. O objetivo é tê-lo em condições de jogo antes da pausa internacional de outubro, o que permitiria ao técnico dar-lhe minutos em rodadas intermediárias de La Liga e na fase de grupos da Champions League.
Mas o próprio planejamento esconde uma armadilha: se Gonzalo aproveitar as oportunidades e se consolidar, o espaço para Endrick pode encolher ainda mais.
Do lado brasileiro, a cobrança é ainda maior. Endrick chegou ao Real Madrid como sucessor natural de grandes atacantes brasileiros que brilharam no clube — Ronaldo, Robinho, Kaká, Vinícius Júnior e Rodrygo. A comparação é inevitável. E o calendário não perdoa: ao fim da temporada, Dorival Júnior terá de definir a lista para o Mundial. Estar saudável e jogando minutos relevantes é condição obrigatória para o camisa 9 entrar nos planos da seleção.
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