Marrocos deixou uma das melhores impressões da primeira rodada da Copa do Mundo e chega para enfrentar a Escócia cercado de confiança após arrancar um empate por 1 a 1 contra o Brasil. Mais do que o resultado, foi a atuação dos Leões do Atlas que chamou atenção e transformou a equipe africana em uma das seleções mais comentadas do Grupo C.
A seleção marroquina encarou de igual para igual uma das favoritas ao título e, durante boa parte do confronto disputado em Nova Jersey, pareceu até superior aos brasileiros. Organizada, agressiva e tecnicamente refinada, a equipe comandada por Mohamed Ouahbi mostrou que a histórica campanha de 2022 está longe de ter sido um acaso.
Agora, o próximo desafio é a Escócia. E se os escoceses já sabiam que enfrentariam um adversário complicado, a exibição diante do Brasil serviu para reforçar que Marrocos pode ser uma das grandes ameaças da fase de grupos.
Marrocos dominou o Brasil durante boa parte da partida
Os primeiros 30 minutos do duelo contra o Brasil foram suficientes para despertar a atenção de qualquer torcedor que esteja acompanhando o Mundial.
Marrocos controlou a posse de bola, circulou o jogo com qualidade e encontrou espaços na defesa brasileira com relativa facilidade. O prêmio veio quando Brahim Díaz encontrou um passe preciso nas costas da zaga e Ismael Saibari apareceu para encobrir Alisson Becker com categoria.
O gol refletia exatamente o que acontecia em campo.
Enquanto os marroquinos trocavam passes com confiança, o Brasil parecia desconfortável e sem conseguir impor seu ritmo. A igualdade só veio graças a um lance individual de Vinicius Júnior, que tirou um coelho da cartola para evitar uma situação ainda mais complicada para os sul-americanos.
No segundo tempo, os brasileiros cresceram, criaram oportunidades e pressionaram, mas Marrocos mostrou outra característica importante: a capacidade de sofrer sem perder a organização.
O empate acabou sendo justo e deixou uma mensagem clara para o restante do grupo.
Marrocos prova que a campanha histórica de 2022 não foi sorte
Quando chegou às semifinais da Copa do Mundo de 2022, muita gente tratou Marrocos como a grande zebra daquele torneio.
Quatro anos depois, essa narrativa parece cada vez mais distante da realidade.
A seleção africana continua extremamente competitiva e chega ao Mundial de 2026 com um elenco mais profundo e renovado. A base da mentalidade vencedora permanece, mas novas peças surgiram para elevar ainda mais o nível da equipe.
O resultado contra o Brasil reforçou justamente essa sensação.
Os Leões do Atlas não dependem apenas da força defensiva que os tornou famosos no Catar. Hoje, a equipe também consegue controlar partidas através da posse de bola e da qualidade técnica de seus meio-campistas e atacantes.
Nova geração dá ainda mais força a Marrocos
Um dos aspectos mais interessantes deste novo ciclo de Marrocos é a chegada de jovens talentos.
Entre eles, o nome que mais chamou atenção contra o Brasil foi Ayyoub Bouaddi. O meio-campista de apenas 18 anos teve personalidade de veterano diante de uma das seleções mais fortes do mundo e mostrou por que vem sendo observado por gigantes europeus como Arsenal e Liverpool.
Outro destaque foi Ismael Saibari. Além de marcar o gol marroquino, o atacante demonstrou velocidade, inteligência nos movimentos e grande capacidade de decisão. Não por acaso, seu nome já aparece ligado a uma possível transferência para o Bayern de Munique.
Essa renovação acontece enquanto alguns dos heróis da geração anterior se aproximam do fim de seus ciclos internacionais.
Hakim Ziyech, Sofiane Boufal, Youssef En-Nesyri e Romain Saiss ajudaram a escrever uma das páginas mais importantes da história do futebol marroquino, mas o futuro já começou a ser construído.
Contra o Brasil, Marrocos terminou a partida com seis jogadores abaixo dos 23 anos em campo, um dado que ajuda a explicar por que a seleção olha para o presente e para o futuro ao mesmo tempo.
Escócia terá um desafio completamente diferente
Depois da vitória por 1 a 0 sobre o Haiti, a Escócia sabe que um resultado positivo diante de Marrocos pode deixá-la muito próxima da classificação para as oitavas de final.
O problema é que o confronto promete ser muito mais complicado do que a estreia. A tendência é que Marrocos assuma a iniciativa da partida, controlando a posse e tentando empurrar os escoceses para trás.
Por outro lado, a equipe de Steve Clarke costuma se sentir confortável em jogos desse perfil. A seleção britânica geralmente atua com linhas compactas, protege bem os espaços e procura explorar os contra-ataques.
Isso cria um cenário interessante para o confronto. De um lado, uma seleção que gosta de controlar o jogo. Do outro, uma equipe acostumada a competir sem a bola.
Primeiro gol pode ser decisivo
Existe uma expectativa crescente de que o duelo entre Escócia e Marrocos seja um dos confrontos mais equilibrados da segunda rodada do Grupo C.
A organização defensiva das duas equipes sugere uma partida de poucas oportunidades claras. Por isso, marcar primeiro pode fazer toda a diferença.
Se Marrocos sair na frente, terá espaço para controlar ainda mais a posse e obrigar a Escócia a correr riscos. Se os escoceses abrirem o placar, poderão executar exatamente o plano de jogo que mais gostam: defender com disciplina e explorar os espaços deixados pelo adversário.
Não é exagero dizer que um detalhe pode decidir a partida.
Marrocos entra em campo de olho nas oitavas de final
O confronto tem peso de decisão mesmo acontecendo ainda na fase de grupos.
Com um empate diante do Brasil na estreia, Marrocos sabe que uma vitória sobre a Escócia pode deixá-lo em posição extremamente favorável para garantir vaga no mata-mata.
Além da vantagem na classificação, o resultado permitiria administrar melhor o elenco na rodada final contra o Haiti. Por isso, a expectativa é de força máxima em Boston.
Depois do que apresentou contra o Brasil, Marrocos chega como uma das seleções mais interessantes desta Copa do Mundo. Organizado, talentoso e cada vez mais renovado, o time africano demonstra que continua evoluindo após o histórico desempenho de 2022.
A Escócia terá pela frente um adversário que mistura juventude, qualidade técnica e confiança. E se os Leões do Atlas repetirem o futebol mostrado diante dos brasileiros, a missão escocesa promete ser tudo, menos simples.
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