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NBA

A fracassada “Era Durant” e o futuro delicado do Phoenix Suns

Em fevereiro de 2023, Kevin Durant aterrizou em Arizona para tornar o Phoenix Suns um dos times mais fortes da NBA, em busca de seu primeiro título em 57 anos de existência. Dois anos e duas temporadas depois, nós sabemos bem qual foi o desfecho da troca bombástica que tirou o ala do Brooklyn Nets. Uma eliminação nas semifinais dos playoffs para Denver em 2022-23, uma varrida sofrida para os Timberwolves na primeira fase em 2023-24, e uma temporada com recorde negativo até o momento (30-35), correndo o risco de ficar fora até mesmo do play-in.

Sem nenhuma perspectiva de futuro, a franquia do sul dos Estados Unidos já busca se livrar de Durant, que entra no último ano de seu contrato na próxima temporada. Por isso, já é certo afirmar que esta foi mais uma tentativa fracassada de Phoenix para tentar seu primeiro anel. E sendo uma das únicas equipes na liga a ainda apostar na construção de um “supertime”, os Suns se tornaram extremamente frágeis financeiramente, principalmente diante das novas regras da NBA.

NBA offseason: What is the CBA's second apron? And how does it limit  high-spending teams? - Yahoo Sports

Regras estas, que o front-office da equipe nunca pareceu se importar. Quando Phoenix trocou por Durant, e consequentemente por seu contrato de U$194 milhões de dólares, a franquia já tinha conhecimento das regras financeiras que seriam implementadas em 2024 na liga, em especial, o second apron. O second apron é uma espécie de limite financeiro para as equipes da NBA – quem ultrapassar, está sujeitos a penalidades severas que afetam sua capacidade de realizar certos tipos de transações e manter um time competitivo, permitindo, por exemplo, uma equipe a oferecer apenas contratos mínimos para agentes livres.

E como se isso já não fosse um problema para Phoenix, a franquia não ligou muito e resolveu trocar pelo contrato absurdamente alto de Bradley Beal. E como nenhum dos vínculos com salários altos da equipe (Beal, Durant e Booker) se encerram no fim desta temporada, mantendo os Suns acima deste limite, a equipe teria de esperar até 2026-27 para começar uma reconstrução – o que seria desastroso, já que o time de Arizona possui apenas escolhas de primeira rodada desfavoráveis até 2031. Por isso, a reformulação deve começar já na próxima off-season, e existem algumas opções para o front-office tentar “salvar” o futuro da equipe.

Arruma suas malas, Durant!

O caminho mais óbvio é trocar Kevin Durant. Sem clima e sem futuro na equipe, é quase impossível o ala não sair de Arizona na próxima off-season. Os possíveis destinos não são a pauta em questão, mas sim, o que Phoenix pode receber pelo atleta de 36 anos. Segundo o jornalista Duane Rankin, os Suns buscam três escolhas de primeira rodada e um jovem jogador por Durant. Honestamente, é muito improvável que a franquia de Arizona consiga um negócio tão bom como este – justamente por conta das regras do second-apron. Um jogador de 36 anos com cerca de U$52 milhões de dólares para receber é pouco atrativo, independente da sua qualidade.

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Além do mais, as restrições financeiras que já são aplicadas aos Suns torna uma possível negociação complicadíssima, possivelmente havendo a necessidade de um terceiro time. E para que Phoenix fique abaixo do second apron, o front-office precisa garantir que Durant assine uma extensão contratual com o time envolvido na troca. Ufa! Esta é a tarefa mais “simples” e mais provável de ser realizada pela franquia. Estando abaixo do second apron, a franquia tem a oportunidade de “reconstruir” ao redor de Devin Booker, montando um time mais sólido no geral. Se também conseguir trocar Beal, ótimo – caso não, o time tem um bom jogador no elenco, mesmo caríssimo.

