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Futebol Ligue 1

Entenda o imbróglio que quase rebaixou o Lyon e teve participação direta de John Textor

O Lyon conseguiu reverter a decisão da DNCG (Direção Nacional de Controle e Gestão) da Liga de Futebol Profissional da França (LFP), que havia determinado o rebaixamento dos Gones à segunda divisão, e permanecerá na Ligue 1. O anúncio foi feito nesta quarta-feira (09) após audiência que analisou a apelação apresentada pelo clube ao órgão. Além disso, o OL garantiu vaga na UEFA Europa League da temporada 2025/26. Em nota oficial, o time comentou a decisão e deixou no ar uma possível crítica ao empresário americano John Textor, dono do Botafogo e que renunciou recentemente à liderança do clube francês.

A Direção Nacional de Controle de Gestão havia sancionado o Lyon em 24 de junho, rebaixando o clube à segunda divisão devido a problemas financeiros. O OL recorreu e, nesta quarta-feira, apresentou um novo plano a um comitê para tentar reverter a decisão. Os novos dirigentes do heptacampeão francês, Michele Kang e Michael Gerlinger, conseguiram convencer o órgão fiscalizador das finanças do futebol francês de que o clube possui os recursos necessários para disputar a temporada 2025/26.

O principal problema girava em torno de uma dívida de 541 milhões de euros (aproximadamente R$ 3,5 bilhões), além de uma folha salarial muito elevada e baixa liquidez. Para permanecer na Ligue 1, o Lyon precisava de uma injeção imediata de 100 milhões de euros (R$ 640 milhões), além de outros 100 milhões de euros (R$ 640 milhões) como garantia para os próximos dois anos. Em 15 de novembro de 2024, a DNCG já havia decidido proibir o Lyon de realizar contratações na próxima janela de transferências. Caso não melhorasse sua situação financeira, o clube poderia ser rebaixado administrativamente.

Vale lembrar que o Lyon continua integrado ao Grupo Eagle, mas sem John Textor. A nova mandatária, Michele Kang, que já era presidente e proprietária majoritária do time feminino desde 2023, também ocupava cargo no conselho do time masculino. John Textor, por sua vez, detém participação no Crystal Palace por meio do conglomerado. Recentemente, Woody Johnson, dono do New York Jets, fechou acordo de 190 milhões de euros (cerca de R$ 1,4 bilhão) para adquirir 43% das ações do clube inglês que pertencem a Textor.

Esse acordo, no entanto, ainda depende da aprovação da Premier League e da aprovação de Woody Johnson, ex-embaixador dos EUA no Reino Unido, no Teste de Proprietários e Diretores da liga, conhecido como Teste de Pessoas Idôneas e Aptas. Caso seja aprovado, o Crystal Palace poderá disputar a Europa League na próxima temporada sem infringir as regras de propriedade multiclube da UEFA, uma vez que a Eagle Football Holdings Group, de John Textor, também mantém participação majoritária no Lyon.

Atualmente, o Palace ainda não está liberado para atuar na Europa League devido às negociações em andamento com a UEFA. Embora Textor não participe do dia a dia administrativo dos ingleses, que é gerido por Steve Parish e pelos investidores americanos Josh Harris e David Blitzer, as regras da UEFA não permitem que dois clubes do mesmo proprietário atuem na mesma competição, exceto se as ações de um deles forem realocadas. Textor não conseguiu transferir suas ações do Palace ou do Lyon antes do prazo final de 1º de março,mais de dois meses antes da classificação do Palace à Europa League após vencer a FA Cup.

Com as novas condições apresentadas, o Lyon celebrou a decisão em suas redes sociais e se prepara para a próxima temporada. Os Gones haviam sido rebaixados para a Ligue 2 por descumprimento das regras de fair play financeiro, em função de um déficit de 25,7 milhões de euros (aproximadamente R$ 157 milhões) ao término da temporada 2023/24. Segundo o jornal francês L’Équipe, o acordo para manter o Lyon na Ligue 1 prevê supervisão de orçamento, incluindo folha salarial e gastos com transferências.

