Paulo Borrachinha vive um momento bastante particular na carreira. O brasileiro vem de uma das maiores vitórias de sua trajetória recente, mas, mesmo assim, continua sem uma nova luta marcada e ainda tenta resolver sua situação contratual com o UFC.
Aos 35 anos, Borrachinha possui apenas mais uma luta em seu contrato com a organização. Depois disso, poderá se tornar agente livre. O problema é que o brasileiro afirma ter tentado deixar o UFC antes mesmo de cumprir esse último compromisso, mas teve o pedido recusado.
A situação ganhou força depois de sua vitória sobre Azamat Murzakanov, em abril. Borrachinha venceu o russo por nocaute no terceiro round com um chute na cabeça e se tornou o primeiro lutador a derrotá-lo. Mesmo com o resultado expressivo, ele não recebeu o bônus de US$ 100 mil concedido após algumas lutas.
Desde maio, segundo o próprio Borrachinha, ele vem tentando conseguir uma nova luta. O brasileiro afirmou que pediu oportunidades para junho, julho e agosto, mas recebeu como resposta que deveria esperar.
Essa espera é justamente o que mais incomoda o lutador.
A vitória sobre Murzakanov e a falta de uma nova luta

A situação de Borrachinha chama atenção porque sua última luta terminou da melhor maneira possível. O brasileiro enfrentou Murzakanov na categoria dos meio pesados e conseguiu uma vitória por nocaute técnico no terceiro round.
O triunfo foi significativo porque Murzakanov ainda não havia perdido uma luta profissional de MMA. Borrachinha não apenas venceu, como encontrou uma maneira contundente de encerrar o confronto.
Depois da vitória, a carreira do brasileiro voltou a ficar parada.
Borrachinha afirma que chegou a receber uma proposta para enfrentar Reinier de Ridder com apenas cinco dias de antecedência em Abu Dhabi. Para o brasileiro, uma luta com tão pouco tempo de preparação não era uma proposta adequada. Ele queria uma data que permitisse organizar seu camp de treinamento.
O lutador também afirmou que pediu para competir no card de Salt Lake City, na Califórnia e até no UFC Noche, no Arizona.
A principal reclamação de Borrachinha está relacionada à divisão dos meio pesados. O campeão Carlos Ulberg está afastado depois de sofrer uma ruptura do ligamento cruzado anterior durante a luta contra Jiri Prochazka. A previsão de Borrachinha é que Ulberg não volte antes do fim de 2026, no mínimo.
Diante desse cenário, Borrachinha acredita que o UFC poderia ter criado um cinturão interino para movimentar a categoria.
Na visão do brasileiro, uma disputa pelo título interino seria uma oportunidade interessante para ele e também ajudaria a fortalecer um evento que recebeu críticas pela escolha da luta principal.
O UFC 332 terá Natalia Silva contra Wang Cong como luta principal pelo cinturão peso mosca feminino. Para Borrachinha, um confronto pelo título interino dos meio pesados teria sido uma alternativa muito mais interessante.
É por isso que ele classificou a situação como “um desastre”.
Borrachinha também questiona as lutas de cinco rounds

Outro ponto importante nas críticas de Paulo Borrachinha é a diferença entre lutar três e cinco rounds.
O brasileiro afirma que não quer aceitar uma luta de cinco rounds sem que exista uma compensação financeira adequada ou um cinturão em disputa.
A lógica apresentada por Borrachinha é simples. Uma luta de cinco rounds exige uma preparação diferente, maior desgaste físico e possibilidade de permanecer muito mais tempo dentro do octógono. Por isso, ele entende que deveria receber mais caso o UFC queira transformar uma luta comum em um combate de cinco rounds.
Borrachinha chegou a comparar a situação com um emprego tradicional. Segundo ele, seria injusto exigir que alguém trabalhe 60% a mais pelo mesmo salário.
Essa questão também ajuda a explicar parte do impasse atual entre o brasileiro e o UFC.
Borrachinha ainda possui uma luta em seu contrato. A organização não pretende liberá-lo antes que esse compromisso seja cumprido. Ao mesmo tempo, o brasileiro quer condições que considera adequadas para realizar esse último combate.
Enquanto isso, ele também está preparando uma mudança importante fora do octógono.
Borrachinha revelou que está próximo de fechar uma parceria com Eddie Hearn, conhecido empresário e promotor do mundo das lutas. Hearn deverá assumir a função de empresário do brasileiro e cuidar também de questões relacionadas a patrocínios.
A mudança encerra a longa parceria de Borrachinha com Tiki Ghosn.
Apesar da conhecida rivalidade pública entre Hearn e Dana White, Borrachinha não acredita que sua associação com o empresário inglês prejudicará sua relação com o UFC. Para ele, os profissionais envolvidos conseguem separar suas disputas pessoais dos negócios.
No fim, o cenário de Paulo Borrachinha é de incerteza, mas também de uma possível mudança de rumo.
O brasileiro ainda acredita que o UFC quer mantê-lo no elenco, mesmo depois das críticas públicas que fez. Ao mesmo tempo, ele está tentando garantir melhores condições para o próximo capítulo da carreira.
Aos 35 anos, o tempo também pesa. Borrachinha não quer passar meses esperando por uma nova oportunidade depois de já ter vivido períodos de pouca atividade anteriormente.
Sua vitória sobre Murzakanov mostrou que ele ainda pode competir em alto nível. Agora, resta saber quando terá a oportunidade de provar isso novamente.
O próximo combate será especialmente importante porque poderá ser o último de seu atual contrato com o UFC. Depois disso, Paulo Borrachinha terá a possibilidade de negociar livremente seu futuro e decidir se continuará na organização ou buscará um novo caminho no MMA.
(Foto de capa: Instagram Borrachinhamma)



