O amor aparece das formas mais improváveis. Pode nascer em um aplicativo, em um encontro casual ou até mesmo em um estádio de beisebol durante uma Copa do Mundo.
Foi exatamente esse o cenário vivido pela torcida da Escócia em Miami. Em uma noite quente no sul da Flórida, o LoanDepot Park, casa do Miami Marlins, virou palco de mais uma demonstração do carisma da famosa Tartan Army, que segue conquistando os Estados Unidos durante o Mundial.
No meio da movimentação dos corredores do estádio, uma cena chamou atenção. Uma torcedora exibia um cartaz simples, mas direto: “Procurando um escocês”. Ao lado da mensagem, as bandeiras da Escócia e de Cuba completavam o recado. Não demorou muito para que um integrante da Tartan Army aparecesse para abraçá-la, arrancando risos e fotos dos presentes.
O episódio resumiu perfeitamente o que tem sido a passagem dos escoceses pela Copa do Mundo: uma mistura de festa, irreverência e uma capacidade única de criar conexões por onde passam.
Escoceses transformam mais um estádio americano em extensão de Glasgow
Depois de colorirem as arquibancadas do Fenway Park, em Boston, os torcedores escoceses repetiram a dose em Miami.
Milhares de fãs compareceram ao duelo entre Miami Marlins e Texas Rangers, ajudando a impulsionar o público para mais de 20 mil pessoas — o maior registrado em uma segunda-feira no estádio desde 2017.
Antes mesmo da partida começar, a atmosfera já era diferente. Do lado de fora, o cantor Nick Morgan comandava a festa ao som de “No Scotland No Party”, enquanto centenas de torcedores cantavam e celebravam sob o calor da Flórida.
Dentro do estádio, porém, a grande atração não foi o beisebol.
Billy Gilmour, meio-campista do Napoli e da seleção escocesa, lesionado e fora dos gramados, foi convidado para realizar o tradicional arremesso inicial da partida. Com uma joelheira visível e vestindo a camisa dos Marlins, o jogador foi recebido com entusiasmo digno de ídolo nacional.
A reação da torcida transformou um simples protocolo pré-jogo em um dos momentos mais celebrados da noite.
Uma experiência feita sob medida para a Tartan Army
Embora o aumento no público e no consumo dentro do estádio seja um benefício evidente para a franquia da MLB, a impressão deixada foi de que houve um esforço genuíno para receber os escoceses.
O cardápio ganhou inspirações britânicas, DJs tocaram músicas tradicionais da Escócia e até torcedores locais entraram no clima.
Uma torcedora dos Marlins revelou ter trocado seu assento habitual para acompanhar a torcida escocesa naquela noite. Além disso, distribuiu miniaturas dos tradicionais cones de trânsito, objeto que se tornou símbolo folclórico das celebrações da Tartan Army ao longo dos anos.
Conforme o sol desaparecia atrás do horizonte de Miami, a festa crescia nas arquibancadas.
O ponto alto veio durante a sexta entrada, quando a St Andrews Pipe Band de Miami tomou conta do estádio com suas gaitas de fole. O som ecoava tão forte que, por alguns instantes, quase abafava o próprio jogo.
A Escócia perde em campo, mas segue vencendo fora dele

Dentro das quatro linhas do beisebol, os Texas Rangers venceram mais uma vez. Curiosamente, os torcedores escoceses já viram mais triunfos dos Rangers durante esta Copa do Mundo do que da própria seleção nacional.
Ainda assim, ninguém parecia disposto a deixar a festa acabar.
Entre músicas dos Proclaimers, selfies, bandeiras e histórias curiosas, a sensação era de que aquela noite havia se tornado mais um dos capítulos inesquecíveis da jornada escocesa nos Estados Unidos.
Até os momentos mais aleatórios ganharam ares de superstição. Stephen McGinn, irmão do meio-campista John McGinn, por exemplo, conseguiu agarrar uma bola que desviou de forma improvável pelas arquibancadas, arrancando comemorações dos torcedores ao redor.
Pequenos acontecimentos que, para muitos escoceses, podem ser interpretados como sinais de sorte.
Decisão contra o Brasil pode definir o rumo da aventura escocesa
Agora, toda a energia da Tartan Army se volta para o confronto decisivo diante do Brasil, pela última rodada do Grupo C.
Mais do que uma partida, o duelo representa a chance de prolongar uma das histórias mais carismáticas desta Copa do Mundo. Independentemente do resultado, a torcida escocesa já deixou sua marca nos Estados Unidos.
Mas, se depender deles, essa história de amor entre a Escócia e a Copa ainda está longe de terminar.
Créditos da foto de capa: Reprodução/CNN Brasil
