Florentino Perez Real Madrid
Futebol La Liga UEFA Champions League

Entenda por que o Real Madrid abriu os cofres e já gastou 225 milhões de euros no mercado

Depois de duas temporadas sem conquistar grandes títulos, o Real Madrid decidiu mudar a postura no mercado de transferências. O clube espanhol entrou no verão de 2026 como um dos grandes protagonistas das negociações e já desembolsou 225 milhões de euros para reforçar o elenco comandado por José Mourinho.

O investimento chama atenção principalmente quando comparado aos demais clubes de LaLiga. Dos mais de 560 milhões de euros gastos pelos times da primeira divisão espanhola até o momento, cerca de 40% correspondem ao Real Madrid. O clube também já gastou mais do que Barcelona e Atlético de Madrid juntos, que investiram 100,5 milhões e 102 milhões de euros, respectivamente.

A movimentação representa uma mudança significativa na estratégia do clube. Nos últimos anos, o Real Madrid ficou conhecido por combinar grandes investimentos em jovens talentos com contratações de jogadores experientes que chegavam em oportunidades de mercado, principalmente sem custos de transferência.

Agora, porém, o clube ampliou essa estratégia. Além de continuar apostando em jogadores jovens com grande potencial, a diretoria também passou a investir em atletas mais experientes para solucionar necessidades imediatas do elenco.

O objetivo é claro: reconstruir a equipe depois de duas temporadas sem grandes títulos e voltar a disputar os principais troféus da Europa e da Espanha.

Real Madrid diversifica estratégia e aposta em diferentes perfis

diomande real madrid
Foto: Getty Images

As contratações realizadas neste verão mostram uma mudança importante no perfil dos jogadores procurados pelo Real Madrid.

Entre os reforços está Yan Diomande, jovem talento marfinense que se tornou a contratação mais cara da história do clube. Também chegaram Marc Cucurella, Denzel Dumfries e Carlos Espí. O clube ainda incorporou Bernardo Silva e Ibrahima Konaté sem precisar pagar taxas de transferência, após o fim dos contratos dos jogadores com Manchester City e Liverpool.

Somando as seis movimentações, o investimento chegou aos 225 milhões de euros.

A contratação de Cucurella custou 55 milhões de euros aos cofres do clube. Espí representou um investimento de 25 milhões, enquanto Dumfries chegou por 20 milhões. Já Diomande foi responsável pela maior parcela do investimento, cerca de 125 milhões de euros.

A estratégia chama atenção porque o Real Madrid vinha sendo bastante conservador em relação à contratação de jogadores mais velhos.

Desde 2012, quando Luka Modric chegou ao clube, o Real Madrid havia pago uma taxa de transferência por apenas cinco jogadores com mais de 25 anos: Eden Hazard, Thibaut Courtois, Keylor Navas, Kiko Casilla e Diego López. Além disso, Kiko Casilla e Diego López eram jogadores formados nas categorias de base do clube.

Até mesmo Trent Alexander Arnold representa uma exceção recente. O Real Madrid pagou 10 milhões de euros para antecipar o fim de seu vínculo com o Liverpool e contar com o jogador no Mundial de Clubes.

A chegada de Cucurella, aos 27 anos, e Dumfries, aos 30, mostra que o clube está disposto a abandonar parcialmente a estratégia de apostar apenas em jogadores jovens ou em oportunidades de mercado.

A mudança faz sentido diante do momento esportivo. O Real Madrid não está apenas pensando no futuro. O clube precisa encontrar respostas imediatas para voltar a conquistar títulos.

A contratação de jogadores experientes pode oferecer justamente isso. Enquanto Diomande representa um investimento pensando no longo prazo, nomes como Cucurella, Dumfries, Konaté e Bernardo Silva chegam com experiência e podem contribuir imediatamente.

Essa combinação permite ao clube trabalhar simultaneamente em duas frentes: renovar o elenco e aumentar sua competitividade no curto prazo.

La Fábrica ajuda a financiar o grande investimento

La Fábrica, Real Madrid de 2026
Foto: Reprodução/Getty Images

Apesar dos 225 milhões de euros gastos, o Real Madrid não está simplesmente colocando dinheiro no mercado sem considerar o equilíbrio financeiro.

Uma das principais razões que permitem ao clube realizar esse investimento é o desempenho de La Fábrica, nome dado às categorias de base do Real Madrid.

Segundo os dados apresentados, a base do clube já gerou 199 milhões de euros em vendas e receitas relacionadas a percentuais de direitos econômicos que ainda pertenciam ao Real Madrid.

Um dos exemplos é Gonzalo, negociado por 40 milhões de euros. Mesmo depois da transferência, o Real Madrid ainda manteve 30% dos direitos do jogador.

Outro negócio importante envolveu Nico Paz. O Como desembolsou 60 milhões de euros pela metade dos direitos do jogador que ainda pertencia ao Real Madrid.

Víctor Muñoz também representou uma receita significativa, com o clube recebendo 20 milhões de euros por sua negociação. Além desses nomes, outras operações envolvendo Palacios, Jacobo Ortega, Mario Gila, Álvaro Rodríguez, Álex Jiménez, Fran García e Mario Martín ajudaram a aumentar as receitas provenientes da formação de jogadores.

Esse modelo é importante porque reduz o impacto financeiro do investimento realizado nas contratações.

Na prática, o Real Madrid consegue utilizar os recursos obtidos com jogadores formados no próprio clube para financiar parte de sua reconstrução. Isso permite que a equipe abra os cofres e, ao mesmo tempo, preserve uma característica importante de sua gestão: o equilíbrio econômico.

O cenário mostra que o mercado do Real Madrid não é apenas uma questão de gastar mais dinheiro. Existe uma estratégia por trás das movimentações.

O clube está investindo pesado porque precisa reagir depois de duas temporadas sem grandes títulos, mas também está utilizando receitas geradas pela própria estrutura para sustentar esse processo.

Com 225 milhões de euros investidos, o Real Madrid se tornou o maior gastador de LaLiga e um dos poucos clubes fora da Premier League capazes de competir financeiramente com os gigantes ingleses.

A diferença em relação aos rivais espanhóis também é significativa. Somados, Barcelona e Atlético de Madrid ainda gastaram menos que o Real Madrid nesta janela.

Agora, o desafio será transformar esse investimento em resultados dentro de campo. A chegada de seis reforços muda o elenco de Mourinho e amplia as opções disponíveis para a temporada 2026/27.

O clube quer reconquistar LaLiga e a UEFA Champions League e, para isso, decidiu apostar em uma mistura de juventude, experiência e oportunidades de mercado.

Depois de um período de menor investimento, o Real Madrid voltou a abrir a carteira. Resta saber se os 225 milhões de euros investidos serão suficientes para devolver ao clube os títulos que motivaram essa grande reformulação.

(Foto de capa: REUTERS/Violeta Santos Moura)

author
Kaique