Foto: AFP

Lyon consegue evitar rebaixamento na Ligue 1; entenda

Agora é oficial: o Lyon está garantido na Ligue 1. A Comissão de Apelação da DNCG, órgão que fiscaliza as finanças dos clubes franceses, reverteu a decisão inicial de rebaixamento administrativo para a segunda divisão. De acordo com o L’Équipe, além da permanência na elite, os Gones vão ter o orçamento controlado, com restrições sobre salários e transferências, visando maior responsabilidade financeira.

Em nota oficial, o clube celebrou o desfecho:

“O Olympique Lyonnais saúda a decisão, tomada hoje pela DNCG, de manter o clube na Ligue 1. Agradecemos à Comissão de Apelação por reconhecer a ambição da nova direção, comprometida com uma gestão séria no futuro.”

O comunicado também mencionou os apoiadores durante o processo:

“A nova direção, sustentada pelo comprometimento dos acionistas e credores, é extremamente grata por todo o apoio vindo de dentro e fora do clube, especialmente de seus torcedores, funcionários, jogadores, parceiros e autoridades. A decisão de hoje é o primeiro passo para restaurar a confiança no Olympique Lyonnais.”

Com a permanência assegurada, o clube já se concentra no planejamento do elenco para a temporada 2025/26. O Lyon poderá contratar jogadores normalmente, porém sob supervisão da DNCG, em um novo cenário que representa uma virada na gestão do clube após a saída de John Textor e a chegada da sul-coreana Michele Kang à presidência.

Entre as medidas para evitar o rebaixamento estava o investimento de R$ 1,3 bilhão. Segundo o “L’Équipe”, seriam necessários 100 milhões de euros (R$ 635 milhões) em aporte imediato, além de outros 100 milhões de euros em garantias financeiras para a temporada 2025/26. Dias antes da punição, Textor negociou a venda do Crystal Palace por R$ 1,4 bilhão, visando, além de melhorar o caixa do grupo, garantir a participação do clube inglês na Europa League. A UEFA não permite dois clubes de um mesmo dono na mesma competição.

Foto: Getty Images

Entenda o imbróglio financeiro que quase rebaixou o Lyon e teve participação direta de John Textor

O Lyon enfrentou meses de incerteza em 2024/25, correndo o risco de rebaixamento administrativo por dificuldades financeiras. Após a compra por John Textor em dezembro de 2022, a DNCG identificou desequilíbrios contábeis e exigiu garantias adicionais para inscrição na Ligue 1. O clube registrou prejuízo superior a 100 milhões de euros e extrapolou o limite orçamentário permitido. Segundo nota oficial da época, a diretoria precisou recorrer a novos aportes de Textor e à venda de ativos para equilibrar as contas e evitar sanções mais severas.

Em julho de 2023, o Lyon teve suas contas bloqueadas temporariamente e ficou proibido de registrar contratações até comprovar viabilidade financeira. O problema foi solucionado após Textor investir recursos próprios e renegociar dívidas, cumprindo os requisitos da DNCG. Em comunicado, o empresário atribuiu a crise a gestões anteriores e afirmou que o Eagle Football trabalhava para recolocar o clube entre os mais fortes da França.

Ainda assim, o Lyon terminou a Ligue 1 em posição intermediária e fora de competições europeias. Textor, também dono do Botafogo, Crystal Palace e RWD Molenbeek, foi criticado pela imprensa francesa por prometer grandes investimentos e depois priorizar ajustes financeiros para evitar o rebaixamento administrativo. A federação francesa confirmou que, sem o aporte emergencial de Textor, o Lyon teria sido rebaixado.

Foto: AFP

Conheça Michele Kang, bilionária que assume o Lyon após saída de John Textor

Em 30 de junho, o Lyon oficializou mudanças em sua liderança. Michele Kang, empresária bilionária sul-coreana naturalizada americana, foi nomeada presidente do clube, substituindo John Textor, que renunciou ao cargo. Kang também assumiu a presidência e direção executiva do Eagle Football Group.

Aos 66 anos, Kang, que já era acionista minoritária do Eagle Football, tornou-se a primeira mulher a ocupar o posto mais alto do Lyon. Com carreira consolidada em tecnologia, filantropia e no futebol, integrava o Conselho de Administração desde 2023. Agora, assume o clube em um momento decisivo, com a apelação junto à DNCG concluída. Com a permanência na Ligue 1 confirmada, o Lyon se prepara para a temporada 2025/26, na qual disputará a UEFA Europa League, além da Ligue 1 e da Copa da França.

(Foto: AFP)