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A Escócia na Copa do Mundo: como joga, principais jogadores e a análise do exército Tartan

A Escócia retorna para a Copa do Mundo de 2026 depois de 28 anos de ausência com uma geração de bons jogadores para encerrar esse jejum. Classificada de forma direta para o mundial, os “Bravehearts” tem a grande chance de, pela primeira vez em sua história de mais de 150 anos, passar da primeira fase. Sua melhor participação foi em 1974, quando terminou com a nona colocação geral.

Abaixo de Brasil e Marrocos e com superioridade diante do Haiti, num mundial com 48 seleções e 32 vagas para a segunda fase, tem a sua grande chance de conquistar esse feito. As semelhanças com 1998 também aparecem nas seleções citadas, pois faltou apenas a Noruega no lugar da seleção haitiana para que o mesmo grupo daquela Copa se repetisse em solo americano.

Os 28 anos longe dos holofotes mundiais fez com que gerações de seu país não tivessem a oportunidade de jogar uma Copa do Mundo. Com a ascensão de jovens jogadores e a consolidação de um nome em um dos times mais marcantes dos últimos anos, a oportunidade apareceu, o que não quer dizer que foi sem drama após ficar fora nos playoffs para a Copa de 2022.

Classificados para o Mundial no último lance como líderes do Grupo C das Eliminatórias da UEFA, os comandados de Steve Clarke chegam para a Copa como um azarão. Mas um azarão que pode pregar peças como franco-atirador. Da forma como conquistou a vaga, a seleção escocesa mostrou que acredita até o final.

Como joga a Escócia?

Steve Clarke
Comandante da Tartan Army há sete anos, Steve Clarke é o nome de confiança para comandar a Escócia (com contrato renovado até 2030) – Foto (Divulgação/Getty Images)

No comando da seleção desde 2019, os times de Steve Clarke variam muito no esquema tático. Ora atuando com três zagueiros, e em alguns casos com linha de cinco na defesa em determinadas ocasiões. Ora atuando num tradicional 4-2-3-1, como foi utilizado na campanha para as eliminatórias.

Nos últimos amistosos, Clarke voltou a testar o esquema com três zagueiros e também um 4-4-2 clássico. Independente do esquema utilizado, a Escócia tende a ser uma equipe pragmática utilizando dos contra-ataques e especialmente da bola parada, onde é o seu cartão de visitas.

Esse ponto, inclusive, não é exagero. Na última Eurocopa, uma das estrelas da seleção era o treinador de bolas paradas: Austin McPhee. Após 2024, ele deu lugar para o atual detentor da função Andrew Hughes que faz parte da comissão técnica do Leicester United, da Inglaterra.

O jogo da Escócia não foge de suas tradicionais características. O que não quer dizer que não existam jogadores que possam fazer com que o time jogue de forma mais leve em duelos em que é a favorita. Mas no geral, espere um time mais postado e atuando em bloco baixo na defesa contra equipes mais ofensivas.

Principais jogadores

Scott McTominay
O cara do momento na Escócia: Scott McTominay (Foto – Divulgação/AFP)

Seu grande destaque é o meio-campo do Napoli, Scott McTominay. Após se transferir do Manchester United para o time de Nápoles em 2024, o camisa 4 foi uma das principais peças para a conquista do título italiano de sua equipe na temporada 2024/25. A empolgação é tanta que o gol de bicicleta na eliminatória da UEFA estará estampado na nota de 20 libras. Como articulador e pisando na área para finalizar jogadas, é a arma mais letal do time de Steve Clarke.

Além dele, outro meia que se destaca pela seu jogo físico é o meia John McGinn. Capitão do Aston Villa e campeão da Europa League, o jogador de 31 anos vem no seu melhor momento para a Copa do Mundo. Ainda na Premier League, mas em momento de baixa, está o lateral-esquerdo e capitão da seleção escocesa Andrew Robertson, lenda do Liverpool. Dos nomes, ele é o mais reconhecido pelas conquistas nos últimos anos.

Para o ataque, a Escócia aposta em nomes experientes como Che Adams (Torino/ITA), Lyndon Dykes (Charlton Athletic/ING), George Hirst (Ipswich Town/ING), Ross Stewart (Southampton/ING) e Lawrence Shankland (Hearts/ESC). Destaque para o atacante que atua em seu país natal, vindo de uma temporada com 16 gols na Scottish Premiership.

Dentre os garotos, destaque para o meia-atacante do Bournemouth, Ben Gannon-Doak, de apenas 20 anos. Ao lado do outro meia-atacante, Findlay Curtis (Rangers/ESC), de 19 anos, que são os mais novos de uma seleção com média de idade de 29 anos. O mais “veterano” do grupo é o goleiro do Hearts, Craig Gordon, de 43 anos.

Como foi o ciclo para a Copa do Mundo?

O início foi promissor. Fazendo uma qualificatória convincente para a Eurocopa de 2024 vencendo todos os cinco jogos inciais de seu grupo onde estava a badalada Noruega e a grande favorita Espanha. Após esse embalo, os escoceses passaram por um momento turbulento, vencendo apenas uma partida amistosa contra Gibraltar. Na Euro, sua participação foi muito abaixo do esperado, ficando na fase de grupos com apenas um ponto conquistado e o pior momento sendo a goleada sofrida pela Alemanha por 5-1.

A má fase continuou na Nations League 24/25 onde ficou em terceiro num grupo com Portugal, Croácia e Polônia. Nos playoffs do rebaixamento, perdeu para a Grécia e acabou caindo para a edição 26/27. Com o foco para as eliminatórias da Copa do Mundo, a chave mudou e a “Tartan Army” voltou a encontrar os resultados.

Contra Dinamarca, Grécia e Belarus, a Escócia se recuperou dos baques recentes vencendo quatro das seis partidas disputadas, empatando uma e perdendo para os gregos na penúltima rodada. O que culminou no confronto direto contra os dinamarqueses valendo a vaga para a Copa num “playoff” antecipado.

Jogando pelo empate, a Dinamarca estava fazendo o resultado até Tierney e McLean marcarem gols antológicos nos acréscimos do segundo tempo e trazer a alegria para a Escócia com a vaga direta para a Copa. Nos amistosos pré-Copa, derrotas para Japão e Costa do Marfim por 1-0 e vitória confortável contra Curaçao por 4-1.

Onde pode chegar?

Vai depender principalmente do que for feito em sua estreia contra o Haiti, na teoria a seleção mais fraca do grupo. Caso consiga vencer e fazer um saldo de gols bem confortável, se colocaria em uma situação segura para os jogos mais complicados no decorrer da fase de grupos.

O duelo contra Marrocos será o divisor de águas. Pois se fizer o resultado da estreia, pode jogar pelo empate para se colocar como, no mínimo, uma das terceiras colocadas do grupo a depender de como a seleção africana virá depois de sua primeira partida. Contra o Brasil, a tarefa será complicada e evitar uma goleada é o melhor cenário.

O prognóstico é de estar entre as 32 que estarão na segunda fase do mundial. Mas tudo depende do que acontecer em seu jogo de estreia. Se der a lógica, pode encaminhar a vaga entre os oito melhores terceiros e até segundo lugar. Em caso de resultado não esperado, corre risco de ficar na fase de grupos. Resumindo: a “final” da Escócia é contra o Haiti.

Os jogos da Escócia na Copa do Mundo

13/6 – 22:00: Haiti x Escócia (Gillete Stadium – Boston)
19/6 – 19:00: Escócia x Marrocos (Gillete Stadium – Boston)
24/6 – 19:00: Escócia x Brasil (Hard Rock Stadium – Miami)