Explicações, otimismo em meio a bagunça e cobranças. Assim se resume o Corinthians após uma vexatória derrota em solo equatoriano para o Barcelona de Guayaquil, que praticamente ceifou sua vaga na fase de grupos da Conmebol Libertadores. O 3 a 0 para os donos da casa na ida da segunda eliminatória do torneio continental deixou os alvinegros numa situação completamente desconfortável para a sequência do trabalho de Ramón Díaz, que apesar de um começo de ano estável depois de um 2024 tenso dentro e fora de campo, chega ao duelo de volta extremamente pressionado no cargo.
A classificação para a fase final do Paulista apesar de bem comemorada, assim como a arrancada que culminou na escapada do rebaixamento no Brasileiro e vaga na Pré-Libertadores, ainda não é o suficiente para uma equipe que anos antes brigou nas cabeças e nessa década, vive um período turbulento, que pode se aprofundar numa nova crise caso a eliminação se confirme na próxima quarta, e no estadual neste domingo, nas semifinais diante do Santos. Confira a seguir, uma análise sobre o panorama corintiano para a sequência da temporada, e os erros de estratégia que Ramón deve consertar com urgência.
O que o Corinthians espera de 2025?
Tendo feito um 2024 praticamente irregular após um primeiro semestre vergonhoso e um segundo semestre focado em se reerguer, o Corinthians demorou a encontrar um caminho que amenizasse a bagunça vista no time desde o começo dos anos 2020, onde assumiu uma postura completamente coadjuvante diante de rivais como São Paulo e Palmeiras. Há seis anos sem títulos, o Timão aparenta nos últimos tempos ter se contentado com a figura de ser apenas um dos “oito melhores” em competições de mata-mata, e ficar em posições intermediárias do Campeonato Brasileiro, distante da vaga direta na Libertadores da América, que possui uma fase preliminar punitiva aos alvinegros do Parque São Jorge.
Fantasmas como o Guarani-PAR e o Tolima-COL rondaram a equipe na noite de ontem, que demonstrou uma apatia incomum na partida contra o Barcelona, apesar de já ter tropeçado contra o São Paulo no Paulista, e sofrido para superar o Universidade Central da Venezuela na eliminatória anterior da Liberta. Desde o começo do jogo contra os equatorianos, a insegurança no grupo de Ramón Díaz prevaleceu assim como contra os venezuelanos, e curiosamente, apresentou uma falha do lateral João Pedro Tchoca, que cometeu um pênalti no final do primeiro tempo determinante a abertura do placar maiúsculo conquistado pelos donos da casa.
O novo erro de Tchoca expôs mais uma vez ao mundo a nulidade defensiva que o Corinthians possui em meio a um setor ofensivo que vem funcionando bem nos últimos jogos, entretanto, depende de uma boa ligação entre os pares, além de uma estratégia que realmente combine com o estilo esperado para garantir resultados positivos e sem dificuldades. O time alvinegro apesar de ter jogadores da competência de Memphis Depay e Rodrigo Garro, não surtiu efeito nenhum ao iniciar com apenas três defensores e não quatro como o comum, e estar totalmente desprovido de técnica para agir quando tem (e principalmente quando não tem) a posse da bola, muito bem aproveitada pelo Barcelona e seus asseclas.

Ontem à noite, tudo o que poderia dar errado para os corintianos deu, após Ramón e Emiliano optarem por uma mudança brusca no que vinha dando certo, apesar da dificuldade para vencer em algumas ocasiões. O sacode equatoriano acendeu um novo sinal de alerta na comissão técnica do Timão após as eliminações do ano passado para o Flamengo na Copa do Brasil e para o Racing-ARG na Sul-Americana, levando a crer que a qualquer momento, o trabalho se encerre antes do começo do Brasileirão.
Quando se cita a possibilidade do trabalho de Ramón no Corinthians poder terminar a qualquer momento, lembramos que além de decidir seu futuro na competição continental quarta-feira, há uma semifinal de Paulistão no domingo diante do Santos, que chega numa situação cômoda após a derrota corintiana, e promete força máxima na Neo Química Arena, visando se garantir pelo segundo ano consecutivo na decisão. Apesar de vencer o clássico contra o Peixe na primeira fase, o Timão sabe mais do que ninguém que o golpe no Equador lhe intimida não só a vencer novamente o rival e se classificar, como também apresentar um futebol vistoso, para espantar a possível crise que se avizinha e pode comprometer severamente o futuro do clube.
Foto: JUAN MABROMATA/AFP via Getty Images