Espanha - Lamine Yamal campeão da Copa do Mundo
Futebol Copa do Mundo

Entenda como funcionaria uma Copa do Mundo com 64 seleções; proposta pode transformar o maior torneio do futebol

A Copa do Mundo de 2026 marcou o início de uma nova era no futebol internacional. Pela primeira vez, o torneio reuniu 48 seleções, ampliando significativamente o número de participantes e de partidas em relação ao antigo formato com 32 equipes. No entanto, a mudança pode ter sido apenas o primeiro passo de uma transformação ainda maior.

A Fifa discute a possibilidade de expandir a competição para 64 seleções já na edição de 2030, que será realizada em comemoração ao centenário da primeira Copa do Mundo. A proposta, defendida principalmente pela Conmebol, deverá ser analisada pela entidade nas próximas semanas e pode mudar completamente a estrutura do torneio mais importante do futebol mundial.

Caso seja aprovada, a Copa de 2030 não terá apenas mais seleções. O calendário ficará mais longo, o número de partidas aumentará, o sistema de classificação será alterado e até a escolha dos países-sede poderá seguir um novo caminho.

Mais seleções significam um torneio muito maior

Itália
Foto: Alberto Pizzoli/AFP

A principal consequência da ampliação seria o aumento no número de jogos.

Com 64 seleções, a fase de grupos precisaria ser reorganizada em 16 grupos de quatro equipes. Isso elevaria o número de partidas dessa primeira fase de 72 para 96 confrontos.

Na Copa de 2026, a fase de grupos foi disputada em pouco mais de duas semanas. Mantendo um ritmo semelhante de partidas por dia, seriam necessárias aproximadamente três semanas apenas para concluir essa etapa.

Depois ainda viriam todas as fases eliminatórias.

Somando mata-mata, semifinais e final, a competição passaria facilmente das seis semanas de duração.

Na prática, isso significaria um impacto ainda maior no calendário internacional.

Os jogadores precisariam ficar praticamente dois meses à disposição de suas seleções entre preparação e disputa da competição, reduzindo ainda mais o tempo disponível para férias e pré-temporadas com seus clubes.

Esse é justamente um dos principais pontos de preocupação para ligas nacionais e equipes europeias, que já reclamam do excesso de partidas ao longo da temporada.

Por outro lado, a Fifa entende que ampliar o número de participantes fortalece o desenvolvimento do futebol em diferentes regiões do mundo e permite que mais países vivam a experiência de disputar uma Copa do Mundo.

Número de gols e diferença técnica entre seleções podem aumentar

Alemanha x Curaçao

Outro aspecto que chama atenção é o impacto esportivo da expansão.

Naturalmente, mais partidas significam novos recordes estatísticos.

A edição de 2026 já registrou um aumento expressivo no número de gols marcados em relação às Copas anteriores. Mais do que isso, a média de gols por jogo também cresceu.

Um dos motivos apontados para esse cenário foi a maior diferença de nível entre algumas seleções.

Com mais vagas disponíveis, países que tradicionalmente encontravam dificuldades para se classificar conseguiram disputar o Mundial. Isso aumentou a distância técnica entre alguns confrontos e favoreceu placares mais elásticos.

Os números apresentados pela Fifa mostram que, quanto maior a diferença entre duas seleções no ranking mundial, maior costuma ser a vantagem da equipe mais bem posicionada.

Isso não significa que as zebras deixem de acontecer.

A própria história das Copas do Mundo mostra que seleções consideradas inferiores frequentemente surpreendem favoritos. No entanto, estatisticamente, ampliar o número de participantes também tende a aumentar a quantidade de confrontos entre equipes de níveis técnicos bastante diferentes.

Ao mesmo tempo, a expansão pode beneficiar o futebol de países emergentes.

Ter mais vagas disponíveis significa oferecer experiências internacionais para seleções que raramente conseguem disputar uma Copa, acelerando seu processo de desenvolvimento competitivo.

Mudanças no formato podem acabar com uma das maiores emoções da fase de grupos

 (Foto: Dean Mouhtaropoulos/Getty Images)

A proposta de uma Copa com 64 seleções também mudaria a forma de classificação para o mata-mata.

Na edição de 2026, além dos dois primeiros colocados de cada grupo, alguns terceiros colocados também avançaram para a fase eliminatória.

Esse modelo manteve praticamente todas as seleções vivas até as rodadas finais e aumentou o número de partidas decisivas durante a fase de grupos.

Com 64 equipes, esse sistema deixaria de existir.

Os dois melhores de cada um dos 16 grupos seriam suficientes para formar os 32 classificados ao mata-mata.

A mudança simplificaria a competição, mas também poderia trazer um problema conhecido.

Em formatos antigos, diversas partidas da última rodada acabavam perdendo importância porque algumas equipes já estavam classificadas ou eliminadas antes mesmo da bola rolar.

Para evitar esse cenário, a Fifa provavelmente teria de rever critérios de desempate e estudar mecanismos que mantivessem o interesse esportivo até o encerramento da fase de grupos.

Organização da Copa exigiria cada vez mais países-sede

Gianni Infantino FIFA Copa do Mundo
Foto: Getty Images

A ampliação também teria impacto fora das quatro linhas.

Uma Copa do Mundo com 64 seleções exigiria aproximadamente 128 partidas ao longo do torneio, número bastante superior ao da edição atual.

Isso aumentaria significativamente a necessidade de estádios, centros de treinamento, hotéis, aeroportos e estrutura logística.

Na prática, seria muito difícil um único país conseguir atender sozinho todas essas exigências.

A tendência observada nos últimos anos aponta justamente para competições compartilhadas.

A Copa de 2026 já foi organizada por Estados Unidos, Canadá e México. Em 2030, o torneio terá seis países envolvidos entre sedes principais e partidas comemorativas do centenário.

Caso o formato com 64 seleções seja aprovado definitivamente, essa pode deixar de ser uma exceção e se transformar no novo padrão da Fifa.

Além disso, praticamente todas as confederações passariam a receber mais vagas para o Mundial. Europa, África, Ásia, América do Sul e Concacaf ampliariam significativamente sua representação, permitindo que cerca de 30% das federações filiadas à Fifa disputassem a competição.

A proposta ainda será debatida antes de qualquer decisão oficial, mas já provoca discussões importantes sobre o futuro do futebol internacional. Enquanto a Fifa defende uma Copa mais inclusiva e global, críticos alertam para os impactos no calendário, na logística e no equilíbrio técnico da competição. Se aprovada, a expansão para 64 seleções representará uma das maiores transformações da história da Copa do Mundo desde sua criação, em 1930.

author
Kaique