O GP da China deste domingo (15) ficou marcado pela primeira vitória de Kimi Antonelli na Fórmula 1. Antes mesmo da largada, porém, outro fato chamou a atenção: a dupla da McLaren, Lando Norris e Oscar Piastri, sequer alinhou no grid. A equipe enfrentou problemas elétricos, e uma investigação será iniciada em conjunto com a Mercedes, fornecedora da unidade de potência da equipe.
A ocasião marcou apenas a quarta vez na história da McLaren em que nenhum dos carros inscritos conseguiu largar. Segundo Andrea Stella, chefe do time britânico, embora as falhas tenham características semelhantes, tratam-se de incidentes isolados que coincidiram de ocorrer ao mesmo tempo.
O episódio aconteceu poucos dias depois de o dirigente criticar a Mercedes por, supostamente, esconder dados sobre o motor.
Problemas apareceram em momentos diferentes

Stella explicou à imprensa que a falha elétrica surgiu primeiro no carro de Norris, quando o piloto inglês se preparava para sair da garagem. A Mercedes HPP (divisão de motores da fabricante alemã) auxiliou nas tentativas de solucionar o problema, mas sem sucesso.
Já no grid, o carro de Piastri também apresentou uma falha elétrica que não pôde ser resolvida. A equipe então recolheu o MCL40 do australiano para a garagem e encerrou a participação no GP antes mesmo da largada. Ainda de acordo com Stella, os dois problemas não parecem ter relação direta entre si.
A coincidência infeliz marcou a primeira vez que o time de Woking não largou em uma corrida de Fórmula 1 desde o GP dos Estados Unidos de 2005. Além da dupla da McLaren, também não largaram Gabriel Bortoleto, da Audi, e Alexander Albon, da Williams (que também é cliente da Mercedes). Todavia, estes últimos dois sofreram com problemas hidráulicos.
O dirigente pediu desculpas em nome da equipe e afirmou que “vamos garantir que nos recuperemos em Suzuka”. A decepção vai além dos resultados perdidos — em uma corrida na qual a McLaren largaria em quinto e sexto — e também atinge a reputação do time diante de parceiros comerciais, já que as marcas deixaram de ser exibidas como previsto em contrato.
McLaren acusou Mercedes de omitir informações sobre motor
No início da semana, a equipe, por meio do próprio Stella, já havia reclamado da clareza das informações fornecidas pela Mercedes sobre os dados da unidade de potência. A McLaren é, ao lado de Alpine e Williams, uma das três clientes das Flechas de Prata.
Após um GP da Austrália distante do pódio — cenário completamente oposto ao da equipe alemã —, o chefe do time britânico alegou que a fornecedora estaria omitindo dados sobre o M17, unidade utilizada na atual temporada.
Conforme o regulamento da Fórmula 1, os motores devem ser iguais entre a equipe de fábrica e suas clientes. Assim, a reclamação não diz respeito à qualidade ou à conformidade da unidade, mas sim ao acesso aos dados operacionais de uso.
Na prática, a McLaren estaria tendo de analisar por conta própria os feedbacks do carro relacionados ao motor, sem o auxílio direto da fornecedora. “Esta é a primeira vez que sentimos que estamos em desvantagem até na capacidade de prever como o carro vai se comportar e de antecipar como podemos melhorá-lo”, declarou o dirigente.
Durante a prévia do GP da China, contudo, Stella amenizou a situação e afirmou que a parceira vinha cooperando como esperado e fornecendo mais clareza nos dados, sobretudo os relacionados à classificação. Ainda assim, ele avaliou que a rival segue “fora de alcance”.
A próxima etapa do Campeonato Mundial de Fórmula 1 será o GP do Japão, em Suzuka, no dia 29 de março. A prova será a última da sequência da categoria no continente asiático, uma vez que as etapas do Bahrein e da Arábia Saudita foram canceladas em decorrência da Guerra do Irã.
(Foto principal: XPB Images)