O Phoenix Suns tinha a décima escolha do Draft de 2020, precisava de um armador e contava com Devin Booker como principal estrela. Para completar o cenário, Tyrese Haliburton estava disponível e, agora, revelou que ele e seu agente chegaram a ligar para a franquia na tentativa de convencê-la a selecioná-lo.
Mesmo assim, o Phoenix Suns escolheu Jalen Smith.
Anos depois, a decisão continua sendo uma das maiores interrogações da história recente da franquia. E a revelação de Haliburton tornou o episódio ainda mais doloroso para os torcedores do Suns. Afinal, não era apenas um jogador talentoso que estava disponível: era um jogador que queria estar em Phoenix.
A situação resume bem como o Draft da NBA pode mudar completamente o destino de uma equipe. Uma escolha feita em poucos minutos pode determinar anos de planejamento, alterar o desenvolvimento de uma estrela e, em alguns casos, criar aqueles famosos “e se?” que perseguem uma franquia por muito tempo.
No caso do Phoenix Suns, o “e se?” atende pelo nome de Tyrese Haliburton.
Haliburton queria jogar pelo Phoenix Suns
A revelação veio durante a participação de Haliburton no podcast Numbers on the Board. O armador contou que seu agente entrou em contato com o Phoenix Suns antes do Draft de 2020 porque acreditava que o encaixe seria perfeito.
A ideia era bastante simples: Phoenix precisava de um armador, e Haliburton queria jogar ao lado de Devin Booker.
O jogador deixou claro que estava interessado na possibilidade de começar sua carreira no Arizona. Só que a resposta recebida pelo seu estafe não foi exatamente a que eles esperavam. O Phoenix Suns pretendia selecionar um ala-pivô. E assim aconteceu.
Com a décima escolha, a franquia chamou Jalen Smith, enquanto Haliburton precisou esperar mais duas escolhas para ouvir seu nome. O Sacramento Kings selecionou o armador na 12ª posição.
É difícil imaginar um cenário mais frustrante para o torcedor do Phoenix Suns. O jogador que queria estar na franquia estava disponível duas posições depois. E a equipe precisava justamente de alguém com características semelhantes às de Haliburton.
Encaixe com Booker parecia natural
Naquele momento, Devin Booker já era o rosto do Phoenix Suns e uma das principais estrelas jovens da NBA. A equipe precisava encontrar jogadores capazes de complementar sua principal arma ofensiva.
Haliburton poderia ter sido exatamente esse jogador.
Seu perfil de armador combinava visão de jogo, capacidade de passe, inteligência para tomar decisões e eficiência ofensiva. Ele não precisava ter a bola durante todas as posses para influenciar o jogo, algo especialmente interessante ao lado de um pontuador como Booker.
Em vez de dividir a quadra com outro jogador que exigisse volume enorme de arremessos, Booker poderia ter ao seu lado um armador capaz de organizar o ataque e criar oportunidades. E havia ainda Chris Paul.
O veterano estava no elenco do Phoenix Suns e poderia ter sido um mentor praticamente perfeito para Haliburton. Um jovem armador com talento para passar e ler o jogo ao lado de um dos maiores especialistas da posição na história da NBA.
No papel, era uma combinação difícil de ignorar. Mas o Phoenix Suns decidiu seguir outro caminho.
Jalen Smith não entregou o que a franquia esperava
É importante deixar claro que nenhuma escolha de Draft pode ser avaliada apenas olhando para o que aconteceu depois.
Na época, Jalen Smith tinha qualidades que justificavam o interesse do Phoenix Suns. O ala-pivô vinha de Maryland e apresentava características defensivas e físicas que poderiam complementar o elenco. O problema foi o resultado.
Smith disputou apenas 27 partidas em sua temporada de estreia pelo Phoenix Suns e não conseguiu conquistar um espaço relevante na rotação. Pouco mais de uma temporada depois, deixou a franquia.
Sua carreira na NBA continuou e ele conseguiu construir um caminho profissional respeitável, mas nunca atingiu o patamar esperado de uma décima escolha. Enquanto isso, Haliburton começou a crescer rapidamente. E aí o contraste ficou inevitável.
