Marcus Rashford voltou ao Manchester United com a expectativa de recuperar seu espaço e assumir uma função importante no ataque, mas as primeiras cinco rodadas da Premier League mostram um cenário diferente. O atacante ainda não marcou nem deu assistência na competição e começa a conviver com uma cobrança maior justamente por utilizar a camisa 9.
O problema não está apenas na ausência de gols. Rashford até participa das ações ofensivas, finaliza e apresenta bons números físicos, mas ainda não consegue transformar essa movimentação em jogadas decisivas. Em 355 minutos disputados, ele foi titular em quatro partidas e já realizou 13 finalizações.
Para um jogador que retorna ao clube depois de períodos de empréstimo no Aston Villa e no Barcelona, esse início gera dúvidas sobre sua capacidade de recuperar rapidamente o protagonismo. A temporada ainda está no começo, mas os números já permitem identificar alguns problemas que Michael Carrick terá de trabalhar durante a Data Fifa.
Rashford participa, mas não consegue decidir

A principal questão envolvendo Rashford está na diferença entre participação e produção. O atacante não está desaparecido das partidas. Pelo contrário, seus números mostram que ele está envolvido no jogo ofensivo do Manchester United.
Segundo os dados do Sofascore, Rashford tem média de 2,6 finalizações por partida, sendo 0,8 no alvo. Das 13 tentativas realizadas até agora, oito aconteceram dentro da área e cinco foram de fora.
O problema é que nenhuma delas terminou em gol.
Seu número de gols esperados, o xG, está em 0,77. Esse dado indica que, pela qualidade e localização das oportunidades que recebeu, era esperado que Rashford tivesse marcado aproximadamente um gol. O número não é alto, mas também mostra que o United não vem criando uma quantidade consistente de oportunidades claras para o camisa 9.
Além disso, Rashford desperdiçou duas grandes chances. Isso aumenta a preocupação porque, quando as oportunidades aparecem, o atacante precisa conseguir transformá las em gols para justificar sua presença no centro do ataque.
A parte criativa também não apresenta números expressivos. Rashford registra 2,6 passes decisivos por jogo, mas possui apenas 0,42 assistências esperadas e ainda não criou uma grande chance.
Os cruzamentos são outro ponto de atenção. Apenas 11% das bolas levantadas por Rashford encontraram um companheiro. No campo de ataque, sua precisão de passes está em 78%.
Isso ajuda a explicar por que sua participação não está se transformando em números decisivos. Rashford consegue chegar ao ataque, participar da construção e finalizar, mas ainda falta a última ação que muda o resultado da partida.
O físico não é o problema, mas o United precisa de resultado

Uma das conclusões mais importantes dos números é que não parece existir falta de movimentação por parte de Rashford.
O atacante percorre aproximadamente 10 quilômetros a cada 90 minutos, realiza 14,2 sprints e alcança velocidade máxima de 33,4 km/h. São números que mostram que ele continua oferecendo intensidade e capacidade de atacar espaços.
Rashford também completa 53% de seus dribles e vence 58% dos duelos disputados. Esses índices mostram que ele ainda consegue participar de situações individuais e competir fisicamente com os adversários.
O problema aparece quando essas ações precisam resultar em algo concreto.
Rashford perde a posse de bola 12,8 vezes por partida, o que diminui o impacto de algumas de suas jogadas progressivas. Para um atacante que precisa assumir responsabilidade no último terço, a equipe espera que as ações positivas terminem em finalizações perigosas, gols, assistências ou grandes chances criadas.
É justamente isso que ainda não aconteceu.
A situação ganha mais importância porque o Manchester United colocou Rashford novamente em uma posição de grande responsabilidade. Ao receber a camisa 9, ele passou a carregar uma expectativa maior de produção ofensiva.
O retorno ao clube também aumentou a atenção sobre seu desempenho. Depois dos empréstimos para Aston Villa e Barcelona, Rashford precisava mostrar que poderia novamente ser uma peça importante em Old Trafford.
Até agora, isso ainda não aconteceu de maneira convincente.
Ao mesmo tempo, é importante considerar o tamanho da amostra. São apenas cinco partidas e 355 minutos. Uma sequência de dois ou três jogos com gols pode mudar rapidamente a percepção sobre seu início de temporada.
O problema para Carrick é que o Manchester United não pode depender indefinidamente dessa recuperação. Se Rashford continuar participando das jogadas, mas sem marcar ou criar oportunidades decisivas, a pressão sobre o atacante aumentará.
O cenário atual, portanto, não aponta necessariamente para um fracasso definitivo. Os números mostram um jogador que se movimenta, finaliza e participa do jogo, mas que ainda não encontrou eficiência no momento mais importante.
Para Rashford, a resposta precisa aparecer no último terço. Para Carrick, o desafio será encontrar uma maneira de aproveitar melhor as características do atacante e fazer com que os 10 quilômetros percorridos, os 14,2 sprints por jogo e as 13 finalizações finalmente se transformem em gols e assistências.
A temporada ainda está no começo, mas a camisa 9 já começa a pesar.
(Foto de capa: REUTERS/Toby Melville)