Com Devin Booker, Beal, Grayson Allen, Royce O’Neale e Ryan Dunn, Phoenix precisaria “apenas” montar um garrafão decente para ser um time minimamente competitivo. Mas se Durant for a única moeda de troca, é de se esperar que no máximo um Walker Kessler ou Robert Williams aterrise em Arizona. Desta forma, as draft picks seriam a esperança da franquia para o futuro. Mas a questão é: o front-office terá essa paciência?

Abraçando a loucura: o adeus de Booker?

Uma das possibilidades, ainda de acordo com o jornalista Duane Rakin, é uma troca envolvendo o filho pródigo de Phoenix: Devin Booker. Seria uma verdadeira loucura e faria muito menos sentido do que abrir mão de Durant – porém, o valor de Booker é definitivamente maior que o do ala de 36 anos. Segundo Duane, fontes afirmam que os Suns receberiam quatro escolhas de primeira rodada e no mínimo um jovem de potencial por D-Book. E pensando em curto prazo, Phoenix poderia adquirir um “pacote” de jovens jogadores, como OKC fez ao trocar Paul George, e ainda manter Durant e Beal no elenco para tentar algo de imediato. Porém, isso implica em uma chance muito pequena de sucesso.

Has Devin Booker emerged as the Best Player in the NBA? : r/suns

Mas faz sentido se livrar de Booker? O guard pode não estar no nível de Luka Doncic, mas o quão grande seria o impacto da saída do jogador mais identificado com a cidade de Phoenix, e que foi um dos principais responsáveis por levar sua equipe às finas de 2021 contra Milwaukee? E se considerarmos sua idade, os Suns ainda tem uma janela de cinco a seis anos para conseguir montar um time ao redor dele. O único fator que pode pesar em uma possível troca de Devin é justamente seu salário, já que o atleta é quem possui a maior quantidade de dinheiro garantida: U$220 milhões, com vínculo até 2027-28.

Medidas necessárias, independente do cenário

Deixando de lado a troca envolvendo suas duas principais estrelas, existem medidas que Phoenix pode tomar sem muita preocupação nesta off-season. A primeira, é tentar se livrar do contrato tenebroso de Bradley Beal. O jogador possui uma no-trade clause, o que torna esta missão muito difícil. Porém, muito provavelmente Bradley não deseja seguir em Phoenix, e por isso, estaria apto a aceitar uma troca, desde que envolva um destino interessante.

A segunda, é mudar o comando. Sob a tutela de Mike Budenholzer, Phoenix joga um dos basquetes mais insosos e desinteressantes da NBA. É quase torturante assistir um jogo da equipe de Arizona. Claro, as coisas não estão do jeito que estão por conta do treinador e seus antecessores, como Frank Vogel ou Monty Williams. Mas é necessário, principalmente, se atualizar. Budenholzer tinha um único jeito de jogar no Bucks, e a diretoria da franquia de Milwaukee quis se desfazer do treinador justamente por acreditar que ele não tinha capacidade de se adaptar às mudanças ofensivas e defensivas que estão acontecendo.

Suns Coaching Staff: Learn About Mike Budenholzer and His Coaching Staff -  The SportsRush

É uma equipe sem padrão, sem estilo e sem alma: No ataque, Phoenix é o 27º time na liga em quantidades de arremessos tentados por jogo (86), 13º em arremessos de três tentados (37.6) e última em pontos no garrafão (34.8). Em rebotes, a franquia é a 26ª – 42.7 por jogo. Defensivamente, não se encontrar acima de 15ª em absolutamente nenhum quesito. É um deserto de ideias. Nesta bagunça, nomes de muita qualidade como Tyus Jones e Nick Richards, simplesmente se tornaram nulos.

E por fim, Phoenix tem que entender que a era de supertimes e coisas do tipo, acabou. Talvez seja melhor ser medíocre e esperar um Victor Wembanyama cair em seu colo do que dar esperanças imediatas em troca de qualquer tipo de estabilidade futura. Ter Booker e Durant em seu elenco e ter que lidar com os problemas que a franquia lida é simplesmente frustrante. É o preço que se paga pela mentalidade “all-in”.