Haliburton virou exatamente o tipo de jogador que o Suns precisava
Depois de ser selecionado pelo Sacramento Kings, Haliburton mostrou rapidamente por que era considerado um dos talentos mais interessantes daquela classe.
Sua capacidade de criar para os companheiros, controlar o ataque e encontrar passes improváveis se tornou uma de suas principais características. Com o tempo, ele também assumiu maior protagonismo como pontuador e se consolidou como uma das estrelas da nova geração da NBA.
O jogador que o Phoenix Suns poderia ter selecionado passou a ser exatamente o tipo de armador que muitas franquias procuram durante anos. E existe um detalhe que deixa a história ainda mais complicada.
O Phoenix Suns não precisava subir no Draft para conseguir Haliburton. Não era necessário oferecer escolhas futuras, abrir mão de jogadores ou negociar com outra equipe. Bastava escolher o jogador na décima posição. Duas escolhas depois, Haliburton ainda estava disponível.
E se Haliburton tivesse jogado com Booker?
Essa pergunta provavelmente nunca terá uma resposta.
É impossível saber como Haliburton teria se desenvolvido caso começasse a carreira no Phoenix Suns. O sistema ofensivo poderia ter sido diferente, Chris Paul poderia ter influenciado seu crescimento de outra maneira e o próprio jogador poderia ter assumido um papel diferente ao lado de Booker.
O ambiente também muda tudo.
Um jovem jogador pode ter uma trajetória completamente diferente dependendo do treinador, dos companheiros, da estrutura da franquia e até das expectativas colocadas sobre ele.
Por isso, não dá para afirmar que Haliburton teria se tornado exatamente o mesmo jogador em Phoenix. Mas dá para reconhecer que as condições eram interessantes.
Booker já era uma referência ofensiva. Chris Paul oferecia experiência. E o Phoenix Suns precisava de um armador jovem que pudesse assumir responsabilidades no futuro. Haliburton encaixava nessa descrição quase perfeitamente.
Uma das escolhas mais difíceis de esquecer
Todo torcedor conhece histórias de Draft que poderiam ter terminado de maneira diferente. A NBA é construída em parte sobre esses “e se?”.
No entanto, o caso do Phoenix Suns com Haliburton tem uma característica especial. Essa combinação torna difícil simplesmente colocar o episódio na conta daquelas decisões que só parecem erradas depois que o jogador se transforma em estrela.
É claro que existe uma dose de retrospectiva. Nenhum dirigente consegue prever exatamente como cada prospecto vai evoluir, e não dá para imaginar que o Suns ainda continuaria tendo problemas com armadores nesta altura da história.
Ainda assim, o contexto disponível na época já apontava para uma possibilidade bastante interessante. O Phoenix Suns poderia ter escolhido Haliburton e colocado um armador jovem ao lado de Booker. Em vez disso, decidiu apostar em Jalen Smith. Anos depois, a escolha parece ainda mais pesada.
Phoenix Suns precisa aprender com o passado
O mais importante agora é que a franquia não fique presa ao erro. A NBA não permite voltar ao Draft de 2020. Não existe botão de desfazer e, infelizmente para os torcedores do Phoenix Suns, nenhum “Ctrl+Z” capaz de colocar Haliburton na décima escolha.
O que existe é a possibilidade de aprender.
Decisões de Draft precisam considerar talento, encaixe, necessidade do elenco e potencial de desenvolvimento. E, principalmente, é preciso ter coragem para escolher o jogador que pode se tornar especial, mesmo quando ele não parece ser a resposta mais óbvia naquele momento.
A história de Haliburton serve como um lembrete disso. O Phoenix Suns tinha uma oportunidade de ouro e deixou passar.
Talvez Haliburton tivesse se tornado diferente em Phoenix. Talvez a história de Booker e da própria franquia tivesse tomado outro rumo. Talvez tudo tivesse dado errado. Mas aí entra aquele importante ponto, se a minha vó tivesse duas rodas, ela era uma bicicleta.
Foto: Stacy Revere/Getty Images



